Frases de José Saramago - É a literatura o que, inevita...

É a literatura o que, inevitavelmente, faz pensar. É a palavra escrita, a que está no livro, a que faz pensar. E neste momento é a última na escala de valores.
José Saramago
Significado e Contexto
Esta citação de José Saramago articula-se em três dimensões fundamentais. Primeiro, estabelece uma relação causal inevitável entre literatura e pensamento, sugerindo que a experiência literária não é meramente passiva, mas uma atividade intelectual geradora de reflexão. Segundo, especifica que este poder reside na 'palavra escrita', no texto fixado no livro, diferenciando-a de outras formas de comunicação mais efémeras. Finalmente, lança uma crítica social ao declarar que, no momento em que escreve, a literatura ocupa 'a última na escala de valores', denunciando a sua marginalização face a outras prioridades sociais, económicas ou tecnológicas. Trata-se, portanto, de uma defesa da literatura como espaço privilegiado para o exercício do pensamento crítico e de um alerta sobre o seu estatuto ameaçado.
Origem Histórica
José Saramago (1922-2010), Prémio Nobel da Literatura em 1998, proferiu esta reflexão no contexto do final do século XX e início do XXI, uma era marcada pela aceleração tecnológica, pela cultura de massas e pela crescente hegemonia dos meios audiovisuais e digitais. A sua obra, caracterizada por um profundo humanismo, cepticismo em relação ao poder instituído e uma escrita singular, reflete constantemente sobre o papel do indivíduo, da memória e da palavra. Esta citação insere-se na sua preocupação contínua com a função social da literatura e do intelectual, e com os perigos da alienação e do esquecimento.
Relevância Atual
A frase mantém uma relevância aguda na atualidade, marcada pela sobrecarga de informação digital, pela brevidade das comunicações (como em redes sociais) e por debates sobre pós-verdade e desinformação. A defesa da literatura como ferramenta para 'fazer pensar' – isto é, para promover a reflexão lenta, profunda e crítica – contrapõe-se a uma cultura do imediato e do superficial. A advertência sobre a literatura estar na 'última escala de valores' ressoa em discussões sobre cortes orçamentais nas artes, hábitos de leitura em declínio e a priorização de competências técnicas sobre as humanísticas na educação.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a intervenções públicas, entrevistas ou discursos de José Saramago. Não está identificada num romance específico, mas reflete temas centrais da sua obra ensaística e do seu pensamento como intelectual público.
Citação Original: É a literatura o que, inevitavelmente, faz pensar. É a palavra escrita, a que está no livro, a que faz pensar. E neste momento é a última na escala de valores.
Exemplos de Uso
- Num debate sobre o currículo escolar, um professor pode citar Saramago para defender a presença obrigatória da literatura, argumentando que 'é a que faz pensar' e forma cidadãos críticos.
- Num artigo de opinião sobre o declínio das vendas de livros, um jornalista pode usar a frase para sublinhar o risco cultural de subvalorizar 'a palavra escrita'.
- Num clube de leitura, o moderador pode iniciar a discussão questionando: 'Concordam com Saramago que, hoje, a literatura está na última escala de valores? O que podemos fazer para mudar isso?'
Variações e Sinônimos
- A leitura é uma ginástica para a mente.
- Um livro é um mestre silencioso.
- Quem lê, vive mil vidas.
- As palavras têm o poder de mudar o mundo.
- A literatura é a consciência da sociedade.
Curiosidades
José Saramago só publicou o seu primeiro romance, 'Terra do Pecado', em 1947, mas alcançou reconhecimento internacional quase 40 anos depois, com 'Memorial do Convento' (1982). Era conhecido pelo seu ateísmo militante e por usar uma pontuação muito particular nos seus romances, com frases longas e pouca utilização de pontos finais.


