Frases de Clarice Lispector - Quando se realiza o viver, per...

Quando se realiza o viver, pergunta-se: mas era só isto? E a resposta é: não é só isto, é exactamente isto.
Clarice Lispector
Significado e Contexto
A citação de Clarice Lispector aborda um momento de clareza existencial onde, após alcançar ou experienciar plenamente a vida ("realizar o viver"), surge uma pergunta desiludida: "mas era só isto?". Esta interrogação reflete uma expectativa comum de que a vida deva ser algo grandioso ou extraordinário. Contudo, a resposta oferecida - "não é só isto, é exactamente isto" - subverte essa expectativa. Lispector sugere que a verdadeira profundidade da existência não reside num "algo mais" misterioso, mas na total aceitação e reconhecimento da realidade tal como ela se apresenta, com toda a sua simplicidade e concretude. A autora convida-nos a abandonar a busca por significados transcendentes ou experiências excecionais, propondo em vez disso uma imersão completa no presente. A frase encapsula a ideia de que a plenitude da vida não está num futuro idealizado ou numa experiência extraordinária, mas na capacidade de viver inteiramente o momento atual, com todas as suas limitações e possibilidades. Trata-se de uma visão que valoriza a autenticidade sobre a grandiosidade, a presença sobre a projeção.
Origem Histórica
Clarice Lispector (1920-1977) foi uma das mais importantes escritoras brasileiras do século XX, conhecida pela sua prosa introspetiva e abordagem existencialista. A citação reflete temas centrais da sua obra, que frequentemente explora a interioridade humana, a angústia existencial e a busca de significado. Embora a origem exata da frase não seja especificada, ela está alinhada com o pensamento presente em obras como "A Paixão Segundo G.H." (1964) e "Água Viva" (1973), onde Lispector investiga a natureza da consciência e da experiência.
Relevância Atual
Num mundo contemporâneo marcado pela pressão constante para alcançar sucesso, felicidade e experiências extraordinárias (muitas vezes amplificada pelas redes sociais), esta citação mantém uma relevância profunda. Ela oferece um antídoto à cultura do "sempre mais", lembrando-nos que a satisfação pode residir na aceitação e apreciação do presente. A frase ressoa com movimentos atuais como o mindfulness e a slow living, que enfatizam a importância de viver com intencionalidade e presença, em vez de numa busca incessante por algo "maior".
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Clarice Lispector, embora a obra específica de onde provém não seja universalmente identificada em fontes comuns. É consistente com o seu estilo e temas, aparecendo em antologias e coletâneas das suas reflexões.
Citação Original: A citação já está em português (variante brasileira, com "exactamente" numa grafia mais antiga).
Exemplos de Uso
- Num contexto de coaching ou desenvolvimento pessoal, para encorajar clientes a valorizar o seu percurso atual em vez de idealizar um futuro perfeito.
- Em discussões sobre bem-estar mental, para ilustrar a importância de aceitar a realidade presente como caminho para a paz interior.
- Na educação filosófica ou literária, para introduzir temas existencialistas e a noção de autenticidade.
Variações e Sinônimos
- "A vida é o que acontece enquanto fazemos outros planos." (atribuída a John Lennon)
- "O segredo é correr atrás das borboletas sem pisar as flores." (provérbio popular)
- "A felicidade não é algo pronto. Ela vem das suas próprias ações." (Dalai Lama)
- "Viver não é esperar a tempestade passar, é aprender a dançar na chuva."
Curiosidades
Clarice Lispector nasceu na Ucrânia e emigrou para o Brasil ainda bebé, facto que alguns estudiosos associam ao seu profundo sentido de deslocamento e busca por pertença, temas que ecoam na sua escrita existencial.


