Frases de Mário Soares - Os economicistas perceberam qu

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Frases de Mário Soares


Os economicistas perceberam que precisam da comunicação social e servem-se dela para não mudar as coisas. A comunicação social tem muita responsabilidade na desagregação a que se tem assistido na União Europeia. Por exemplo, fala-se em reformas mas o que se vê são contra-reformas.

Mário Soares

Uma crítica mordaz ao poder mediático como instrumento de estagnação, onde as palavras de reforma escondem ações de retrocesso. Soares expõe o jogo perverso entre economia e comunicação, que fragmenta em vez de unir.

Significado e Contexto

Mário Soares critica a relação simbiótica entre economistas e comunicação social, argumentando que os primeiros utilizam os meios de comunicação para manter o status quo e evitar mudanças substantivas. A citação sugere que os media, em vez de promover o debate democrático e a transformação, servem como instrumento para perpetuar sistemas de poder, contribuindo para a desagregação política e social na União Europeia. Soares distingue entre 'reformas' retóricas e 'contra-reformas' práticas, acusando os agentes económicos e mediáticos de promoverem mudanças superficiais que, na realidade, revertem conquistas sociais. A frase reflete uma visão pessimista sobre o papel dos media na democracia contemporânea, onde estes são cooptados por interesses económicos para manipular a opinião pública. Soares alerta para o perigo de uma comunicação social que, em vez de fiscalizar o poder, se torna seu aliado, facilitando processos de desintegração como os observados na UE durante crises económicas e políticas. Esta análise conecta-se com teorias críticas da comunicação que questionam a neutralidade dos media.

Origem Histórica

Mário Soares (1924-2017) foi uma figura central na história portuguesa do século XX, como fundador do Partido Socialista, primeiro-ministro e presidente da República. A citação provavelmente data do final da sua carreira, quando se tornou um crítico vocal das políticas de austeridade e da integração europeia, especialmente após a crise financeira de 2008. Soares viveu a transição de Portugal da ditadura para a democracia e a integração na UE, desenvolvendo uma perspetiva cética sobre o projeto europeu nas suas fases mais recentes. O contexto inclui as crises da dívida soberana na Europa, que exacerbou divisões entre países do norte e sul, e o crescente papel dos media na formação da opinião pública sobre estas questões.

Relevância Atual

Esta frase mantém relevância devido à contínua crise de legitimidade da União Europeia, ao aumento da desinformação mediática e ao papel dos media na polarização política. Exemplos atuais incluem a cobertura de reformas laborais ou ambientais que são apresentadas como progressistas, mas que críticos consideram regressivas, e o uso de plataformas digitais para manipular eleições ou referendos, como no Brexit. A crítica de Soares ressoa em debates sobre 'fake news', concentração da propriedade dos media e a influência de lobbies económicos no jornalismo.

Fonte Original: Provavelmente de um discurso ou entrevista de Mário Soares no final da sua vida, possivelmente relacionado com a crise do euro ou questões europeias. Não há uma obra específica identificada, mas alinha-se com as suas posições públicas críticas da UE pós-2008.

Citação Original: Os economicistas perceberam que precisam da comunicação social e servem-se dela para não mudar as coisas. A comunicação social tem muita responsabilidade na desagregação a que se tem assistido na União Europeia. Por exemplo, fala-se em reformas mas o que se vê são contra-reformas.

Exemplos de Uso

  • Na cobertura de reformas fiscais, os media frequentemente destacam benefícios para o crescimento, omitindo impactos na desigualdade, exemplificando as 'contra-reformas' de Soares.
  • Durante a crise migratória europeia, alguns órgãos de comunicação amplificaram narrativas divisórias, contribuindo para a desagregação mencionada por Soares.
  • Em debates sobre alterações climáticas, economistas e media por vezes promovem soluções tecnocráticas que adiam ações radicais, refletindo a crítica de estagnação.

Variações e Sinônimos

  • A comunicação social como cúmplice do poder económico
  • Reformas que são retrocessos disfarçados
  • Os media na engrenagem da desintegração europeia
  • O discurso da mudança que tudo deixa na mesma

Curiosidades

Mário Soares, apesar de ter sido um dos principais arquitetos da adesão de Portugal à UE em 1986, tornou-se num dos seus críticos mais ferrenhos nas décadas seguintes, chamando-lhe 'uma federação de bancos'.

Perguntas Frequentes

O que Mário Soares quis dizer com 'contra-reformas'?
Soares referia-se a medidas apresentadas como reformas progressivas que, na prática, revertem direitos sociais ou económicos, como cortes em serviços públicos disfarçados de modernização.
Por que é que Soares criticava a comunicação social?
Ele acreditava que os media, ao servirem interesses económicos, impediam mudanças reais e fomentavam divisões, especialmente no contexto europeu.
Esta citação aplica-se apenas à União Europeia?
Não, o princípio é universal: a crítica à aliança entre poder económico e mediático para manter o status quo é relevante em muitos contextos democráticos.
Que alternativas Soares propunha?
Embora não detalhadas nesta citação, as suas posições públicas sugeriam uma comunicação social mais independente e um projeto europeu mais social e menos financeiro.

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