Frases de Ramalho Eanes - A pátria não é a entidade p...

A pátria não é a entidade pela qual valerá a pena morrer, mas pela qual vale a pena viver pelos filhos, pelos netos, nossos e dos outros.
Ramalho Eanes
Significado e Contexto
A citação de Ramalho Eanes redefine radicalmente o conceito tradicional de patriotismo. Em vez de glorificar o sacrifício supremo da morte pela pátria – uma ideia frequentemente associada a contextos bélicos ou nacionalismos extremos –, Eanes propõe um patriotismo ativo e construtivo. O verdadeiro amor à pátria manifesta-se no compromisso diário de construir um país onde valha a pena viver, não apenas para nós, mas especialmente para os nossos descendentes e para os filhos de todos. Esta visão desloca o foco do passado (as tradições, as glórias históricas) para o futuro, enfatizando a responsabilidade intergeracional. A pátria deixa de ser um monumento estático a defender e torna-se um projeto dinâmico a edificar. O 'viver pelos filhos e netos' implica ações concretas: investir na educação, proteger o ambiente, promover a justiça social e cultivar os valores democráticos. É um apelo a um civismo pragmático e esperançoso, onde o bem comum prevalece sobre o interesse individual imediato.
Origem Histórica
Ramalho Eanes foi o primeiro Presidente da República eleito democraticamente após a Revolução de 25 de Abril de 1974, servindo dois mandatos (1976-1986). O seu percurso militar e político decorreu num período crucial de consolidação da democracia portuguesa, marcado pela instabilidade política inicial, a descolonização e a integração europeia. Esta citação reflete provavelmente o espírito de reconstrução nacional e reconciliação pós-revolucionária, afastando-se de retóricas nacionalistas mais agressivas do passado (como as do Estado Novo) e propondo uma visão inclusiva e orientada para o futuro.
Relevância Atual
A frase mantém uma relevância extraordinária no mundo contemporâneo. Num contexto global de crises (climáticas, migratórias, de desigualdade), populismos e discursos nacionalistas por vezes excludentes, a mensagem de Eanes oferece um antídoto. Relembra-nos que o amor ao país deve traduzir-se em ações que garantam um planeta habitável e uma sociedade justa para todos os que hão-de vir. É particularmente pertinente para debates sobre sustentabilidade, educação e coesão social, onde a noção de legado intergeracional é central. Inspira um patriotismo crítico, construtivo e solidário, essencial para enfrentar os desafios do século XXI.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a discursos ou intervenções públicas de Ramalho Eanes durante a sua presidência ou no período subsequente. Não está identificada num livro ou obra específica, mas tornou-se uma das suas frases mais célebres e citadas, representativa do seu pensamento político e cívico.
Citação Original: A pátria não é a entidade pela qual valerá a pena morrer, mas pela qual vale a pena viver pelos filhos, pelos netos, nossos e dos outros.
Exemplos de Uso
- Num discurso sobre políticas ambientais, um líder pode usar esta frase para defender investimentos a longo prazo na transição ecológica, argumentando que a verdadeira defesa da pátria passa por legar um planeta saudável.
- Num contexto educativo, um professor pode citar Eanes para enfatizar que o patriotismo se cultiva nas salas de aula, formando cidadãos críticos e participativos que construirão um futuro melhor.
- Num debate sobre justiça social, um ativista pode invocar a citação para defender que a pátria só vale a pena se oferecer oportunidades iguais a todas as crianças, independentemente da sua origem.
Variações e Sinônimos
- "Amar a pátria é construir o seu futuro."
- "O verdadeiro patriotismo é deixar um país melhor do que aquele que encontrámos."
- "A pátria são os filhos do amanhã."
- Provérbio adaptado: "Mais vale viver pela pátria do que morrer por ela."
Curiosidades
Ramalho Eanes, além de Presidente, foi Chefe do Estado-Maior do Exército e desempenhou um papel moderador crucial durante o PREC (Processo Revolucionário em Curso), ajudando a evitar uma guerra civil. A sua imagem pública era a de um homem sério, ponderado e pouco dado a grandiloquências, o que torna esta citação, de tom quase poético e profundamente humanista, ainda mais significativa.


