Frases de Gonçalo M. Tavares - O instinto tem a ver com memó

Frases de Gonçalo M. Tavares - O instinto tem a ver com memó...


Frases de Gonçalo M. Tavares


O instinto tem a ver com memória e esquecimento. Dentro de quem escreve e quem lê, há sempre um combate entre a memória e o que esquecemos, e a criatividade tem muito a ver com o esquecimento.

Gonçalo M. Tavares

Esta citação revela a criatividade como um processo de filtragem da memória, onde o esquecimento não é uma falha, mas uma ferramenta essencial para a inovação. Sugere que a arte nasce do diálogo entre o que retemos e o que deixamos ir.

Significado e Contexto

A citação de Gonçalo M. Tavares propõe uma visão do instinto criativo como resultado de uma tensão dinâmica entre memória e esquecimento. Não se trata de uma oposição simples, mas de um 'combate' interno, tanto no autor como no leitor, onde o que é esquecido atua como um filtro ou um espaço vazio necessário para a emergência do novo. A criatividade, assim, não depende apenas da acumulação de experiências (memória), mas também da capacidade de libertar-se de referências excessivas ou de padrões rígidos (esquecimento), permitindo associações inesperadas e a formação de ideias originais. Esta perspetiva desafia a noção comum de que a criatividade é puramente fruto da memória ou da inspiração. Em vez disso, apresenta-a como um processo ativo de seleção e omissão. O 'esquecimento' referido pode ser interpretado como uma forma de desapego consciente ou inconsciente, que permite ao criador transcender influências diretas e encontrar uma voz única. No ato da leitura, este combate também se manifesta, pois o leitor interpreta o texto através do seu próprio filtro de memórias e lacunas, co-criando o significado.

Origem Histórica

Gonçalo M. Tavares (n. 1970) é um dos escritores portugueses contemporâneos mais premiados e traduzidos internacionalmente. A sua obra, que abrange romance, conto, poesia e teatro, é frequentemente caracterizada por uma profunda reflexão filosófica sobre a condição humana, a violência, o poder e os processos de pensamento. Esta citação insere-se no seu interesse contínuo pelos mecanismos da criação artística e pela psicologia da escrita e da leitura. Embora a origem exata (livro ou entrevista) não seja especificada aqui, o tema é central em muitas das suas reflexões públicas e na sua escrita metaficcional.

Relevância Atual

Num mundo sobrecarregado de informação e estímulos, onde a memória é externalizada para dispositivos digitais e a pressão pela originalidade é constante, esta citação ganha uma relevância crucial. Ela lembra-nos que a verdadeira criatividade pode exigir desligar-se do ruído, esquecer temporariamente as tendências do momento para encontrar uma perspetiva autêntica. É particularmente relevante para educadores, artistas, escritores e qualquer pessoa envolvida em processos criativos ou de resolução de problemas, oferecendo um modelo para entender a inovação não como acumulação, mas como síntese e ruptura.

Fonte Original: A fonte exata desta citação (livro, entrevista ou discurso) não é fornecida no pedido. É uma reflexão atribuída ao autor no contexto das suas muitas intervenções sobre literatura e criação.

Citação Original: O instinto tem a ver com memória e esquecimento. Dentro de quem escreve e quem lê, há sempre um combate entre a memória e o que esquecemos, e a criatividade tem muito a ver com o esquecimento.

Exemplos de Uso

  • Um escritor que, ao criar um personagem, conscientemente 'esquece' estereótipos literários para descobrir uma personalidade única.
  • Um designer que, para inovar, afasta-se temporariamente (esquece) as tendências atuais do mercado para explorar soluções originais.
  • Um leitor que interpreta um poema de forma pessoal, porque as suas próprias memórias e lacunas (o que não conhece ou esqueceu) moldam a sua compreensão.

Variações e Sinônimos

  • "A arte é a memória filtrada pelo esquecimento."
  • "Para criar, por vezes é preciso desaprender."
  • "A inspiração surge no espaço entre a lembrança e o olvido."
  • Ditado popular: "O que os olhos não veem, o coração não sente" (variante sobre a perceção seletiva).

Curiosidades

Gonçalo M. Tavares tem uma formação inicial em Educação Física e Desporto, antes de se dedicar inteiramente à escrita. Esta trajetória pouco convencional pode refletir-se na sua visão singular e 'desportiva' (como um 'combate') dos processos mentais e criativos.

Perguntas Frequentes

O que significa 'combate entre a memória e o esquecimento'?
Refere-se à tensão dinâmica e necessária no processo criativo: a memória fornece material e referências, enquanto o esquecimento atua como um filtro que permite a libertação de padrões e a emergência de ideias novas e inesperadas.
Como é que o esquecimento pode ser benéfico para a criatividade?
O esquecimento, neste contexto, não é uma falha, mas um mecanismo que permite desprender-se de influências excessivas, clichés ou conhecimento rígido, abrindo espaço para associações originais e pensamento lateral.
Esta ideia aplica-se apenas à escrita e à leitura?
Não. A citação menciona explicitamente quem escreve e lê, mas o princípio é aplicável a qualquer atividade criativa (arte, ciência, negócios) e até ao processo de aprendizagem, onde a síntese de novo conhecimento muitas vezes requer reavaliar ou 'esquecer' velhos pressupostos.
Qual é a obra mais famosa de Gonçalo M. Tavares?
É particularmente conhecido pela série 'O Bairro', um conjunto de livros que homenageia e reinterpreta grandes escritores e pensadores do século XX, como Kafka, Brecht e Calvino, através de personagens ficcionais.

Podem-te interessar também


Mais frases de Gonçalo M. Tavares




Mais vistos