Frases de Sophia de Mello Breyner Andresen - É verdade que a política da

Frases de Sophia de Mello Breyner Andresen - É verdade que a política da ...


Frases de Sophia de Mello Breyner Andresen


É verdade que a política da nossa época é de tal maneira contraditória, de tal maneira cheia de fraudes, de oportunismos, de confusões que, neste momento, não se vê resposta clara. Tem que se procurar um caminho... e esse caminho passa ainda necessariamente pela política. Mas eu direi que fundamentalmente o que está na base da minha opção política é o não aceitar o escândalo. É o não aceitar que haja pessoas inteiramente sacrificadas. O considerar que não é possível passar por cima do cadáver dos outros ou por cima de vidas diminuídas e desumanizadas.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Esta citação de Sophia de Mello Breyner Andresen revela uma profunda ética humanista, onde a política não é abandonada mas sim reclamada como caminho necessário para recusar a desumanização. A voz poética insiste que não podemos normalizar o sacrifício alheio.

Significado e Contexto

A citação exprime uma visão crítica mas esperançosa da política. Sophia reconhece a sua contemporaneidade como marcada por contradições, fraudes e oportunismos que geram confusão e obscurecem respostas claras. No entanto, rejeita o cinismo ou a fuga; afirma que o caminho para a mudança "passa ainda necessariamente pela política". O cerne da sua opção é uma base ética intransigente: "o não aceitar o escândalo" e "o não aceitar que haja pessoas inteiramente sacrificadas". Isto traduz um imperativo moral de não compactuar com a violência estrutural ou a anulação da dignidade humana, seja ela física ("cadáver") ou existencial ("vidas diminuídas e desumanizadas"). A frase funde a lucidez crítica com um compromisso construtivo. A política, mesmo falível, é o terreno onde se deve travar a luta contra a desumanização. A "opção política" de Sophia não é partidária num sentido restrito, mas uma posição fundamental de quem se recusa a normalizar a injustiça. A imagem forte de "passar por cima do cadáver dos outros" condensa a rejeição de qualquer progresso ou ordem social construídos sobre a anulação do outro.

Origem Histórica

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) foi uma das maiores poetas portuguesas do século XX, com uma obra marcada pelo humanismo, a justiça e a liberdade. Viveu sob a ditadura do Estado Novo (1933-1974), regime que reprimia liberdades e perpetuava desigualdades sociais. A sua poesia e intervenção cívica foram formas de resistência. Esta citação, provavelmente de uma entrevista ou texto de intervenção dos anos 70 ou pós-25 de Abril, reflete o contexto de busca por uma democracia substantiva após décadas de autoritarismo, mas também a desilusão com os caminhos tortuosos da política partidária nas jovens instituições democráticas.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância aguda no século XXI. Num mundo de polarização, desinformação, crises migratórias, desigualdade crescente e discursos que desumanizam grupos vulneráveis, o apelo de Sophia soa como um antídoto. Relembra que a política não pode ser um jogo de poder desligado da ética, e que a medida de uma sociedade civilizada é a sua recusa em sacrificar vidas humanas, seja pela guerra, pela pobreza extrema, pela discriminação ou pela degradação ambiental. A sua mensagem inspira cidadãos e líderes a recentrarem a ação política na defesa intransigente da dignidade humana.

Fonte Original: Provavelmente de uma entrevista, artigo de opinião ou discurso de intervenção cívica de Sophia de Mello Breyner Andresen, datável dos anos 70 ou 80. Não está identificada num livro específico de poesia ou contos, sendo mais do domínio da sua prosa de intervenção e reflexão ética.

Citação Original: É verdade que a política da nossa época é de tal maneira contraditória, de tal maneira cheia de fraudes, de oportunismos, de confusões que, neste momento, não se vê resposta clara. Tem que se procurar um caminho... e esse caminho passa ainda necessariamente pela política. Mas eu direi que fundamentalmente o que está na base da minha opção política é o não aceitar o escândalo. É o não aceitar que haja pessoas inteiramente sacrificadas. O considerar que não é possível passar por cima do cadáver dos outros ou por cima de vidas diminuídas e desumanizadas.

Exemplos de Uso

  • Num debate sobre justiça social, um ativista pode citar Sophia para argumentar que políticas económicas não podem "passar por cima" dos mais pobres.
  • Um editorial sobre crise de refugiados pode usar a frase para criticar soluções que desumanizam e "sacrificam" pessoas em nome da segurança.
  • Num discurso de posse, um político pode invocar "não aceitar o escândalo" como princípio orientador do seu mandato, prometendo priorizar a dignidade humana.

Variações e Sinônimos

  • "Não passar por cima dos outros" (variante popular).
  • "A política deve ter rosto humano."
  • "Nenhuma causa justifica a desumanização do adversário."
  • "A ética como fundamento da ação política."
  • "Primado da dignidade humana sobre a razão de Estado."

Curiosidades

Sophia de Mello Breyner foi a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante prémio literário de língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1999. A sua neta, Maria Andresen, é também poeta, dando continuidade a uma linhagem literária familiar.

Perguntas Frequentes

O que significa 'não aceitar o escândalo' nesta citação?
Significa recusar-se a considerar normal, aceitável ou inevitável a existência de situações profundamente injustas, violentas ou desumanizadoras na sociedade. É uma posição de indignação ética permanente.
Por que Sophia insiste que o caminho 'passa pela política' se a critica?
Porque, apesar das suas falhas, a política é a esfera coletiva onde se decidem as regras da convivência e a distribuição de recursos. Abandoná-la seria deixar o campo livre para os piores abusos. Ela defende uma política regenerada pela ética.
Esta citação é de um poema de Sophia?
Não, é de um texto em prosa, provavelmente de intervenção cívica ou entrevista. A linguagem é direta e reflexiva, diferente do seu estilo poético, mas partilha os mesmos valores fundamentais da sua obra.
Como aplicar esta visão na política atual?
Priorizando políticas que protejam os mais vulneráveis, recusando retóricas desumanizadoras, exigindo transparência e responsabilidade dos líderes, e mantendo viva a indignação perante injustiças, mesmo quando complexas.

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