Frases de Voltaire - A política tem a sua fonte na...

A política tem a sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano.
Voltaire
Significado e Contexto
A citação de Voltaire apresenta uma visão cética e crítica sobre a origem da atividade política. Ao afirmar que a política tem a sua fonte 'na perversidade e não na grandeza do espírito humano', o filósofo sugere que as estruturas e ações políticas não emergem de ideais elevados, virtude ou racionalidade pura, mas sim de impulsos menos nobres. Estes podem incluir a ambição desmedida, a sede de poder, a manipulação, o egoísmo ou a corrupção inerente à condição humana. É uma crítica à ideia de que a política é, por natureza, um campo para a realização do bem comum através da razão. Em vez disso, Voltaire aponta para as falhas e paixões humanas como o motor principal, desafiando visões mais otimistas ou idealizadas sobre a governação.
Origem Histórica
Voltaire (1694-1778) foi uma figura central do Iluminismo francês, um período marcado pela valorização da razão, da ciência e da crítica às instituições estabelecidas, como a monarquia absoluta e a Igreja. Viveu numa época de grandes desigualdades sociais, privilégios aristocráticos e abusos de poder. A sua obra é permeada por um ceticismo em relação à autoridade e uma defesa intransigente da liberdade de pensamento. Esta citação reflete o seu desencanto com os mecanismos políticos da sua época, que frequentemente serviam aos interesses de uma minoria em detrimento do povo, e a sua crença na necessidade de reformas baseadas na razão e na justiça.
Relevância Atual
A frase mantém uma relevância pungente nos dias de hoje, onde a desconfiança face aos políticos e às instituições é um sentimento comum. Em contextos de corrupção, populismo, manipulação mediática ou decisões políticas que parecem servir interesses particulares em vez do bem público, a visão de Voltaire ressoa como uma advertência. Lembra-nos da importância do escrutínio crítico, da transparência e da participação cívica para conter as tendências perversas que podem infiltrar-se no poder. É um convite a não idealizar os líderes ou os sistemas, mas a exigir ética e responsabilidade.
Fonte Original: A atribuição exata é incerta, sendo frequentemente citada em compilações de aforismos e pensamentos de Voltaire. Pode derivar da sua vasta correspondência, dos seus contos filosóficos (como 'Cândido') ou de escritos polémicos, onde criticava frequentemente a sociedade e os poderes instituídos. Não está identificada num livro ou obra específica de forma universalmente reconhecida.
Citação Original: La politique a sa source dans la perversité et non dans la grandeur de l'esprit humain.
Exemplos de Uso
- Num debate sobre corrupção, um comentarista pode citar Voltaire para argumentar que o problema não é pontual, mas radica numa tendência humana explorada no poder.
- Num artigo de opinião que critica a retórica vazia dos políticos, a frase serve para sublinhar a desconexão entre os discursos nobres e as motivações reais.
- Num contexto educativo sobre ética na política, a citação é usada como ponto de partida para discutir a necessidade de mecanismos de controlo e virtude cívica.
Variações e Sinônimos
- O poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente. (Lord Acton)
- A política é a arte de impedir que as pessoas se intrometam naquilo que lhes diz respeito. (Paul Valéry)
- Na política, o mal muitas vezes vem de homens que não pretendem fazer mal. (Edmund Burke)
- A política é a guerra sem derramamento de sangue; a guerra é a política com derramamento de sangue. (Mao Tsé-Tung)
Curiosidades
Voltaire era um mestre da ironia e do pseudónimo. Publicou muitas das suas obras mais críticas e polémicas anonimamente ou sob nomes falsos para evitar a censura e a perseguição, uma prática comum entre os filósofos iluministas.
Perguntas Frequentes
Voltaire era totalmente contra a política?
Esta citação aplica-se a todas as formas de governo?
Qual é a principal lição desta frase para os cidadãos atuais?
Esta visão é pessimista?
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Quem revela o segredo dos outros passa por traidor; quem revela o próprio segredo passa por imbecil.

