Frases de Clarice Lispector - Quando penso no que já vivi m

Frases de Clarice Lispector - Quando penso no que já vivi m...


Frases de Clarice Lispector


Quando penso no que já vivi me parece que fui deixando meus corpos pelos caminhos.

Clarice Lispector

Esta citação de Clarice Lispector convida a uma reflexão sobre a identidade como um processo de despojamento. Sugere que ao longo da vida vamos abandonando versões de nós mesmos, deixando para trás camadas da nossa existência.

Significado e Contexto

A citação 'Quando penso no que já vivi me parece que fui deixando meus corpos pelos caminhos' encapsula uma visão profundamente existencialista sobre a identidade humana. Lispector não se refere a corpos físicos, mas às múltiplas versões de si mesma que foram sendo abandonadas ao longo da vida - os 'eus' que já não existem, as personalidades superadas, as experiências que moldaram e depois foram deixadas para trás. Esta metáfora sugere que o ser humano não é uma entidade fixa, mas um processo contínuo de transformação onde cada fase da vida representa um 'corpo' diferente que carregamos e eventualmente abandonamos. A expressão 'pelos caminhos' reforça a ideia de jornada existencial, onde cada estrada percorrida deixa marcas de quem fomos. Esta visão dialoga com conceitos filosóficos sobre a fluidez da identidade e a natureza processual da existência. Não se trata de perda, mas de acumulação experiencial - cada corpo deixado para trás contribui para a pessoa que se tornou, criando uma narrativa de vida feita de camadas sucessivas de ser.

Origem Histórica

Clarice Lispector (1920-1977) escreveu durante o século XX, um período marcado por profundas transformações sociais e pelo desenvolvimento do existencialismo filosófico. Como escritora brasileira de origem ucraniana-judaica, sua obra reflete uma sensibilidade única à condição do deslocamento e da busca identitária. Esta citação específica emerge do contexto literário modernista brasileiro, que valorizava a introspeção e a exploração da subjectividade.

Relevância Atual

Esta frase mantém uma relevância extraordinária no século XXI, onde as identidades são cada vez mais fluidas e múltiplas. Na era digital, onde constantemente criamos e abandonamos versões de nós mesmos nas redes sociais, a metáfora de Lispector ressoa profundamente. A contemporaneidade, com suas rápidas transformações e exigências de reinvenção constante, faz com que muitos se identifiquem com a sensação de 'deixar corpos pelos caminhos' - seja através de mudanças de carreira, relacionamentos, ou visões de mundo.

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída à obra de Clarice Lispector, possivelmente de seus escritos íntimos ou crónicas, embora não haja consenso absoluto sobre sua origem exata dentro de sua vasta produção literária.

Citação Original: Quando penso no que já vivi me parece que fui deixando meus corpos pelos caminhos.

Exemplos de Uso

  • Na terapia, muitas pessoas descrevem sentir que deixaram versões de si mesmas em relacionamentos passados.
  • Mudar de país frequentemente faz com que as pessoas sintam que deixaram um 'corpo' cultural para trás.
  • Ao rever fotografias antigas, é comum a sensação de observar alguém que já não existe completamente.

Variações e Sinônimos

  • Deixar pedaços de si pelo caminho
  • Cada fase da vida é uma pele que se troca
  • Viver é uma sucessão de mortes e renascimentos
  • O passado é um país estrangeiro

Curiosidades

Clarice Lispector começou a escrever seu primeiro romance, 'Perto do Coração Selvagem', aos 19 anos, demonstrando desde cedo uma maturidade literária extraordinária na exploração da consciência humana.

Perguntas Frequentes

O que significa 'deixar corpos pelos caminhos' literalmente?
Não se trata literalmente de corpos físicos, mas de uma metáfora para as diferentes versões de nós mesmos que abandonamos ao longo da vida.
Por que esta citação de Clarice Lispector é tão popular?
Porque captura universalmente a experiência humana de transformação identitária ao longo do tempo, ressoando com pessoas em diferentes fases da vida.
Esta citação representa uma visão pessimista da vida?
Não necessariamente. Pode ser interpretada como uma celebração do crescimento e da capacidade humana de se reinventar continuamente.
Em que obra específica aparece esta citação?
A origem exata é debatida entre estudiosos, sendo frequentemente associada aos escritos íntimos e reflexivos de Lispector, possivelmente de suas crónicas ou correspondência.

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