Frases de Clarice Lispector - É só quando esquecemos todos...

É só quando esquecemos todos os nossos conhecimentos é que começamos a saber.
Clarice Lispector
Significado e Contexto
A citação de Clarice Lispector propõe uma visão paradoxal do conhecimento: o verdadeiro saber não se acumula, mas emerge quando nos desprendemos dos saberes prévios, muitas vezes rígidos e condicionantes. Isto não significa rejeitar a aprendizagem, mas sim abrir espaço para uma compreensão mais autêntica e intuitiva, livre dos filtros culturais, académicos ou pessoais que limitam a perceção da realidade. Num contexto educativo, esta ideia desafia métodos de ensino baseados apenas na transmissão de informação, defendendo uma abordagem que valorize a dúvida, a experiência direta e a redescoberta pessoal dos conceitos. A frase reflete uma tradição filosófica que vai de Sócrates ("Só sei que nada sei") a pensadores contemporâneos, enfatizando que o conhecimento formal pode, por vezes, bloquear a sabedoria mais profunda. Lispector, com o seu estilo introspetivo, convida-nos a um estado de "desaprendizagem" criativa, onde a mente, esvaziada de certezas, se torna receptiva a insights genuínos. É um processo de desconstrução que precede a construção de um saber mais íntimo e transformador.
Origem Histórica
Clarice Lispector (1920-1977) foi uma escritora brasileira de origem ucraniana, considerada uma das vozes mais importantes da literatura do século XX. A sua obra, marcada por um profundo mergulho na subjectividade e na condição humana, surgiu num contexto de modernismo literário e de questionamento das estruturas tradicionais da narrativa. Embora a citação específica possa ser encontrada em várias das suas obras ou entrevistas, reflete o tema recorrente da busca da essência para além das aparências e convenções, típico do seu período de maturidade literária, a partir dos anos 1960.
Relevância Atual
Num mundo sobrecarregado de informação e opiniões pré-formadas, esta frase mantém uma relevância crucial. Ajuda a combater a arrogância intelectual e a polarização, promovendo a humildade e a abertura a novas perspetivas. Na educação, inspira metodologias que privilegiam o pensamento crítico sobre a memorização. No desenvolvimento pessoal, é um antídoto contra a rigidez mental, incentivando a adaptação e a aprendizagem contínua. Também ressoa em discussões sobre inteligência artificial e ética, questionando o que significa verdadeiramente "saber" numa era digital.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Clarice Lispector, aparecendo em coletâneas de suas frases e aforismos. Pode estar associada à sua obra "A Hora da Estrela" (1977) ou a textos e entrevistas onde explorava temas de identidade e conhecimento, embora não haja uma referência bibliográfica única e canónica.
Citação Original: É só quando esquecemos todos os nossos conhecimentos é que começamos a saber.
Exemplos de Uso
- Num workshop de criatividade, o facilitador pede aos participantes para 'esquecerem' as regras convencionais de design para encontrarem soluções inovadoras.
- Um terapeuta pode usar esta ideia para ajudar um cliente a libertar-se de crenças limitantes e redescobrir sua verdadeira identidade.
- Num debate científico, um pesquisador defende que desconstruir teorias estabelecidas é essencial para avanços revolucionários.
Variações e Sinônimos
- "Só sei que nada sei" (Sócrates)
- "A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original" (Albert Einstein)
- "Desaprender para reaprender" (provérbio adaptado)
- "O verdadeiro conhecimento está em saber que não sabes" (inspirado em Lao Tsé)
Curiosidades
Clarice Lispector começou a escrever o seu primeiro romance, "Perto do Coração Selvagem", aos 19 anos, enquanto estudava Direito, demonstrando desde cedo uma busca introspetiva que ecoa nesta citação sobre o saber.


