Frases de Mia Couto - O que dói na morte é a falsi...

O que dói na morte é a falsidade. A morte apenas existe por uma brevíssima troca de ausências. Em outro ser, o morto irá renascer. A nossa dor é a de não sabermos ser imortais.
Mia Couto
Significado e Contexto
A citação desloca o foco da morte em si para a perceção humana da mesma. Mia Couto sugere que a 'falsidade' é a dor principal: a ideia construída de que a morte é um término definitivo, quando, na sua visão, é apenas uma 'brevíssima troca de ausências'. Isto implica uma continuidade, um renascer noutra forma de ser. A dor humana, portanto, não é causada pela morte, mas pela nossa ignorância ou incapacidade de nos reconhecermos como parte de um ciclo imortal, mais vasto do que a existência individual.
Origem Histórica
Mia Couto é um escritor moçambicano pós-colonial, cuja obra é profundamente marcada pela história e cultura de Moçambique, bem como pela guerra civil. A sua escrita funde o realismo mágico com uma sensibilidade poética única, explorando temas como a identidade, a memória e a relação do ser humano com a natureza e o cosmos. Esta citação reflete uma visão de mundo que, em parte, dialoga com tradições africanas e espiritualidades onde a morte é vista como uma passagem, não um fim.
Relevância Atual
Num mundo secularizado e muitas vezes materialista, onde a morte é frequentemente medicalizada e afastada da experiência quotidiana, esta frase oferece um contraponto poético e reconfortante. Ajuda a lidar com o luto, propondo uma perspetiva de continuidade. É também relevante em discussões ecológicas e filosóficas sobre a interdependência e a transformação constante da matéria e da energia.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Mia Couto em antologias e citações online, mas a sua origem exata numa obra específica (como um romance, conto ou poema) não é amplamente documentada em fontes canónicas. Pode tratar-se de uma frase extraída de uma entrevista ou discurso.
Citação Original: O que dói na morte é a falsidade. A morte apenas existe por uma brevíssima troca de ausências. Em outro ser, o morto irá renascer. A nossa dor é a de não sabermos ser imortais.
Exemplos de Uso
- Num discurso de homenagem a um ente querido, para oferecer consolo através da ideia de renascimento.
- Num ensaio filosófico sobre a perceção do tempo e da finitude na cultura contemporânea.
- Como epígrafe num livro de poesia ou num trabalho académico sobre luto e resiliência.
Variações e Sinônimos
- "A morte não é o oposto da vida, mas parte dela." (adaptação de uma ideia comum)
- "Morrer é apenas mudar de forma."
- "O que chamamos morte é uma transformação."
- Ditado popular: "Quem morre, vira estrela."
Curiosidades
Mia Couto, além de escritor, é biólogo de formação. Esta dupla formação (ciências e letras) influencia frequentemente a sua escrita, onde observações da natureza se fundem com reflexões metafísicas, como se vê nesta citação sobre ciclos e transformação.


