Frases de Mário Soares - Tem de haver mais igualdade na

Frases de Mário Soares - Tem de haver mais igualdade na...


Frases de Mário Soares


Tem de haver mais igualdade na educação, mais igualdade entre as pessoas - e entre os Estados da União - mais respeito por quem trabalha e pelas pessoas que passam mal, andam na rua e têm fome, como está a acontecer. O Estado Social foi um esforço que se fez depois do 25 de Abril e durante as crises anteriores e posteriores. Agora querem acabar com ele porque dizem que não há dinheiro? Mas dinheiro há sempre. Faz-se e se for preciso vai-se buscar onde existe...

Mário Soares

Uma voz que ecoa a urgência da justiça social, lembrando-nos que a dignidade humana não é uma questão de recursos, mas de vontade coletiva. Soares convoca-nos a olhar para além dos números, para o rosto concreto do sofrimento.

Significado e Contexto

Esta citação de Mário Soares articula uma visão integrada da justiça social, ligando três dimensões fundamentais: a igualdade na educação como base para a mobilidade social, a igualdade entre pessoas e entre regiões (Estados da União, numa referência à União Europeia) como princípio de coesão, e a defesa intransigente do Estado Social como rede de proteção para os mais vulneráveis. A frase desafia a narrativa da inevitabilidade dos cortes sociais, argumentando que a escassez de recursos é frequentemente uma escolha política, não uma fatalidade económica, e que a solidariedade deve prevalecer sobre o cálculo financeiro. O tom é de indignação moral perante o sofrimento concreto ('pessoas que passam mal, andam na rua e têm fome'), mas também de esperança ativa, sugerindo que a solução está na ação política corajosa ('vai-se buscar onde existe'). Soares posiciona o Estado Social não como um custo, mas como uma conquista civilizacional pós-25 de Abril, um pilar da democracia portuguesa que deve ser preservado e reforçado, especialmente em tempos de crise.

Origem Histórica

Mário Soares (1924-2017) foi uma figura central da história portuguesa do século XX: fundador do Partido Socialista, resistente à ditadura do Estado Novo, exilado político, e após a Revolução dos Cravos (25 de Abril de 1974), primeiro-ministro (1976-78, 1983-85) e Presidente da República (1986-96). Esta citação reflete o seu ideário social-democrata e a sua defesa intransigente do Estado Social, construído após a revolução. Provavelmente proferida no contexto das crises económicas e dos debates sobre austeridade que marcaram Portugal nas décadas de 2010, ela sintetiza a sua crítica às políticas que ameaçavam desmontar as conquistas sociais da democracia.

Relevância Atual

A citação mantém uma relevância aguda no Portugal e na Europa contemporâneos. Num contexto de aumento das desigualdades, desafios no financiamento dos sistemas públicos de saúde e educação, e debates sobre o futuro do modelo social europeu, as palavras de Soares funcionam como um alerta. Elas questionam a retórica da 'inevitabilidade' dos cortes sociais e lembram que a coesão social e a proteção dos mais frágeis são valores fundamentais de qualquer sociedade democrática. A referência à fome e à pobreza ressoa com as crises recentes (pandemia, inflação), tornando-a um apelo atual à responsabilidade coletiva.

Fonte Original: Provavelmente de um discurso público, entrevista ou intervenção mediática de Mário Soares nas décadas de 2000 ou 2010, período em que criticava frequentemente as políticas de austeridade. A citação circula em meios políticos e nas redes sociais como síntese do seu pensamento social.

Citação Original: Tem de haver mais igualdade na educação, mais igualdade entre as pessoas - e entre os Estados da União - mais respeito por quem trabalha e pelas pessoas que passam mal, andam na rua e têm fome, como está a acontecer. O Estado Social foi um esforço que se fez depois do 25 de Abril e durante as crises anteriores e posteriores. Agora querem acabar com ele porque dizem que não há dinheiro? Mas dinheiro há sempre. Faz-se e se for preciso vai-se buscar onde existe...

Exemplos de Uso

  • Num debate sobre orçamentos públicos, para defender o aumento do investimento em educação e apoios sociais.
  • Em artigos de opinião que criticam políticas de austeridade e defendem a justiça fiscal.
  • Em campanhas de organizações não-governamentais que lutam contra a pobreza e a exclusão social.

Variações e Sinônimos

  • "A justiça social é a base da paz social."
  • "Não há liberdade sem igualdade."
  • "O Estado tem o dever de proteger os mais vulneráveis."
  • "Austeridade para uns, prosperidade para outros não é solução."

Curiosidades

Mário Soares foi preso mais de uma dezena de vezes pela PIDE, a polícia política do Estado Novo, e esteve exilado em São Tomé e Príncipe e em França, antes de se tornar um dos principais arquitetos da democracia portuguesa.

Perguntas Frequentes

O que Mário Soares quis dizer com 'vai-se buscar onde existe'?
Soares referia-se à necessidade de uma política fiscal mais justa e progressiva, onde os recursos para financiar o Estado Social provêm de quem tem mais capacidade contributiva, combatendo a evasão fiscal e promovendo a justiça redistributiva.
Por que é que Soares liga a educação à igualdade?
Para Soares, a educação pública e de qualidade é o principal motor da igualdade de oportunidades. Sem acesso equitativo à educação, as desigualdades sociais reproduzem-se de geração em geração, minando a coesão e a mobilidade social.
Esta citação é contra a União Europeia?
Não. A referência a 'Estados da União' é uma crítica às assimetrias económicas e sociais dentro da União Europeia, defendendo maior solidariedade e coesão entre os países membros, não uma rejeição do projeto europeu.
Quando foi proferida esta citação?
Embora a data exata seja difícil de precisar, o conteúdo sugere que foi dita após a crise financeira de 2008, durante os debates sobre as políticas de austeridade em Portugal, provavelmente entre 2010 e 2015.

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