Frases de Pietro Bembo - Não é a multidão... que às

Frases de Pietro Bembo - Não é a multidão... que às...


Frases de Pietro Bembo


Não é a multidão... que às composições de um século confere fama e autoridade, mas sim pouquíssimos homens de cada século, ao juízo dos quais, pelo facto de serem mais eruditos do que outros de alta reputação, a multidão acaba por consagrar.

Pietro Bembo

Esta citação de Pietro Bembo revela uma verdade profunda sobre a natureza do reconhecimento cultural: a fama duradoura não nasce do aplauso das massas, mas da validação silenciosa de uma elite intelectual. É um lembrete de que a qualidade, não a popularidade imediata, define o legado.

Significado e Contexto

A citação de Pietro Bembo argumenta que a fama e autoridade das obras culturais (como literatura, arte ou filosofia) de um determinado século não são determinadas pela opinião popular ou pelo sucesso imediato junto das massas. Em vez disso, são 'pouquíssimos homens' – uma minoria de indivíduos excecionalmente eruditos e criteriosos – que, através do seu juízo refinado, conferem verdadeiro valor a essas obras. A multidão, por sua vez, acaba por seguir e consagrar o veredicto desses especialistas, reconhecendo a sua superioridade intelectual em relação a outros que possam ter reputação superficial. É uma defesa do critério qualificado sobre a opinião generalizada. Bembo destaca assim um processo em duas etapas: primeiro, uma elite intelectual identifica e valida a qualidade; depois, a sociedade em geral adopta essa avaliação como consensual. Esta visão sublinha que a autoridade cultural é construída de cima para baixo, através de um filtro de conhecimento especializado, e não de baixo para cima, por mero acúmulo de popularidade. Reflete uma certa desconfiança em relação ao 'gosto comum' e uma crença na hierarquia do saber.

Origem Histórica

Pietro Bembo (1470-1547) foi um cardeal, poeta e teórico literário italiano do Renascimento, figura central no desenvolvimento da língua italiana literária. A citação provavelmente surge no contexto dos debates sobre a 'Questione della lingua' (Questão da Língua), em que Bembo defendia o uso do toscano literário (baseado em Petrarca e Boccaccio) como modelo para o italiano padrão, contra outras variantes. Neste ambiente humanista, a autoridade dos clássicos e a opinião dos eruditos eram fundamentais para estabelecer cânones linguísticos e literários. A frase reflecte a mentalidade renascentista que valorizava o conhecimento especializado e a recuperação da cultura clássica, muitas vezes restrita a uma elite educada.

Relevância Atual

Esta frase mantém uma relevância acentuada na era digital, onde a opinião das multidões (através de likes, partilhas e reviews online) parece dominar a visibilidade cultural. Bembo lembra-nos que o reconhecimento efémero nas redes sociais não equivale a autoridade cultural duradoura. Ainda hoje, o prestígio de obras literárias, científicas ou artísticas é frequentemente estabelecido por críticos especializados, académicos ou curadores, cujo juízo é depois adoptado pelo público mais amplo. A citação também serve como alerta contra a ditadura da popularidade imediata, defendendo a importância de critérios qualificados e de longo prazo na avaliação cultural.

Fonte Original: A citação é atribuída a Pietro Bembo no contexto das suas obras sobre teoria literária e linguística, possivelmente em 'Prose della volgar lingua' (1525), uma obra fundamental onde discute a língua italiana e estabelece cânones literários. No entanto, a localização exata dentro da obra pode variar conforme as fontes.

Citação Original: Non è la moltitudine... che alle composizioni d'un secolo dà fama e autorità, ma sì ben pochi uomini per secolo, al giudizio dei quali, per essere più dotti di altri di alta riputazione, la moltitudine finisce per consacrare.

Exemplos de Uso

  • Na crítica literária contemporânea, um romance pode tornar-se um clássico não pelas vendas iniciais, mas após ser elogiado por um círculo restrito de críticos influentes.
  • Na ciência, uma teoria revolucionária ganha aceitação primeiro entre uns poucos especialistas, antes de ser adoptada pela comunidade científica em geral.
  • Nas artes plásticas, um artista pode ser 'descoberto' por um curador de museu prestigiado, cuja validação depois atrai a atenção do público e do mercado.

Variações e Sinônimos

  • A voz da razão é muitas vezes uma voz solitária.
  • A qualidade prevalece sobre a quantidade.
  • Não é a maioria que decide o que é excelente, mas os conhecedores.
  • O tempo é o maior crítico.

Curiosidades

Pietro Bembo não só foi um teórico literário, mas também um dos primeiros a coleccionar moedas e medalhas antigas de forma sistemática, sendo considerado um pioneiro da numismática moderna.

Perguntas Frequentes

O que Pietro Bembo quer dizer com 'pouquíssimos homens de cada século'?
Refere-se a uma elite intelectual – críticos, eruditos ou especialistas – cujo conhecimento profundo lhes permite discernir o verdadeiro valor cultural, em contraste com a opinião generalizada.
Esta citação aplica-se às redes sociais?
Sim, de forma crítica: sugere que a popularidade online (a 'multidão') nem sempre reflecte qualidade duradoura, sendo a validação por especialistas ainda crucial para o reconhecimento a longo prazo.
Qual é a obra principal de Pietro Bembo?
A sua obra mais influente é 'Prose della volgar lingua' (1525), onde defende o uso do toscano literário como base para a língua italiana padrão.
Por que é esta citação importante para a educação?
Promove o pensamento crítico, lembrando que a autoridade do conhecimento especializado deve ser valorizada acima da mera opinião popular, um princípio fundamental no ensino académico.

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