Frases de Ronald Wright - Se a civilização quer sobrev...

Se a civilização quer sobreviver, deve viver do interesse da natureza, e não do capital.
Ronald Wright
Significado e Contexto
A citação de Ronald Wright apresenta uma crítica fundamental ao modelo económico predominante, argumentando que a civilização humana está a esgotar os recursos naturais a um ritmo insustentável. Ao usar a metáfora financeira do 'interesse' versus o 'capital', Wright sugere que devemos aprender a viver apenas dos rendimentos renováveis da natureza (como a energia solar, a regeneração das florestas ou a fertilidade do solo), em vez de consumir o 'capital' natural não renovável (como os combustíveis fósseis ou os minerais). Esta visão implica uma redefinição radical do progresso, onde o bem-estar ecológico se torna prioritário face ao crescimento económico infinito. Num sentido mais amplo, a frase questiona os próprios fundamentos da civilização industrial moderna, que frequentemente trata a natureza como um recurso a explorar para benefício económico imediato. Wright propõe que a única forma de assegurar a sobrevivência a longo prazo é adoptar um modelo de desenvolvimento que respeite os limites ecológicos do planeta. Isto requer não apenas mudanças tecnológicas, mas também uma transformação cultural e ética, onde o valor intrínseco da natureza seja reconhecido e protegido.
Fonte Original: Livro 'A Short History of Progress' (2004), baseado nas Palestras Massey de 2004 da CBC Radio.
Exemplos de Uso
- Um governo implementa políticas de energia 100% renovável, vivendo do 'interesse' solar e eólico em vez do 'capital' dos combustíveis fósseis.
- Uma comunidade adopta agricultura regenerativa, mantendo a fertilidade do solo (o interesse) sem o esgotar (o capital).
- Uma empresa de moda adopta um modelo circular, onde os materiais são reutilizados infinitamente, mimeticando os ciclos naturais.
Curiosidades
As Palestras Massey, onde Ronald Wright apresentou pela primeira vez estas ideias, são uma prestigiada série de palestras canadenses sobre assuntos públicos, iniciadas em 1961 em memória do político Vincent Massey. Wright foi o primeiro autor de não-ficção a ser escolhido para estas palestras em mais de uma década.