Frases de Mário Soares - Em Portugal toda a gente queri...

Em Portugal toda a gente queria acabar com a guerra. E acabou-se. Como agora toda a gente quer que o neo-liberalismo e os mercados a mandar nos Estados desapareçam. Porque a crise do euro não é só financeira e económica é também social, política, ética e ambiental. O neo-liberalismo, a ideologia que provocou a crise, contra as pessoas e em favor do dinheiro, está moribunda e não vai poder perdurar muito.
Mário Soares
Significado e Contexto
Mário Soares, nesta citação, estabelece um paralelo histórico entre o fim da guerra colonial portuguesa e a necessidade contemporânea de superar o neo-liberalismo. Ele argumenta que a crise do euro não é meramente um fenómeno financeiro, mas uma crise multidimensional que abrange as esferas social, política, ética e ambiental. Soares identifica o neo-liberalismo como a ideologia subjacente que, ao privilegiar o dinheiro e os mercados em detrimento das pessoas e dos Estados, gerou esta crise sistémica. A sua afirmação de que esta ideologia está 'moribunda' sugere uma convicção no seu declínio inevitável, impulsionado pela vontade popular e pelas contradições internas do próprio sistema.
Origem Histórica
Mário Soares (1924-2017) foi uma figura central na história portuguesa do século XX: fundador do Partido Socialista, primeiro-ministro e Presidente da República. A sua vida política foi marcada pela oposição ao Estado Novo, pela luta pela democracia e pela integração europeia de Portugal. Esta citação provavelmente data do período pós-2008, no contexto da Grande Recessão e da crise da dívida soberana na Zona Euro, que atingiu Portugal severamente a partir de 2011. Reflete a sua visão social-democrata crítica face aos excessos do capitalismo financeiro desregulado.
Relevância Atual
A citação mantém uma relevância pungente. A crise financeira de 2008 e a subsequente crise da dívida europeia expuseram falhas estruturais no modelo económico dominante. Discussões sobre desigualdade, o papel do Estado versus os mercados, justiça climática e a erosão da democracia por interesses económicos continuam no centro do debate público. A pandemia de COVID-19 e crises energéticas recentes reacenderam questões sobre a resiliência dos sistemas neoliberais, validando a análise multidimensional de Soares.
Fonte Original: Provavelmente de um discurso, entrevista ou artigo de opinião de Mário Soares no contexto da crise financeira global e da crise do euro (c. 2011-2015). Uma fonte precisa exige pesquisa arquivística em jornais ou registos dos seus discursos da época.
Citação Original: Em Portugal toda a gente queria acabar com a guerra. E acabou-se. Como agora toda a gente quer que o neo-liberalismo e os mercados a mandar nos Estados desapareçam. Porque a crise do euro não é só financeira e económica é também social, política, ética e ambiental. O neo-liberalismo, a ideologia que provocou a crise, contra as pessoas e em favor do dinheiro, está moribunda e não vai poder perdurar muito.
Exemplos de Uso
- Em debates sobre justiça fiscal, pode-se citar Soares para argumentar que a submissão dos Estados aos mercados precisa de ser revista.
- Ao discutir políticas ambientais, a frase ilustra como a crise ecológica está interligada com modelos económicos predatórios.
- Em análises sobre o aumento do populismo, a citação serve para explicar o descontentamento com as elites políticas e financeiras associadas ao neo-liberalismo.
Variações e Sinônimos
- "O mercado não é um fim em si mesmo, mas um meio ao serviço das pessoas." (inspirado em doutrina social)
- "A economia deve estar ao serviço da sociedade, e não o contrário."
- "O fim de uma era: do capitalismo desregulado à busca de um novo paradigma."
Curiosidades
Mário Soares foi um dos principais negociadores da independência das colónias portuguesas, pondo fim à 'guerra' a que alude na citação. A sua transição de opositor do regime a arquiteto da democracia e da integração europeia dá um peso singular à sua crítica posterior ao rumo da União Europeia.