Frases de Marguerite Duras - Posso dizer o que quiser, nunc...

Posso dizer o que quiser, nunca saberei o motivo pelo qual se escreve, nem como não se escreve.
Marguerite Duras
Significado e Contexto
Esta citação de Marguerite Duras expressa uma profunda reflexão sobre a natureza paradoxal da escrita. Por um lado, o escritor possui a liberdade de expressar qualquer pensamento ('Posso dizer o que quiser'), mas, por outro, confronta-se com dois abismos de incompreensão: nunca saberá a razão última que o motiva a escrever ('nunca saberei o motivo pelo qual se escreve') e, igualmente, nunca dominará completamente as regras da abstenção ou da recusa no ato criativo ('nem como não se escreve'). Esta última parte é particularmente subtil, sugerindo que a escrita é também definida pelo que se escolhe não dizer, um território igualmente inacessível ao controle total do autor. Num tom educativo, podemos interpretar que Duras aborda aqui a humildade inerente à criação artística. Ao contrário de uma visão romântica do escritor como um demiurgo todo-poderoso, ela apresenta-o como um ser que navega num oceano de possibilidades sem nunca possuir o mapa completo. A frase captura a tensão entre a vontade expressiva e os limites do autoconhecimento, entre a técnica adquirida e o mistério irredutível da inspiração. É uma declaração que valoriza mais a busca do que a posse de respostas definitivas.
Origem Histórica
Marguerite Duras (1914-1996) foi uma escritora, argumentista e realizadora francesa, figura central da literatura do pós-guerra. A sua obra, frequentemente autobiográfica e experimental, explora temas como o desejo, a memória, a dor e os limites da linguagem. Esta citação reflete o contexto intelectual do século XX, marcado por correntes como o existencialismo e o nouveau roman, que questionavam as certezas, a psicologia tradicional dos personagens e os próprios fundamentos da narrativa. Duras pertencia a um grupo de autores que desconstruíam as convenções literárias, focando-se na subjetividade, no silêncio e no que fica por dizer.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância pungente no mundo contemporâneo, onde a escrita se democratizou através das redes sociais, blogs e plataformas digitais. Num tempo de opiniões instantâneas e conteúdo massivo, a reflexão de Duras convida a uma pausa para contemplar o 'porquê' e o 'como' por detrás das palavras. Para escritores, bloguers, criadores de conteúdo e qualquer pessoa que se expresse por escrito, serve como um lembrete da complexidade e da responsabilidade inerentes ao ato de comunicar. Num contexto educativo, ajuda a desmistificar a ideia de que a escrita é um domínio totalmente racional e controlável, promovendo antes uma atitude de inquirição e respeito pelo processo criativo.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Marguerite Duras no seu contexto de reflexões sobre a escrita, embora a fonte exata (livro, entrevista ou artigo) não seja sempre especificada nas antologias de citações. É consistente com o pensamento expresso em obras como 'Escrever' (1993) ou em diversas entrevistas onde abordava o seu processo criativo.
Citação Original: "Je peux dire ce que je veux, je ne saurai jamais pourquoi on écrit, ni comment on n'écrit pas."
Exemplos de Uso
- Num workshop de escrita criativa, o formador citou Duras para ilustrar que a busca pelo 'porquê' escrevemos é tão importante quanto a técnica.
- Um escritor de ficção, num blog pessoal, usou a frase para descrever a sensação de mistério que persiste mesmo após publicar vários romances.
- Num debate sobre redes sociais, um psicólogo referiu a citação para questionar se sabemos realmente as motivações por detrás dos nossos posts.
Variações e Sinônimos
- "O escritor é um homem que não sabe muito bem o que faz." - Juan Carlos Onetti
- "Escrevo porque não sei." - Clarice Lispector
- "A escrita é uma viagem para o desconhecido." (ditado popular entre escritores)
- "Não se escreve para dizer algo, mas para ver o que se tem para dizer." - reflexão comum em oficinas literárias
Curiosidades
Marguerite Duras escreveu o argumento do famoso filme 'Hiroshima, Meu Amor' (1959), uma obra que, tal como a sua citação, explora os limites da memória e da comunicação.


