Frases de Miguel Esteves Cardoso - É incrível que ainda haja qu

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Frases de Miguel Esteves Cardoso


É incrível que ainda haja quem finja que são os programas e as ideias que decidem os votos. As pessoas votam em pessoas e em partidos e, se e quando coincidem os dois impulsos, maior e mais fácil é a festa.

Miguel Esteves Cardoso

Esta citação desvenda o coração da política, revelando que por trás das ideias, são as conexões humanas e as identidades partidárias que verdadeiramente movem as escolhas eleitorais. É um lembrete de que a democracia é, em última análise, um encontro entre pessoas.

Significado e Contexto

A citação de Miguel Esteves Cardoso oferece uma perspetiva crítica e realista sobre o comportamento eleitoral. O autor argumenta que a decisão de voto raramente é um ato puramente racional baseado na análise fria de programas políticos ou ideias abstratas. Em vez disso, sugere que os eleitores são fundamentalmente influenciados por fatores pessoais e identitários: votam em figuras com quem se identificam (o 'impulso' pela pessoa) e em partidos que representam a sua tribo política ou visão do mundo (o 'impulso' pelo partido). A 'festa' a que se refere simboliza o sucesso eleitoral, que é amplificado quando um candidato carismático representa um partido com uma base de apoio sólida, criando uma poderosa sinergia emocional e identitária.

Origem Histórica

Miguel Esteves Cardoso é um dos mais importantes cronistas e humoristas portugueses da segunda metade do século XX e início do XXI. A sua obra, marcada por uma aguda observação da sociedade portuguesa e por um humor inteligente, frequentemente aborda temas políticos e sociais. Esta citação reflete a sua visão desmistificadora e por vezes cética sobre os mecanismos da vida pública, enquadrando-se na tradição da crónica de costumes que analisa o 'país real' por oposição ao 'país legal'. Não está identificada numa obra específica, sendo provavelmente extraída de uma das suas muitas crónicas publicadas em jornais como o 'Público' ou em coletâneas.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância acentuada no panorama político contemporâneo, marcado pela personalização da política, pela ascensão de líderes carismáticos e pela forte polarização partidária. Fenómenos como o 'voto útil', a importância das redes sociais na construção da imagem dos candidatos, e a lealdade tribal a partidos (muitas vezes acima da análise programática) confirmam a intuição de Cardoso. A citação serve como um antídoto contra análises excessivamente técnicas das campanhas, lembrando-nos que a emoção, a identidade e a confiança pessoal continuam a ser motores decisivos nas urnas.

Fonte Original: Provavelmente de uma crónica publicada em jornal (ex: Público) ou numa coletânea de crónicas. Não está identificada num livro específico.

Citação Original: É incrível que ainda haja quem finja que são os programas e as ideias que decidem os votos. As pessoas votam em pessoas e em partidos e, se e quando coincidem os dois impulsos, maior e mais fácil é a festa.

Exemplos de Uso

  • A análise do resultado eleitoral confirmou a tese de Cardoso: o candidato venceu não pelo seu programa detalhado, mas pelo carisma pessoal aliado à máquina partidária.
  • Em debates políticos, esta citação é usada para criticar campanhas excessivamente focadas em promessas técnicas, negligenciando a construção de uma ligação emocional com os eleitores.
  • Sociólogos citam esta frase para explicar fenómenos como o voto em 'outsiders' ou a resistência de eleitores a mudar de partido, mesmo perante mudanças programáticas.

Variações e Sinônimos

  • "As pessoas votam com o coração, não com a calculadora."
  • "Na política, a emoção vence sempre a razão." (adaptação de um conceito comum)
  • "Um bom candidato com um partido fraco perde; um partido forte com um candidato fraco arrisca-se a perder."
  • "O voto é um ato de identidade, não de aritmética."

Curiosidades

Miguel Esteves Cardoso é também conhecido pelo pseudónimo 'MEC' e por ter sido um dos introdutores e grandes divulgadores da cultura pop e do rock em Portugal através dos seus escritos, mostrando como a sua aguda perceção social se estendia para além da política.

Perguntas Frequentes

O que significa 'os dois impulsos' na citação?
Referem-se aos dois motores principais do voto: o impulso emocional/pessoal de votar num candidato específico (pela sua personalidade, carisma ou história) e o impulso identitário/de grupo de votar num partido político (pelos seus valores, história ou tribo a que se pertence).
Esta citação desvaloriza os programas eleitorais?
Não os desvaloriza totalmente, mas coloca-os num plano secundário na decisão final do eleitor comum. Sugere que os programas são frequentemente um pretexto racionalizado para escolhas baseadas em fatores mais pessoais e identitários.
Por que é que a 'festa' é maior quando os impulsos coincidem?
Porque representa a vitória eleitoral mais convincente e ampla. Quando um candidato carismático (que atrai votos pessoais) representa um partido com uma base sólida e mobilizada (que atrai votos partidários), a soma é maior do que as partes, resultando numa 'festa' ou vitória mais expressiva.
Esta visão é cínica ou realista?
Depende da perspetiva. Pode ser vista como cínica por sugerir que os eleitores não são totalmente racionais. No entanto, é considerada realista por muitos cientistas políticos e sociólogos, pois reflete estudos sobre o comportamento eleitoral, que destacam o papel das emoções, identidades e heurísticas (atalhos mentais) na decisão de voto.

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