Frases de Tomás de Aquino - Uma boa intenção não justif

Frases de Tomás de Aquino - Uma boa intenção não justif...


Frases de Tomás de Aquino
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Uma boa intenção não justifica fazer algo mal.

Tomás de Aquino

Esta citação de Tomás de Aquino recorda-nos que a bondade das intenções não pode servir de desculpa para ações moralmente questionáveis. A ética exige que avaliemos tanto os meios como os fins.

Significado e Contexto

Esta afirmação de Tomás de Aquino estabelece um princípio fundamental da ética: a qualidade moral de uma ação não depende apenas da intenção do agente, mas também da natureza do ato em si. O pensador medieval argumenta que mesmo com as melhores intenções, realizar algo intrinsecamente mau permanece moralmente inaceitável. Esta perspectiva reflete a tradição da lei natural, que defende que certas ações são objetivamente más, independentemente do contexto ou das motivações pessoais. Aquino desenvolve esta ideia na sua teoria da ação moral, distinguindo entre o ato em si (actus hominis) e a intenção por trás dele. Para ele, uma ação moralmente boa requer três elementos: um objeto bom (o ato em si), uma intenção boa e circunstâncias apropriadas. A ausência de qualquer um destes elementos compromete a bondade moral da ação. Esta abordagem contrasta com visões puramente consequencialistas que poderiam justificar meios maus para alcançar fins bons.

Origem Histórica

Tomás de Aquino (1225-1274) foi um frade dominicano, teólogo e filósofo italiano, figura central da escolástica medieval. Esta citação provém provavelmente da sua obra magna 'Summa Theologica', escrita entre 1265 e 1274, onde desenvolve sistematicamente a sua filosofia moral e teológica. O contexto histórico é o do pensamento cristão medieval, que integrava a filosofia aristotélica com a teologia cristã, criando uma síntese que influenciou profundamente o pensamento ocidental.

Relevância Atual

Esta frase mantém extrema relevância contemporânea em debates éticos sobre responsabilidade pessoal e institucional. Aplica-se a situações como: justificações para violações de direitos humanos ('fazemos isto pelo bem maior'), corrupção ('roubo para ajudar a família'), ou manipulação política ('mentimos para proteger o país'). Num mundo onde as consequências imediatas muitas vezes dominam o discurso público, esta citação lembra-nos da importância de considerar a moralidade intrínseca das nossas ações.

Fonte Original: Summa Theologica (Secunda Secundae Partis)

Citação Original: Bonum ex integra causa, malum ex quocumque defectu

Exemplos de Uso

  • Um político que mente ao público 'para o bem do país' está a cometer uma ação moralmente questionável, independentemente da sua intenção.
  • Uma empresa que utiliza trabalho infantil para produzir produtos mais baratos 'para ajudar consumidores de baixo rendimento' não pode justificar essa prática com boas intenções.
  • Um médico que realiza experiências não éticas em pacientes 'para avançar a ciência médica' viola princípios éticos fundamentais, apesar da nobreza do objetivo final.

Variações e Sinônimos

  • Os fins não justificam os meios
  • A estrada para o inferno está pavimentada com boas intenções
  • Não se pode fazer o mal para que dele venha o bem
  • A intenção não santifica a ação

Curiosidades

Tomás de Aquino foi canonizado pela Igreja Católica em 1323 e declarado Doutor da Igreja em 1567. A sua filosofia, conhecida como tomismo, continua a ser estudada em seminários e universidades em todo o mundo, influenciando tanto o pensamento católico como a filosofia secular.

Perguntas Frequentes

Tomás de Aquino rejeitava completamente a importância das intenções?
Não, Aquino considerava as intenções essenciais para a moralidade, mas insiste que não são suficientes por si só. Para ele, uma ação moralmente boa requer um ato bom, uma intenção boa e circunstâncias apropriadas.
Como se aplica esta citação na ética empresarial moderna?
Na ética empresarial, este princípio alerta contra práticas como greenwashing ou exploração laboral justificadas com discursos sobre sustentabilidade ou criação de emprego. A moralidade exige que os meios sejam tão éticos como os fins declarados.
Esta visão contradiz o utilitarismo?
Sim, contrasta significativamente com o utilitarismo clássico de Bentham e Mill, que avalia as ações principalmente pelas suas consequências. Para Aquino, certas ações são intrinsecamente más, independentemente dos resultados positivos que possam produzir.
Onde posso ler mais sobre esta citação na obra de Aquino?
A discussão mais completa encontra-se na 'Summa Theologica', particularmente nas questões sobre a moralidade dos atos humanos (Prima Secundae, questões 18-21) e sobre a justiça (Secunda Secundae).

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