Frases de Mário Soares - Um governo que não fala com o

Frases de Mário Soares - Um governo que não fala com o...


Frases de Mário Soares


Um governo que não fala com o Povo que o elegeu - nem pode sair à rua sem ser vaiado - não tem legitimidade. Ou então é porque já não estamos em Democracia.

Mário Soares

Esta citação ecoa como um alerta sobre a essência da democracia: quando o diálogo entre governantes e governados se rompe, a própria legitimidade do poder entra em crise. Soares convida-nos a refletir sobre o silêncio que pode sepultar a liberdade.

Significado e Contexto

A citação de Mário Soares articula um princípio fundamental da teoria democrática: a legitimidade de um governo não deriva apenas da vitória eleitoral, mas mantém-se através do contínuo diálogo e reconhecimento por parte dos cidadãos. Soares sugere que quando um governo perde a capacidade de comunicar com o povo e se torna alvo constante de rejeição pública (simbolizada pelas vaias), a sua autoridade moral e política esvai-se. A frase final – 'Ou então é porque já não estamos em Democracia' – apresenta um dilema radical: ou se restaura a conexão essencial entre governantes e governados, ou o sistema deixou de ser verdadeiramente democrático, degenerando noutra forma de poder.

Origem Histórica

Mário Soares (1924-2017) foi uma figura central na história portuguesa do século XX: opositor ao Estado Novo, fundador do Partido Socialista, primeiro-ministro após a Revolução de 25 de Abril de 1974 e Presidente da República entre 1986 e 1996. A citação reflete a sua longa experiência como estadista democrático e a sua profunda convicção de que a democracia é um processo vivo de participação e debate. Embora a data exata da declaração não seja especificada aqui, enquadra-se no seu pensamento político maduro, frequentemente expresso em discursos, artigos e entrevistas onde defendia uma democracia pluralista, aberta e responsiva.

Relevância Atual

Esta frase mantém uma relevância pungente no contexto político contemporâneo, marcado por fenómenos como o populismo, a desconfiança nas instituições, a polarização e o afastamento entre elites políticas e cidadãos. Serve como um critério para avaliar governos atuais: a legitimidade é posta em causa quando há rutura no diálogo, quando protestos se generalizam ou quando os líderes evitam o contacto direto com a população. Num mundo de redes sociais e comunicação instantânea, a exigência de transparência e responsabilidade é ainda maior, tornando a reflexão de Soares um alerta atemporal sobre os riscos da erosão democrática.

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Mário Soares em discursos públicos e intervenções mediáticas. Não está identificada num livro ou obra específica, mas circula amplamente em compilações de suas frases e no discurso político português como uma síntema do seu pensamento democrático.

Citação Original: Um governo que não fala com o Povo que o elegeu - nem pode sair à rua sem ser vaiado - não tem legitimidade. Ou então é porque já não estamos em Democracia.

Exemplos de Uso

  • Num debate sobre a crise de representatividade, um analista pode citar Soares para criticar governos que governam por decretos sem consulta pública.
  • Durante manifestações contra medidas impopulares, ativistas podem usar a frase para questionar a legitimidade do governo em exercício.
  • Em aulas de Educação Cívica, a citação serve para discutir os pilares da democracia além do ato eleitoral: diálogo permanente e prestação de contas.

Variações e Sinônimos

  • 'Quem não ouve o povo, perde o seu apoio'.
  • 'Um governo surdo ao povo é um governo sem futuro'.
  • 'A democracia morre no silêncio entre o poder e os cidadãos'.
  • Ditado popular: 'Quem não se chega ao povo, o povo não se chega a ele'.

Curiosidades

Mário Soares era conhecido pelo seu estilo comunicativo direto e pela capacidade de se misturar com as multidões, sendo muitas vezes fotografado a cumprimentar cidadãos nas ruas – uma prática que refletia a sua crença na importância do contacto direto com o 'Povo' que menciona na citação.

Perguntas Frequentes

O que significa 'legitimidade' na citação de Soares?
Para Soares, legitimidade não é apenas a legalidade de ter sido eleito, mas a aceitação moral e política contínua por parte dos cidadãos, baseada no diálogo e no reconhecimento mútuo.
Por que as 'vaias' são um sinal de falta de legitimidade?
As vaias simbolizam a rejeição pública aberta e emocional. Soares vê nelas um indicador de que o governo perdeu a conexão com o povo, tornando a sua autoridade questionável na prática democrática.
Esta citação aplica-se apenas a governos?
Embora focada em governos, o princípio estende-se a qualquer poder representativo (ex.: autarquias, partidos) que deixe de dialogar com os seus eleitores, perdendo assim a sua base de sustentação democrática.
Como se relaciona esta ideia com a democracia representativa?
Soares não nega a representação, mas lembra que ela deve ser ativa e responsiva. A democracia não termina no voto; exige comunicação constante entre representantes e representados para evitar a degeneração do sistema.

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