Frases de Manoel de Oliveira - Hoje, depois de muitas década

Frases de Manoel de Oliveira - Hoje, depois de muitas década...


Frases de Manoel de Oliveira


Hoje, depois de muitas décadas, já percebo que a minha vocação nesta vida é dirigir filmes. E os meus filmes falam sobre valores que vão além do dinheiro. O meu filme busca saber se existe alma. O tempo... o tempo eu sei que existe. E talvez eu filme como filmo para contemplar o tempo.

Manoel de Oliveira

Esta citação revela uma jornada de autodescoberta artística, onde o cinema transcende o entretenimento para se tornar uma busca metafísica pelo tempo e pela essência humana. Oliveira transforma a câmara num instrumento filosófico que questiona a própria natureza da existência.

Significado e Contexto

Esta citação encapsula a maturidade artística de Manoel de Oliveira, reconhecendo o cinema como sua vocação definitiva após décadas de exploração. O realizador distingue claramente o seu cinema do entretenimento comercial, afirmando que os seus filmes abordam 'valores que vão além do dinheiro' - uma declaração programática sobre a natureza da sua arte. A referência à alma como objeto de investigação cinematográfica revela uma abordagem metafísica ao meio, enquanto a afirmação 'o tempo eu sei que existe' estabelece o tempo como a única certeza numa busca existencial. Finalmente, Oliveira sugere que a sua forma de filmar é, em si mesma, um ato de contemplação temporal, fundindo técnica com filosofia. A citação opera em três níveis: autobiográfico (confirmação da vocação), ético (rejeição de valores mercantis) e ontológico (investigação da alma e do tempo). A estrutura paralela 'o meu filme busca saber se existe alma. O tempo... o tempo eu sei que existe' cria um contraste entre dúvida filosófica e certeza fenomenológica. A frase final revela que a prática cinematográfica de Oliveira não é apenas meio para um fim, mas um ritual contemplativo onde o ato de filmar se torna uma forma de conhecimento.

Origem Histórica

Manoel de Oliveira (1908-2015) proferiu esta reflexão na última fase da sua carreira, quando já era reconhecido como um dos maiores cineastas portugueses e figura central do cinema europeu. A citação surge num contexto de reconhecimento tardio - Oliveira só alcançou projeção internacional após os 60 anos, tendo realizado filmes até aos 106 anos. Esta afirmação reflete a sabedoria acumulada de um artista que sobreviveu a ditaduras, transformações tecnológicas e mudanças estéticas, mantendo-se fiel a uma visão pessoal do cinema como arte filosófica.

Relevância Atual

Num contexto contemporâneo dominado pelo cinema comercial e conteúdos digitais efémeros, esta citação mantém uma relevância crucial. Questiona a mercantilização da arte e oferece um antídoto à cultura do instantâneo, propondo um cinema que exige contemplação. Num mundo acelerado, a insistência de Oliveira em 'contemplar o tempo' através do cinema ressoa com movimentos slow art e com a procura contemporânea por significado autêntico. A investigação sobre a 'alma' antecipa debates atuais sobre inteligência artificial e consciência, mantendo a citação filosoficamente pertinente.

Fonte Original: Declaração em entrevista ou discurso público (final do século XX/início do XXI). A citação é frequentemente citada em análises da obra de Oliveira e em antologias sobre cinema português.

Citação Original: Hoje, depois de muitas décadas, já percebo que a minha vocação nesta vida é dirigir filmes. E os meus filmes falam sobre valores que vão além do dinheiro. O meu filme busca saber se existe alma. O tempo... o tempo eu sei que existe. E talvez eu filme como filmo para contemplar o tempo.

Exemplos de Uso

  • Num debate sobre cinema autoral, um crítico pode citar Oliveira para defender filmes que privilegiam a profundidade filosófica sobre o sucesso comercial.
  • Num curso de filosofia do cinema, esta citação serve para introduzir o conceito de 'cinema contemplativo' como prática meditativa.
  • Num artigo sobre envelhecimento criativo, a referência às 'muitas décadas' ilustra como a maturidade pode trazer clareza vocacional.

Variações e Sinônimos

  • 'O cinema é a escrita da alma com luz e tempo'
  • 'Filmamos não o que vemos, mas o que o tempo nos revela'
  • 'A verdadeira vocação artística transcende o sucesso material'
  • 'Contemplar o tempo: a última fronteira do cinema'

Curiosidades

Manoel de Oliveira é o único cineasta na história que realizou filmes em nove décadas diferentes (desde os anos 1930 até à década de 2010), tornando literal a sua 'contemplação do tempo' através do cinema.

Perguntas Frequentes

Que idade tinha Manoel de Oliveira quando fez esta declaração?
Provavelmente tinha mais de 80 anos, já que refere 'depois de muitas décadas', refletindo a perspetiva de um artista na fase final de uma carreira excecionalmente longa.
Como é que Oliveira 'contempla o tempo' nos seus filmes?
Através de planos longos, narrativas não-lineares, repetições temáticas ao longo da carreira e uma atenção obsessiva à passagem do tempo, tanto na diegese como na própria materialidade do cinema.
Esta citação representa toda a obra de Oliveira?
Sim, funciona como uma declaração de princípios que sintetiza os temas centrais da sua filmografia: a investigação metafísica, a resistência ao comercialismo e a relação essencial entre cinema e temporalidade.
Por que é importante a referência à alma no contexto cinematográfico?
Porque eleva o cinema de mero entretenimento para uma forma de investigação filosófica, questionando através da imagem em movimento aquilo que tradicionalmente pertencia à religião ou filosofia.

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