Frases de José Saramago - O que chamamos de «poder pol�...

O que chamamos de «poder polÃtico» converteu-se em mero «comissário polÃtico» do poder económico.
José Saramago
Significado e Contexto
Esta citação de José Saramago sintetiza uma crÃtica feroz à relação entre polÃtica e economia nas sociedades contemporâneas. O autor argumenta que o 'poder polÃtico', teoricamente emanado da vontade popular e destinado a governar para o bem comum, degenerou num mero 'comissário polÃtico' – um termo que evoca figuras subalternas, executores de ordens alheias. Nesta metáfora, o 'poder económico' (grandes corporações, mercados financeiros, elites económicas) assume o papel de patrão, ditando a agenda e as prioridades, enquanto os polÃticos eleitos limitam-se a gerir e implementar esses desÃgnios, muitas vezes em detrimento dos interesses da maioria dos cidadãos. É uma denúncia da perda de autonomia e soberania da esfera polÃtica face à pressão avassaladora dos interesses financeiros.
Origem Histórica
José Saramago (1922-2010), Prémio Nobel de Literatura de 1998, desenvolveu ao longo da sua obra uma profunda reflexão crÃtica sobre o poder, a sociedade e a condição humana, marcada pelo seu pensamento humanista e cético em relação à s estruturas de poder estabelecidas. Esta visão foi moldada pelo seu percurso pessoal sob a ditadura do Estado Novo em Portugal e pela sua posterior desilusão com certas dinâmicas das democracias liberais e do capitalismo globalizado do final do século XX e inÃcio do XXI. A citação reflete um tema recorrente nos seus ensaios e intervenções públicas, onde frequentemente alertava para os perigos da concentração de riqueza e da corrosão da democracia pelos interesses económicos.
Relevância Atual
A frase mantém uma relevância aguda no século XXI, onde fenómenos como o lobbying intensivo, a influência desproporcionada de grandes empresas na legislação (por exemplo, em sectores como o farmacêutico, energético ou tecnológico), a financeirização da economia e as crises económicas frequentemente resolvidas com sacrifÃcios sociais ilustram a dinâmica criticada. A perceção de que os governos salvam bancos 'demasiado grandes para falir' enquanto impõem austeridade aos cidadãos, ou que acordos comerciais internacionais são moldados por interesses corporativos, ecoa diretamente a ideia de Saramago. A discussão sobre a desigualdade, o papel do Estado e a captura regulatória mantém esta crÃtica no centro do debate polÃtico atual.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuÃda a intervenções públicas, discursos ou ensaios de José Saramago, sendo um pensamento que sintetiza uma linha de argumentação presente em muitas das suas reflexões sobre polÃtica e sociedade. Pode ser encontrada em coletâneas de suas crónicas ou em registos de palestras.
Citação Original: A citação já está em português (PT-PT).
Exemplos de Uso
- Os recentes escândalos de corrupção envolvendo grandes empresas e partidos polÃticos parecem confirmar a visão de Saramago de que o poder polÃtico age como comissário do poder económico.
- A legislação ambiental branda para certas indústrias é um exemplo atual de como o poder polÃtico pode funcionar como 'comissário' dos interesses económicos, em detrimento do planeta.
- Durante a crise financeira de 2008, muitos criticaram os resgates aos bancos como a atuação clara do Estado como 'comissário polÃtico' do sector financeiro.
Variações e Sinônimos
- A polÃtica é a sombra projetada pelos negócios sobre a sociedade. (adaptação de uma ideia similar)
- Quem tem o ouro, dita as regras. (provérbio popular)
- O Estado ao serviço do mercado.
- A subordinação da polÃtica à economia.
Curiosidades
José Saramago só publicou o seu primeiro romance de sucesso, 'Levantado do Chão', aos 58 anos, iniciando então uma prolÃfica carreira literária que o levaria ao Nobel. A sua escrita crÃtica e o seu ateÃsmo assumido geraram sempre controvérsia, inclusive em Portugal.


