Frases de António Vieira - Em todas as coisas há aumento...

Em todas as coisas há aumento, estado e declinação. O aumento pende do estado, mas a declinação sempre se origina do aumento.
António Vieira
Significado e Contexto
Esta citação do Padre António Vieira descreve um princípio universal de três fases que governa todas as coisas: o aumento (crescimento ou ascensão), o estado (período de estabilidade ou plenitude) e o declínio (diminuição ou queda). Vieira sugere que o aumento naturalmente conduz ao estado, mas paradoxalmente, o declínio sempre tem origem no próprio aumento, indicando que as sementes da queda estão presentes desde o início do crescimento. Esta visão reflete uma compreensão cíclica e quase predestinada da existência, comum no pensamento barroco, que enfatiza a fugacidade e a impermanência de todas as coisas terrenas. Num contexto educativo, esta frase pode ser interpretada como uma lição sobre humildade e consciência temporal. Ensina que nada permanece estático: o sucesso contém em si o germe da possível decadência, e a estabilidade é apenas uma fase passageira entre crescimento e declínio. Esta perspetiva incentiva uma atitude de moderação durante os períodos de prosperidade e de resiliência durante os de dificuldade, reconhecendo que ambas são partes naturais de um ciclo contínuo.
Origem Histórica
António Vieira (1608-1697) foi um jesuíta, escritor e orador português do período barroco, conhecido pelos seus sermões e pela defesa dos direitos dos indígenas e judeus no Brasil colonial. A citação reflete o pensamento característico do Barroco, marcado por contrastes, paradoxos e uma visão da vida como efémera e sujeita a constantes mudanças. Vieira viveu numa época de expansão e depois declínio do Império Português, o que pode ter influenciado a sua perceção dos ciclos históricos e existenciais.
Relevância Atual
Esta frase mantém relevância hoje por oferecer uma lente para compreender fenómenos contemporâneos como ciclos económicos, sustentabilidade ambiental, carreiras profissionais e relações pessoais. Num mundo de rápidas mudanças, recorda-nos que o crescimento desmedido pode levar ao colapso e que a estabilidade requer gestão cuidadosa. É particularmente pertinente em debates sobre desenvolvimento sustentável, onde se procura equilibrar progresso com preservação.
Fonte Original: A citação é atribuída a António Vieira nos seus escritos e sermões, embora a obra específica não seja sempre identificada. Faz parte do corpus da sua produção literária e filosófica, possivelmente incluída em sermões ou textos reflexivos.
Citação Original: Em todas as coisas há aumento, estado e declinação. O aumento pende do estado, mas a declinação sempre se origina do aumento.
Exemplos de Uso
- Na gestão empresarial, uma startup pode experimentar rápido crescimento (aumento), estabilizar-se no mercado (estado), mas enfrentar declínio se não inovar, ilustrando como o sucesso inicial pode conter riscos futuros.
- Nas relações interpessoais, uma amizade pode fortalecer-se gradualmente, atingir um equilíbrio duradouro, mas entrar em declínio se não for nutrida, mostrando como a negligência pode surgir da própria intimidade estabelecida.
- Na saúde ambiental, um ecossistema pode recuperar (aumento), manter-se equilibrado (estado), e depois declinar devido a pressões acumuladas, exemplificando como a recuperação pode mascarar vulnerabilidades subjacentes.
Variações e Sinônimos
- Tudo o que sobe, desce
- Depois da tempestade vem a bonança, e depois da bonança pode vir nova tempestade
- Nada dura para sempre
- A roda da fortuna está sempre a girar
- Vida e morte são faces da mesma moeda
Curiosidades
António Vieira foi tão influente que o Papa Inocêncio XII referiu-se a ele como 'o homem mais extraordinário que a Companhia de Jesus já produziu', e a sua defesa dos oprimidos levou a que fosse perseguido pela Inquisição, sobrevivendo a prisões e exílios.


