Frases de Mia Couto - A morte é uma corda que nos a...

A morte é uma corda que nos amarra as veias. O nó está lá desde que nascemos. O tempo vai esticando as pontas da corda, nos estancando pouco a pouco.
Mia Couto
Significado e Contexto
A citação utiliza a metáfora da corda para representar a morte não como um evento isolado, mas como uma presença constante que se manifesta através do envelhecimento e da passagem do tempo. A imagem da corda que 'nos amarra as veias' sugere uma ligação orgânica e inevitável, enquanto o 'nó' presente desde o nascimento enfatiza que a mortalidade é uma condição inerente à vida humana. O processo de 'esticar as pontas' e 'estancar pouco a pouco' descreve poeticamente como a vitalidade diminui gradualmente com o tempo, transformando a morte num fenómeno contínuo em vez de pontual. Esta perspectiva desafia a visão convencional da morte como momento final, propondo antes uma compreensão da existência como um percurso marcado pela progressiva consciência da finitude. A linguagem corporal ('veias', 'estancar') cria uma conexão visceral entre o conceito abstrato da morte e a experiência física do corpo, reforçando a ideia de que a mortalidade não é apenas filosófica, mas também biológica e sensorial.
Origem Histórica
Mia Couto, pseudónimo de António Emílio Leite Couto, é um dos escritores moçambicanos mais reconhecidos internacionalmente, conhecido por misturar realismo mágico com questões pós-coloniais. A sua obra frequentemente explora temas de identidade, memória e a relação entre vida e morte, influenciada pelo contexto histórico de Moçambique pós-independência. Embora a origem específica desta citação não seja identificada num livro concreto, reflete características estilísticas presentes em obras como 'Terra Sonâmbula' ou 'A Confissão da Leoa', onde Couto emprega metáforas orgânicas para discutir existência e transformação.
Relevância Atual
Esta frase mantém relevância contemporânea por abordar a mortalidade numa era de avanços médicos que tentam prolongar a vida, questionando a nossa relação com o envelhecimento e a finitude. Num contexto social que frequentemente nega ou medicaliza a morte, a metáfora de Couto oferece uma perspectiva mais integrada, lembrando-nos que a consciência da finitude pode enriquecer a vivência do presente. Além disso, ressoa com discussões atuais sobre qualidade de vida versus longevidade, e com movimentos que promovem uma aceitação mais natural dos ciclos vitais.
Fonte Original: A origem exata não é especificada, mas a citação é atribuída a Mia Couto em diversas antologias e sites de citações literárias. Pode derivar de entrevistas, discursos ou obras menores não amplamente catalogadas.
Citação Original: A morte é uma corda que nos amarra as veias. O nó está lá desde que nascemos. O tempo vai esticando as pontas da corda, nos estancando pouco a pouco.
Exemplos de Uso
- Na psicologia existencial, esta citação ilustra como a consciência da morte pode motivar uma vida mais autêntica e significativa.
- Em discussões sobre bioética, serve para questionar intervenções médicas extremas que prolongam a vida sem considerar a qualidade do processo.
- Na educação filosófica, é usada para introduzir conceitos de finitude e temporalidade em contraste com visões materialistas da existência.
Variações e Sinônimos
- A morte é a sombra que nos segue desde o primeiro suspiro
- Vivemos a morrer um pouco a cada dia
- A vida é uma caminhada lenta em direção ao fim inevitável
- O tempo é o fio que tece o nosso destino mortal
Curiosidades
Mia Couto, além de escritor, é biólogo de formação, o que pode explicar a precisão anatómica da metáfora ('veias') e a sua tendência para usar imagens orgânicas na sua escrita literária.


