Frases de Hebreus 13:5 - Sejam vossos costumes sem avar...

Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei.
Hebreus 13:5
Significado e Contexto
Esta passagem bíblica, encontrada na Epístola aos Hebreus, articula dois conceitos fundamentais: uma exortação ética e uma promessa divina. Primeiro, adverte contra a avareza, definindo-a como um desejo insaciável por mais do que se possui, que corrompe os costumes e gera inquietação. Em contrapartida, propõe o contentamento como virtude prática – uma satisfação consciente com os recursos presentes, independentemente da sua escala. Segundo, fundamenta esta exortação na promessa divina: "Não te deixarei, nem te desampararei". Esta não é uma garantia de ausência de dificuldades, mas a afirmação de uma presença e apoio constante, oferecendo uma segurança que torna supérfluo o acúmulo ansioso de bens. A frase convida a transferir a confiança dos bens materiais, voláteis, para a relação com o divino, percebida como estável e fiel.
Origem Histórica
A Epístola aos Hebreus foi escrita no século I d.C., provavelmente antes da destruição do Templo de Jerusalém (70 d.C.). Dirige-se a uma comunidade cristã, possivelmente de origem judaica, que enfrentava perseguições e tentações de abandonar a fé. O autor, cuja identidade é debatida (não sendo explicitamente Paulo), visa fortalecer a convicção dos leitores na superioridade de Cristo. O capítulo 13 contém exortações práticas finais sobre conduta ética e vida comunitária. A citação de Hebreus 13:5 incorpora uma alusão a passagens do Antigo Testamento (como Deuteronómio 31:6 e Josué 1:5), reinterpretando a promessa de Deus a Israel no contexto da nova aliança cristã.
Relevância Atual
Num mundo marcado pelo consumismo, comparação social nas redes e incerteza económica, esta frase mantém uma relevância aguda. Oferece um antídoto filosófico e espiritual para a ansiedade e a insatisfação crónica. A exortação ao contentamento desafia a narrativa de que a felicidade depende da aquisição constante. A promessa de não ser abandonado responde ao sentimento moderno de solidão e desamparo, sugerindo uma fonte de segurança não material. É relevante em discussões sobre saúde mental, sustentabilidade (ao questionar o consumo excessivo) e ética pessoal, propondo uma vida focada em relações e valores, em vez de posses.
Fonte Original: Bíblia Sagrada, Novo Testamento, Epístola aos Hebreus, capítulo 13, versículo 5.
Citação Original: ἔστω ὁ τρόπος ἀφιλάργυρος, ἀρκούμενοι τοῖς παροῦσιν· αὐτὸς γὰρ εἴρηκεν· Οὐ μή σε ἀνῶ οὐδ’ οὐ μή σε ἐγκαταλίπω.
Exemplos de Uso
- Num discurso sobre gestão financeira ética, um orador pode citar a frase para defender que a segurança não vem apenas da poupança, mas de uma atitude de contentamento e confiança.
- Num contexto de apoio pastoral ou coaching de vida, pode ser usada para consolar alguém que teme o futuro, lembrando que o valor pessoal não se define pelos bens materiais.
- Num artigo sobre minimalismo voluntário, a citação serve de fundamento filosófico para a escolha de uma vida simples, livre da avareza.
Variações e Sinônimos
- "Mais vale pouco com contentamento do que muito com inquietação." (Provérbio popular)
- "A avareza rompe o saco." (Ditado português)
- "Quem pouco tem, pouco teme." (Ditado popular)
- "A vida de um homem não consiste na abundância dos bens que possui." (Lucas 12:15, conceito similar)
Curiosidades
A promessa "Não te deixarei, nem te desampararei" é uma das chamadas "passagens de ouro" da Bíblia, frequentemente memorizada e citada isoladamente. Curiosamente, no texto grego original, a negação é reforçada por uma construção gramatical dupla (οὐ μή... οὐδ’ οὐ μή), uma ênfase rara que transmite uma certeza absoluta e incondicional da parte de Deus.
