Frases de Miguel Esteves Cardoso - O tempo que perdemos a fotogra...

O tempo que perdemos a fotografar ou a filmar onde vamos e o que fazemos: mais do que interrupções, são subtracções. O tempo perdido em apontamentos e fotografias é um estúpido virar-de-costas - um roubo - à riqueza daquela ocasião, sabida, à partida, finita.
Miguel Esteves Cardoso
Significado e Contexto
A citação de Miguel Esteves Cardoso critica a tendência moderna de documentar excessivamente experiências através de fotografias e vídeos. O autor argumenta que este comportamento não é apenas uma interrupção, mas uma subtração ativa da experiência, pois desvia a atenção da vivência direta para o ato de registo. Ao descrevê-lo como 'um estúpido virar-de-costas' e 'um roubo', Cardoso sugere que estamos a trair a riqueza efémera de momentos que sabemos serem finitos, privilegiando a representação futura sobre a imersão presente. Esta reflexão conecta-se com conceitos filosóficos sobre atenção e presença. Quando focamos em capturar um momento para memória futura, deixamos de estar plenamente envolvidos na experiência sensorial e emocional imediata. A citação alerta para o paradoxo de que, ao tentarmos preservar momentos, podemos estar a desperdiçar a sua essência mais valiosa: a vivência direta e não mediada.
Origem Histórica
Miguel Esteves Cardoso (n. 1955) é um dos mais importantes cronistas portugueses contemporâneos, conhecido pelas suas observações sagazes sobre a sociedade portuguesa e os costumes modernos. Esta citação reflete a sua perspetiva crítica sobre as transformações culturais trazidas pela tecnologia no final do século XX e início do XXI, período em que a fotografia e filmagem se tornaram massivamente acessíveis.
Relevância Atual
Esta frase é mais relevante hoje do que nunca, na era dos smartphones e redes sociais, onde a pressão para documentar e partilhar experiências atingiu níveis sem precedentes. A cultura do 'like' e da validação social através de imagens perfeitas intensifica o comportamento que Cardoso critica, tornando urgente a reflexão sobre como equilibrar a documentação com a presença autêntica.
Fonte Original: Provavelmente de uma das suas crónicas ou ensaios, embora a origem exata não seja especificada. Miguel Esteves Cardoso publicou extensivamente em jornais como 'Público' e em livros de crónicas.
Citação Original: O tempo que perdemos a fotografar ou a filmar onde vamos e o que fazemos: mais do que interrupções, são subtracções. O tempo perdido em apontamentos e fotografias é um estúpido virar-de-costas - um roubo - à riqueza daquela ocasião, sabida, à partida, finita.
Exemplos de Uso
- Durante um concerto, em vez de gravar todo o espetáculo no telemóvel, experimenta guardar o aparelho e absorver a música com todos os sentidos.
- Num jantar com amigos, estabelece a regra de 'telemóveis na mesa apenas para emergências' para promover conversas presenciais.
- Em viagens, dedica períodos específicos para fotografar e outros para simplesmente observar e sentir o lugar sem mediação tecnológica.
Variações e Sinônimos
- Viver o momento em vez de o fotografar
- A câmara rouba a alma do instante
- Quem tudo regista, pouco vive
- A fotografia como barreira entre nós e a experiência
- Memórias vividas versus memórias arquivadas
Curiosidades
Miguel Esteves Cardoso é também tradutor de obras importantes como 'Alice no País das Maravilhas' e criou neologismos que entraram no vocabulário português, como 'desenrascar' no sentido positivo.