Frases de Clarice Lispector - Não gosto de dar entrevistas:

Frases de Clarice Lispector - Não gosto de dar entrevistas:...


Frases de Clarice Lispector


Não gosto de dar entrevistas: as perguntas me constrangem, custo a responder, e, ainda por cima, sei que o entrevistador vai deformar fatalmente minhas palavras.

Clarice Lispector

Esta citação revela a vulnerabilidade do ato de comunicação e o medo da distorção. Reflete a tensão entre a autenticidade interior e a representação externa das palavras.

Significado e Contexto

Esta citação de Clarice Lispector exprime uma profunda desconfiança em relação ao processo de entrevista. No primeiro nível, ela descreve o constrangimento pessoal perante perguntas diretas e a dificuldade em formular respostas imediatas, sugerindo uma natureza introspetiva ou uma relação complexa com a exposição verbal. Num nível mais profundo, a frase revela uma angústia metalinguística: a consciência de que o significado das suas palavras será inevitavelmente filtrado, interpretado e, no seu entender, 'deformado' pelo entrevistador. Isto reflete não apenas uma timidez, mas uma preocupação filosófica com a fidelidade da comunicação e a perda de controlo sobre o próprio discurso uma vez que este é captado por outrem.

Origem Histórica

Clarice Lispector (1920-1977) foi uma das mais importantes escritoras brasileiras do século XX, conhecida pela sua prosa introspetiva e densa, que explorava os abismos da consciência e a condição humana. A citação provavelmente surge do seu contacto com a imprensa e o meio literário ao longo da carreira. Vivendo numa época de crescente massificação dos media, Lispector, uma autora que privilegiava a profundidade e a ambiguidade, pode ter sentido um conflito particular com o formato rápido e por vezes superficial das entrevistas jornalísticas, que exigiam respostas concisas sobre um trabalho literário essencialmente complexo e não redutível a soundbites.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância pungente na era das redes sociais e da comunicação digital, onde as palavras são constantemente citadas, retiradas de contexto, viralizadas e interpretadas de mil maneiras. Qualquer pessoa pública, desde artistas a políticos, pode identificar-se com o receio de ver o seu pensamento simplificado ou deturpado. Além disso, num contexto mais amplo, fala da ansiedade contemporânea em relação à 'performance' do eu e à impossibilidade de controlar totalmente a nossa narrativa pública, tornando-se um comentário atemporal sobre os riscos e as fragilidades inerentes a qualquer ato de comunicação pública.

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a declarações suas em contextos jornalísticos ou em cartas. Não está identificada num livro específico, mas é amplamente citada em perfis biográficos, antologias de citações e artigos sobre a autora, refletindo uma postura conhecida e recorrente na sua relação com a imprensa.

Citação Original: Não gosto de dar entrevistas: as perguntas me constrangem, custo a responder, e, ainda por cima, sei que o entrevistador vai deformar fatalmente minhas palavras.

Exemplos de Uso

  • Um artista, ao recusar uma entrevista, pode justificar-se: 'Sinto-me como a Clarice Lispector, temo que a essência do meu trabalho seja deformada.'
  • Num debate sobre ética jornalística, pode-se citar: 'Lispector alertava para a deformação fatal das palavras pelo entrevistador, um risco sempre presente.'
  • Para descrever a ansiedade antes de uma apresentação pública: 'Tenho aquele receio lispectoriano de que as minhas ideias não sejam transmitidas com fidelidade.'

Variações e Sinônimos

  • 'As palavras, uma vez ditas, já não nos pertencem.' (Ditado popular)
  • 'A interpretação é o vingativo do texto.' (Paul Ricoeur, filósofo)
  • 'Temo menos a pergunta do que a resposta que será publicada.' (Sentimento comum a muitos autores)
  • 'Entre o que penso, o que quero dizer, o que creio dizer, o que digo, o que queres ouvir, o que ouves... há dez possibilidades de haver incompreensão.' (adaptação de um pensamento de Bernard Werber)

Curiosidades

Apesar desta aversão declarada, Clarice Lispector deu várias entrevistas ao longo da vida, algumas das quais se tornaram famosas e reveladoras. Esta contradição entre o desejo de privacidade/introspeção e a necessidade de se relacionar com o público e a crítica é uma marca da sua complexa personalidade artística.

Perguntas Frequentes

Clarice Lispector realmente não dava entrevistas?
Não exatamente. Ela expressava grande desconforto e desconfiança perante o processo, como a citação indica, mas concedeu entrevistas, especialmente em fases posteriores da carreira. A sua relutância era mais filosófica e emocional do que uma prática absoluta.
Qual é o tema central desta citação?
O tema central é a crise da comunicação autêntica. Aborda o constrangimento da exposição, a dificuldade da articulação imediata e, sobretudo, o medo da distorção ou má interpretação das próprias ideias por um intermediário (o entrevistador).
Por que esta frase é importante para entender Clarice Lispector?
Porque ilumina a sua personalidade introspetiva e a sua relação tensa com a fama e o meio literário. Reflete a mesma busca pela verdade interior e a desconfiança em relação às formas convencionais que caracterizam a sua obra literária.
Esta citação aplica-se apenas a escritores?
De modo algum. Aplica-se a qualquer pessoa que se exponha publicamente, desde figuras públicas a profissionais em redes sociais. Fala de uma vulnerabilidade universal: o receio de ser mal interpretado ou de ver a sua mensagem deturpada.

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