Frases de Mia Couto - Muitas vezes, o chamado progre

Frases de Mia Couto - Muitas vezes, o chamado progre...


Frases de Mia Couto


Muitas vezes, o chamado progresso pode ser uma violência. Pode agir como uma agressão silenciosa contra sociedades inteiras e, sobretudo, contra os mais pobres dessa sociedade.

Mia Couto

A frase revela a contradição entre a ideia linear de 'progresso' e os custos humanos que muitas vezes oculta; sugere que avanços técnicos ou económicos podem transformar-se em formas sutis de violência. É um alerta poético e ético sobre quem paga o preço do desenvolvimento.

Significado e Contexto

Mia Couto denuncia uma forma de progresso que, sob a aparência de modernização ou desenvolvimento, impõe perdas materiais e simbólicas a comunidades inteiras, sobretudo às mais vulneráveis. A frase chama a atenção para efeitos colaterais invisíveis do desenvolvimento — deslocamento, perda de modos de vida, erosão cultural — que funcionam como uma agressão silenciosa. Essa reflexão convida a repensar métricas de sucesso: em vez de medir apenas crescimento económico ou infraestruturas, propõe incluir a integridade social, a justiça distributiva e o respeito pelos saberes locais. É uma crítica ética ao modelo de 'avanço' que não escuta nem protege os marginalizados.

Origem Histórica

Mia Couto (n. 1955) é um escritor moçambicano cuja obra emerge no contexto pós-colonial de Moçambique, marcado por independência (1975), guerra civil e processos de reconstrução. Formado em biologia, Couto combina ficção e ensaio para explorar os efeitos do colonialismo, das políticas de desenvolvimento e das transformações sociais no espaço africano lusófono.

Relevância Atual

A frase permanece atual face a deslocações provocadas por grandes infraestruturas (barragens, minas, estradas), políticas urbanísticas que expulsam populações e modelos de desenvolvimento que priorizam rendimento económico em detrimento de bem-estar comunitário. Também se aplica às novas formas de exclusão geradas por tecnologia, alterações climáticas e globalização.

Fonte Original: Não foi identificada uma fonte primária precisa; a formulação circula em entrevistas e textos de reflexão de Mia Couto e é compatível com os temas recorrentes na sua obra. Recomenda-se citar a obra ou entrevista específica caso exista confirmação bibliográfica.

Citação Original: Muitas vezes, o chamado progresso pode ser uma violência. Pode agir como uma agressão silenciosa contra sociedades inteiras e, sobretudo, contra os mais pobres dessa sociedade.

Exemplos de Uso

  • Analisar impactos de um projecto de barragem que desloca comunidades ribeirinhas e destrói formas tradicionais de subsistência.
  • Debater políticas urbanísticas que promovem reabilitação de centros históricos ao custo da expulsão de moradores de baixos rendimentos.
  • Avaliar programas de desenvolvimento económico que introduzem monoculturas ou mineração sem compensação social e ambiental adequada.

Variações e Sinônimos

  • O desenvolvimento que destrói é um falso progresso.
  • Nem todo avanço é benefício — pode ser violência.
  • Progresso imposto é retrocesso para os vulneráveis.
  • O crescimento que exclui é uma forma de agressão silenciosa.

Curiosidades

Mia Couto, cujo nome de baptismo é António Emílio Leite Couto, trabalhou como biólogo antes de se dedicar à escrita; essa formação científica e o contacto com comunidades rurais influenciam a sua atenção às intersecções entre natureza, cultura e poder. Em 2013 recebeu o Prémio Camões, o mais importante da literatura em língua portuguesa.

Perguntas Frequentes

O que significa dizer que o progresso pode ser violência?
Significa que mudanças económicas e tecnológicas, quando impostas sem justiça social, podem causar perdas materiais e culturais, deslocamento e aumento da vulnerabilidade.
A frase é uma crítica ao desenvolvimento em geral?
É uma crítica aos modelos de desenvolvimento que não consideram os impactos sociais e ambientais, não ao conceito de melhoria em si, mas às suas formas predatórias.
Como usar esta citação em contexto educativo?
Como ponto de partida para debates sobre ética do desenvolvimento, estudos de caso sobre infraestruturas e oficinas sobre políticas inclusivas e justiça ambiental.
Onde encontrar mais textos de Mia Couto sobre estes temas?
Em romances, contos e ensaios do autor e em entrevistas; obras como 'Terra Sonâmbula' e textos ensaísticos abordam a memória, o poder e os efeitos do colonialismo e do desenvolvimento.

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