Frases de António Vieira - Não depende a grandeza, para

Frases de António Vieira - Não depende a grandeza, para ...


Frases de António Vieira


Não depende a grandeza, para a ruína, mais que de si mesma.

António Vieira

Esta citação de António Vieira revela uma verdade profunda: a grandeza carrega em si as sementes da sua própria destruição. É um aviso sobre como o poder e o sucesso podem gerar arrogância e autossuficiência que levam à queda.

Significado e Contexto

Esta citação do Padre António Vieira expressa uma ideia central na sua visão moral e política: as entidades ou indivíduos poderosos não são destruídos primariamente por forças externas, mas pelas falhas internas que o próprio poder gera. A 'grandeza' aqui refere-se não apenas ao poder político ou militar, mas a qualquer forma de excelência, sucesso ou posição elevada que pode levar à soberba, à negligência ou à corrupção moral. Vieira sugere que o processo de declínio começa quando se perde a consciência das próprias limitações e vulnerabilidades. Num sentido mais amplo, a frase alerta para os perigos da autossuficiência e da falta de autocrítica. Quando uma pessoa, instituição ou nação atinge uma posição de destaque, tende a subestimar ameaças externas e a superestimar a sua própria invulnerabilidade. Esta dinâmica interna - o orgulho, a arrogância ou a simples complacência - torna-se o principal agente da sua queda, mais do que qualquer inimigo ou circunstância externa.

Origem Histórica

António Vieira (1608-1697) foi um dos maiores oradores e escritores do barroco português, conhecido pelos seus 'Sermões' onde abordava questões teológicas, políticas e sociais do século XVII. Viveu durante a União Ibérica e o período da Restauração da independência portuguesa, testemunhando o apogeu e declínio do império português. Esta citação reflete a sua visão crítica sobre o poder, influenciada pelo contexto de crises políticas e morais que observava no Brasil colonial e na corte portuguesa.

Relevância Atual

Esta frase mantém uma relevância extraordinária no mundo contemporâneo, aplicando-se a líderes políticos, empresas tecnológicas, figuras públicas e até relações pessoais. Na era da informação, vemos frequentemente como o sucesso rápido pode levar à arrogância e à queda ética ou profissional. Serve como um lembrete atemporal sobre a importância da humildade, da autorreflexão e da gestão responsável do poder em qualquer esfera da vida.

Fonte Original: A citação é atribuída aos 'Sermões' de António Vieira, provavelmente de um dos seus sermões sobre temas morais e políticos, embora a localização exata na sua vasta obra seja difícil de precisar sem referência específica.

Citação Original: Não depende a grandeza, para a ruína, mais que de si mesma.

Exemplos de Uso

  • Uma empresa de tecnologia que domina o mercado pode cair devido à complacência interna e à falta de inovação, não pela concorrência externa.
  • Um político popular pode perder o cargo não pelos ataques da oposição, mas pelos seus próprios escândalos ou desconexão com os eleitores.
  • Um atleta campeão pode ver o seu declínio começar quando deixa de treinar com a mesma disciplina que o levou ao topo.

Variações e Sinônimos

  • O orgulho precede a queda.
  • Quem com ferro fere, com ferro será ferido.
  • A hybris leva à némesis.
  • O poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente.
  • As maiores fortalezas caem por dentro.

Curiosidades

António Vieira foi perseguido pela Inquisição por defender os direitos dos indígenas brasileiros e dos judeus, mostrando como a sua crítica ao poder estabelecido tinha consequências pessoais diretas.

Perguntas Frequentes

O que significa exatamente 'a grandeza' nesta citação?
Refere-se a qualquer forma de poder, sucesso, excelência ou posição elevada que pode gerar autossuficiência e levar ao declínio.
Esta ideia aparece noutras culturas ou filosofias?
Sim, é um tema universal presente na tragédia grega (hybris e némesis), na filosofia oriental (o yin-yang do sucesso) e em muitos provérbios populares.
Como posso aplicar este ensinamento na vida prática?
Mantendo humildade mesmo no sucesso, praticando autocrítica regular e reconhecendo que toda posição elevada traz responsabilidades e vulnerabilidades específicas.
Por que é que António Vieira se interessava por este tema?
Como observador do império português no seu apogeu e declínio, Vieira via como o poder colonial gerava abusos e decadência moral que ameaçavam a própria sustentabilidade do império.

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