Frases de Mario Vargas Llosa - Os verdadeiros artistas e cria

Frases de Mario Vargas Llosa - Os verdadeiros artistas e cria...


Frases de Mario Vargas Llosa


Os verdadeiros artistas e criadores constituem sempre contra-governos, governos nas sombras a partir das quais vão impugnando as certezas, as retóricas, as ficções ou verdades oficiais e recordando, no que pintam, compõem, interpretam ou fabulam que, contrariamente ao que sustém o poder, o mundo vai muito mal, e que a vida real estará sempre abaixo dos sonhos e dos desejos humanos.

Mario Vargas Llosa

Esta citação revela como os artistas e criadores são vozes dissidentes que desafiam as narrativas oficiais, lembrando-nos que a realidade nunca corresponde plenamente aos nossos sonhos. Eles atuam como uma consciência crítica da sociedade.

Significado e Contexto

A citação de Mario Vargas Llosa propõe que os verdadeiros artistas e criadores funcionam como 'contra-governos' - estruturas paralelas de poder que contestam as verdades estabelecidas pelo poder institucional. Eles operam 'nas sombras', não através de meios políticos convencionais, mas através da sua produção artística, que constantemente questiona as certezas, retóricas e ficções oficiais. O autor sugere que estes criadores têm uma função essencialmente crítica: recordam-nos que 'o mundo vai muito mal' e que existe um abismo permanente entre a realidade concreta e os sonhos e desejos humanos, contrariando assim a narrativa otimista frequentemente promovida pelo poder estabelecido. Esta visão coloca a arte como uma força de resistência e de verdade alternativa. Vargas Llosa não vê os artistas como meros entretenedores, mas como agentes políticos que, através da pintura, composição, interpretação ou fabulação, mantêm viva a capacidade de questionamento e de imaginação de mundos diferentes. A frase sublinha a tensão permanente entre o estabelecido e o disruptivo, entre o oficial e o marginal, sugerindo que a saúde democrática de uma sociedade depende em parte desta capacidade de impugnação constante das suas próprias certezas.

Origem Histórica

Mario Vargas Llosa, escritor peruano-espanhol e Prémio Nobel da Literatura em 2010, desenvolveu ao longo da sua carreira um pensamento liberal e uma profunda reflexão sobre as relações entre literatura, poder e sociedade. A citação reflete a sua visão da literatura e da arte como instrumentos de liberdade e de crítica ao poder, uma posição que foi amadurecendo desde as suas primeiras obras de cariz mais político até aos seus ensaios e discursos sobre a liberdade. O contexto latino-americano, com as suas histórias de autoritarismos e populismos, certamente influenciou esta perceção da arte como espaço de resistência.

Relevância Atual

Esta frase mantém uma relevância extraordinária no mundo contemporâneo, marcado pela desinformação, pelas 'fake news' e pelas narrativas oficiais amplificadas pelos meios de comunicação e redes sociais. Os artistas continuam a ser vozes cruciais para desafiar as 'ficções ou verdades oficiais', seja através do cinema, da música, das artes visuais ou da literatura. Em tempos de polarização e de discursos hegemónicos, a ideia de 'contra-governos' nas sombras lembra-nos a importância da diversidade de perspetivas e do papel da cultura como antídoto contra o pensamento único. A afirmação de que 'a vida real estará sempre abaixo dos sonhos' ressoa também numa era de expectativas frustradas e de crises múltiplas (climática, social, política), onde a arte pode tanto refletir o mal-estar como apontar para horizontes de esperança.

Fonte Original: A fonte exata desta citação não é especificada, mas enquadra-se perfeitamente no pensamento ensaístico de Mario Vargas Llosa sobre a literatura e a liberdade, presente em obras como 'A Verdade das Mentiras' (1990) ou em numerosos discursos e artigos de opinião.

Citação Original: Os verdadeiros artistas e criadores constituem sempre contra-governos, governos nas sombras a partir das quais vão impugnando as certezas, as retóricas, as ficções ou verdades oficiais e recordando, no que pintam, compõem, interpretam ou fabulam que, contrariamente ao que sustém o poder, o mundo vai muito mal, e que a vida real estará sempre abaixo dos sonhos e dos desejos humanos.

Exemplos de Uso

  • Um documentário que expõe as consequências sociais de uma política governamental, funcionando como um 'contra-governo' visual que questiona a narrativa oficial.
  • Uma banda de música que, através das suas letras, critica o sistema económico e político, lembrando aos ouvintes o fosso entre as promessas de prosperidade e a realidade quotidiana.
  • Uma instalação artística num espaço público que desafia a memória histórica oficial, propondo uma leitura alternativa dos acontecimentos.

Variações e Sinônimos

  • A arte é a consciência crítica da sociedade.
  • Os poetas são os legisladores não reconhecidos do mundo (adaptação de Percy Bysshe Shelley).
  • A literatura é o fórum permanente da dissidência.
  • O artista tem o dever de perturbar o sono dos satisfeitos.

Curiosidades

Mario Vargas Llosa concorreu à presidência do Peru em 1990, experiência política direta que certamente enriqueceu a sua reflexão sobre as dinâmicas entre poder institucional e poder cultural. Foi derrotado por Alberto Fujimori.

Perguntas Frequentes

O que significa 'contra-governos' na citação de Vargas Llosa?
Significa que os artistas atuam como estruturas paralelas de poder e de pensamento que contestam, questionam e oferecem alternativas às narrativas e verdades estabelecidas pelo governo ou pelo poder instituído.
Por que é que Vargas Llosa diz que 'a vida real estará sempre abaixo dos sonhos'?
Porque ele acredita que existe um abismo permanente entre a realidade concreta, com as suas limitações e imperfeições, e a plenitude dos sonhos e desejos humanos. A arte, ao mesmo tempo que revela este fosso, também o transcende através da imaginação.
Esta visão da arte aplica-se apenas a artistas políticos?
Não necessariamente. Para Vargas Llosa, o 'verdadeiro artista', independentemente do tema, acaba por ser crítico ao impugnar certezas e ao explorar a complexidade humana, contrastando com as simplificações frequentemente promovidas pelo poder.
Como se relaciona esta ideia com a liberdade de expressão?
É fundamental. A noção de artistas como 'contra-governos' só é possível numa sociedade que valorize e proteja a liberdade de expressão, permitindo que essas vozes dissidentes existam e sejam ouvidas.

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