Frases de Clarice Lispector - Nos meus livros quero profunda

Frases de Clarice Lispector - Nos meus livros quero profunda...


Frases de Clarice Lispector


Nos meus livros quero profundamente a comunicação profunda comigo e com o leitor. Aqui no jornal apenas falo com o leitor e agrada-me que ele fique agradado.

Clarice Lispector

Esta citação revela a dualidade da escrita de Clarice Lispector, distinguindo entre a busca introspectiva da literatura e a comunicação mais direta do jornalismo. Reflete sobre como diferentes meios moldam a relação entre autor e leitor.

Significado e Contexto

Esta citação de Clarice Lispector estabelece uma distinção fundamental entre dois tipos de escrita: a literária e a jornalística. Nos seus livros, a autora busca uma 'comunicação profunda' consigo mesma e com o leitor, um processo introspectivo e transformador que explora as camadas mais íntimas da existência. No jornalismo, por outro lado, o objetivo é mais direto e funcional - 'apenas falar com o leitor' - com o propósito explícito de agradar e comunicar de forma mais imediata e acessível. A frase revela a consciência de Lispector sobre os diferentes contratos de leitura estabelecidos em cada meio. Enquanto a literatura exige uma entrega mútua e uma jornada de descoberta partilhada, o jornalismo opera numa esfera mais pragmática de transmissão de ideias. Esta distinção ilumina não apenas a prática da autora, mas também a natureza dual da escrita como arte e como ofício comunicacional.

Origem Histórica

Clarice Lispector (1920-1977) foi uma das mais importantes escritoras brasileiras do século XX, conhecida pela sua prosa introspectiva e existencial. Durante décadas, combinou a escrita literária com colaborações jornalísticas em publicações como o 'Jornal do Brasil' e a revista 'Manchete'. Esta citação provavelmente emerge dessa experiência dupla, refletindo a sua vivência prática em ambos os campos durante os anos 1960 e 1970, período de grande produção tanto na ficção como no jornalismo.

Relevância Atual

Esta frase mantém relevância contemporânea por abordar questões fundamentais sobre autenticidade, mediação e propósito na comunicação escrita. Num mundo digital onde os formatos se multiplicam (blogs, redes sociais, newsletters, livros eletrónicos), a distinção de Lispector ajuda a refletir sobre as diferentes expectativas e profundidades que cada meio permite ou exige. A tensão entre comunicação profunda e comunicação funcional permanece central para escritores, jornalistas e criadores de conteúdo.

Fonte Original: Provavelmente de entrevistas ou textos jornalísticos de Clarice Lispector, possivelmente relacionada com as suas crónicas no 'Jornal do Brasil' (1967-1973) ou em outras publicações periódicas.

Citação Original: Nos meus livros quero profundamente a comunicação profunda comigo e com o leitor. Aqui no jornal apenas falo com o leitor e agrada-me que ele fique agradado.

Exemplos de Uso

  • Um escritor contemporâneo pode explicar: 'No meu romance, busco a mesma comunicação profunda que Lispector descrevia; no meu blog, apenas partilho impressões'
  • Num curso de escrita criativa, o professor pode contrastar: 'Como dizia Lispector, há uma diferença entre a profundidade do livro e a comunicação direta do artigo'
  • Num ensaio sobre media digitais: 'As redes sociais representam um terceiro espaço entre a comunicação profunda de Lispector e o jornalismo que apenas visa agradar'

Variações e Sinônimos

  • A literatura é viagem interior; o jornalismo é conversa de rua
  • Escrever para si versus escrever para o outro
  • Profundidade literária contra superficialidade jornalística
  • O livro como espelho, o jornal como janela

Curiosidades

Clarice Lispector começou a escrever crónicas jornalísticas regularmente por necessidade financeira após o seu divórcio em 1959, mas rapidamente transformou o formato numa expressão artística própria, criando um género híbrido entre jornalismo e literatura.

Perguntas Frequentes

Qual é a diferença principal que Lispector estabelece?
Lispector distingue a 'comunicação profunda' dos livros (com ela mesma e com o leitor) da comunicação mais direta e agradável do jornalismo.
Por que é importante esta distinção hoje?
Ajuda a compreender as diferentes expectativas e profundidades dos vários formatos de escrita na era digital.
Lispector considerava o jornalismo inferior?
Não como inferior, mas como diferente - com objetivos comunicacionais distintos, sendo ambos válidos nas suas esferas.
Onde posso ler as crónicas jornalísticas de Lispector?
Em coletâneas como 'A Descoberta do Mundo' (1984) que reúne textos do 'Jornal do Brasil' e outras publicações.

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