Frases de Clarice Lispector - Viver me deixa tão nervosa, t

Frases de Clarice Lispector - Viver me deixa tão nervosa, t...


Frases de Clarice Lispector


Viver me deixa tão nervosa, tão à beira de. Tomo calmantes só pelo facto de estar viva: o calmante me mata parcialmente e embota um pouco o aço demasiado agudo da minha lâmina de vida. Eu deixo de fremir um pouco. E passo a um estágio mais contemplativo.

Clarice Lispector

Esta citação revela a tensão paradoxal entre a intensidade da existência e a necessidade de atenuar essa mesma vivência. Lispector captura a angústia de sentir a vida com demasiada acuidade.

Significado e Contexto

A citação exprime uma profunda ansiedade perante o simples ato de existir. A autora descreve a vida como uma 'lâmina demasiado aguda', uma metáfora poderosa para a dor, a consciência aguda e a vulnerabilidade da condição humana. O uso de calmantes não é apresentado como uma fuga total, mas como um mecanismo de sobrevivência que 'mata parcialmente', permitindo uma transição de um estado de hiperestimulação ('fremir') para um estado 'mais contemplativo'. Este processo ilustra o paradoxo de precisar de amortecer a própria sensibilidade para conseguir suportar e, eventualmente, refletir sobre a experiência de estar vivo.

Origem Histórica

Clarice Lispector (1920-1977) foi uma das mais importantes escritoras brasileiras do século XX, associada ao modernismo e conhecida pela sua prosa introspetiva e filosófica. A sua obra, frequentemente centrada na interioridade das personagens e nas crises existenciais, reflete um período de grandes transformações sociais e de questionamento dos papéis tradicionais, especialmente para as mulheres. A sua escrita emerge num contexto pós-guerra onde temas como a alienação, a identidade e o absurdo da existência ganharam proeminência na literatura mundial.

Relevância Atual

Esta frase mantém uma relevância pungente na sociedade contemporânea, marcada por altos níveis de ansiedade, stress e sobrecarga sensorial (o 'burnout'). A metáfora dos calmantes para atenuar o 'aço da vida' ecoa nos debates atuais sobre saúde mental, a medicalização do mal-estar e a busca por equilíbrio entre a hiperconetividade e a necessidade de desaceleração contemplativa. Fala diretamente a uma geração que, por vezes, sente a vida como demasiado intensa e busca formas de a modular.

Fonte Original: A citação é atribuída a Clarice Lispector, provavelmente extraída da sua vasta obra de crónicas, contos ou romances, que frequentemente abordam estes estados de espírito. Uma fonte comummente associada a reflexões similares é o livro 'A Paixão Segundo G.H.' (1964) ou a sua produção de crónicas para jornais.

Citação Original: Viver me deixa tão nervosa, tão à beira de. Tomo calmantes só pelo facto de estar viva: o calmante me mata parcialmente e embota um pouco o aço demasiado agudo da minha lâmina de vida. Eu deixo de fremir um pouco. E passo a um estágio mais contemplativo.

Exemplos de Uso

  • Num debate sobre saúde mental, alguém pode usar a frase para descrever a sensação de precisar de ansiolíticos para funcionar no dia a dia.
  • Num ensaio sobre a modernidade, um autor pode citar Lispector para ilustrar o cansaço existencial gerado pelo ritmo acelerado da vida contemporânea.
  • Num contexto terapêutico ou de partilha pessoal, a citação pode servir para expressar a luta para encontrar um ponto de equilíbrio entre sentir demasiado e anestesiar-se.

Variações e Sinônimos

  • "A vida corta como uma faca."
  • "Preciso de amortecer os sentidos para suportar o mundo."
  • "A consciência plena é por vezes dolorosa."
  • "Viver é um ato de coragem que requer, por vezes, um pequeno entorpecimento."

Curiosidades

Clarice Lispector nasceu na Ucrânia e chegou ao Brasil ainda bebé, fugindo da perseguição aos judeus. O seu olhar único e introspetivo sobre a condição humana é frequentemente atribuído a esta experiência de deslocamento e à sua sensibilidade aguçada.

Perguntas Frequentes

O que significa 'a lâmina de vida' na citação?
É uma metáfora para a experiência de viver, que pode ser cortante, dolorosa e intensamente sensível. Representa a consciência aguda e por vezes angustiante da própria existência.
Por que é que Lispector fala em tomar calmantes?
Ela descreve os calmantes não como um vício recreativo, mas como um mecanismo de sobrevivência para atenuar a dor e a hiperestimulação de 'estar viva', permitindo-lhe alcançar um estado mais sereno e contemplativo.
Esta citação é sobre depressão?
Pode ser lida no contexto da angústia ou ansiedade existencial, mais do que de uma depressão clínica específica. Fala da qualidade opressiva da consciência perante a vida, um tema filosófico recorrente na sua obra.
Em que obra de Clarice Lispector posso encontrar esta ideia?
Embora a citação exata possa ser de uma crónica, temas de angústia, introspeção e a luta com a consciência são centrais em romances como 'A Paixão Segundo G.H.', 'A Hora da Estrela' e na sua coletânea de contos.

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