Frases de Clarice Lispector - Escrevi nove livros que fizera

Frases de Clarice Lispector - Escrevi nove livros que fizera...


Frases de Clarice Lispector


Escrevi nove livros que fizeram muitas pessoas me amar de longe. Mas ser cronista tem um mistério que não entendo: é que os cronistas, pelo menos os do Rio, são muito amados. E escrever a espécie de crónica aos sábados tem me trazido mais amor ainda.

Clarice Lispector

Esta citação revela o paradoxo da intimidade criada através da escrita: o amor à distância dos livros contrasta com a conexão imediata e misteriosa da crónica. Clarice Lispector explora como diferentes formas de escrita geram diferentes formas de afeto.

Significado e Contexto

Nesta citação, Clarice Lispector contrasta duas experiências de receção da sua escrita. Os seus nove livros, obras mais estruturadas e literárias, geram um amor 'de longe' - uma admiração distante e reverencial por parte dos leitores. Já a crónica, género mais informal e periódico publicado aos sábados, cria uma proximidade diferente, um amor mais imediato e quotidiano que a própria autora considera misterioso. Esta reflexão sugere que a frequência e a informalidade da crónica permitem uma conexão mais pessoal com os leitores, quase como uma conversa regular que gera afeto. Lispector destaca especificamente os cronistas do Rio de Janeiro, sugerindo que existe uma tradição ou qualidade particular nesta cidade que potencia esta relação especial. A palavra 'mistério' indica que mesmo a autora, conhecida pela sua profundidade psicológica, não compreende totalmente este fenómeno, reconhecendo assim a complexidade da relação entre escritor, texto e leitor.

Origem Histórica

Clarice Lispector (1920-1977) foi uma das mais importantes escritoras brasileiras do século XX, conhecida pela sua prosa introspetiva e inovadora. Esta citação provém provavelmente do período em que escrevia crónicas para o Jornal do Brasil entre 1967 e 1973, publicadas posteriormente em coletâneas como 'A Descoberta do Mundo'. O contexto histórico é o Brasil dos anos 1960-70, sob a ditadura militar, quando muitos escritores encontraram na crónica jornalística uma forma de expressão mais imediata e acessível.

Relevância Atual

Esta reflexão mantém-se relevante na era digital, onde observamos fenómenos semelhantes: autores que criam conexões profundas através de blogs, newsletters ou publicações regulares nas redes sociais. A distinção entre o amor 'de longe' pelas obras consagradas e a intimidade das publicações frequentes ajuda a compreender as dinâmicas contemporâneas entre criadores e audiências. A citação também ilumina o valor da escrita periódica na construção de comunidades literárias.

Fonte Original: Provavelmente das crónicas publicadas no Jornal do Brasil (1967-1973), possivelmente incluída em 'A Descoberta do Mundo' (1984), coletânea póstuma das suas crónicas.

Citação Original: Escrevi nove livros que fizeram muitas pessoas me amar de longe. Mas ser cronista tem um mistério que não entendo: é que os cronistas, pelo menos os do Rio, são muito amados. E escrever a espécie de crónica aos sábados tem me trazido mais amor ainda.

Exemplos de Uso

  • Um blogger contemporâneo poderia dizer: 'Os meus livros vendem bem, mas são as newsletters semanais que criam verdadeira ligação com os leitores.'
  • Um professor de escrita criativa pode usar esta citação para discutir diferentes formas de relação autor-leitor.
  • Num artigo sobre redes sociais: 'Como Clarice Lispector previu, a publicação regular cria laços que obras mais formais não conseguem.'

Variações e Sinônimos

  • A intimidade da crónica versus a distância do livro
  • O amor quotidiano dos leitores
  • A magia da escrita periódica
  • Cronistas: amados sem se saber porquê
  • Da admiração literária à proximidade jornalística

Curiosidades

Clarice Lispector começou a escrever crónicas por necessidade financeira após separar-se do marido, mas rapidamente o género se tornou uma das suas formas de expressão mais características e amadas.

Perguntas Frequentes

Por que Clarice Lispector menciona especificamente os cronistas do Rio?
Refere-se à rica tradição de cronistas cariocas como Machado de Assis, João do Rio e Rubem Braga, sugerindo que o Rio tinha uma cultura particular de apreciação deste género.
Que diferença há entre o amor pelos livros e pelas crónicas?
Os livros geram admiração distante e duradoura, enquanto as crónicas criam uma intimidade imediata e regular, quase como uma amizade semanal com os leitores.
Esta citação aplica-se aos escritores atuais?
Sim, especialmente para autores que publicam regularmente online, onde a frequência cria comunidades de leitores mais envolvidas emocionalmente.
Onde posso ler as crónicas de Clarice Lispector?
As crónicas estão coletadas em 'A Descoberta do Mundo' e 'Para Não Esquecer', que reúnem os textos publicados no Jornal do Brasil e noutros periódicos.

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