Frases de Friedrich Nietzsche - Nós fazemos acordados o que f

Frases de Friedrich Nietzsche - Nós fazemos acordados o que f...


Frases de Friedrich Nietzsche


Nós fazemos acordados o que fazemos nos sonhos: primeiro inventamos e imaginamos o homem com quem convivemos - para nos esquecermos dele em seguida.

Friedrich Nietzsche

Esta citação de Nietzsche revela a natureza paradoxal das relações humanas: criamos projeções mentais dos outros para depois as descartarmos, num ciclo de invenção e esquecimento que reflete nossa incapacidade de conhecer verdadeiramente o próximo.

Significado e Contexto

Esta citação de Friedrich Nietzsche explora a natureza ilusória das relações humanas. O filósofo sugere que, tanto nos sonhos quanto na vigília, criamos versões idealizadas ou distorcidas das pessoas com quem interagimos. Primeiro, 'inventamos' mentalmente quem elas são através de nossas projeções, expectativas e interpretações subjetivas. Em seguida, 'esquecemos' essa construção artificial, tratando-a como realidade objetiva. Este processo revela como nossa percepção do outro é sempre mediada por nossa própria psique, nunca acessando a pessoa em sua essência verdadeira. Nietzsche aponta para a fragilidade do conhecimento intersubjetivo e a tendência humana de substituir a complexidade do outro por simplificações convenientes.

Origem Histórica

Friedrich Nietzsche (1844-1900) desenvolveu esta ideia no contexto do pensamento pós-metafísico do século XIX, que questionava noções tradicionais de verdade, identidade e conhecimento. Vivendo numa Europa em rápida modernização, Nietzsche observava como as relações sociais se tornavam mais superficiais e instrumentalizadas. Sua filosofia frequentemente explorava temas de ilusão, criação de valores e a construção do eu, refletindo o declínio das certezas religiosas e metafísicas tradicionais.

Relevância Atual

Esta frase mantém extrema relevância na era digital, onde criamos e consumimos constantemente versões curadas das pessoas através das redes sociais. A dinâmica de 'inventar' perfis online e depois 'esquecer' que são construções artificiais espelha exatamente o processo descrito por Nietzsche. Além disso, em sociedades cada vez mais individualistas, a dificuldade de conhecer genuinamente o outro torna-se mais aguda, tornando esta reflexão crucial para entender relações contemporâneas.

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Nietzsche, embora sua origem exata seja debatida entre estudiosos. Aparece em várias coletâneas de aforismos e pode derivar de seus cadernos de notas ou correspondência.

Citação Original: Wir machen im Wachen, was wir im Traume machen: wir erfinden und erdichten uns erst den Menschen, mit dem wir verkehren – um ihn alsbald zu vergessen.

Exemplos de Uso

  • Nas redes sociais, criamos uma imagem idealizada dos nossos amigos baseada nas suas publicações selecionadas, esquecendo depois que essa versão é incompleta.
  • Em relacionamentos amorosos, frequentemente projetamos qualidades imaginárias no parceiro, apenas para depois 'descobrir' que inventámos quem ele realmente era.
  • No ambiente profissional, formamos impressões rápidas sobre colegas baseadas em estereótipos, esquecendo depois que essas categorizações são nossas próprias construções mentais.

Variações e Sinônimos

  • Vemos os outros não como são, mas como somos
  • Cada um carrega consigo uma imagem do outro que é sua própria criação
  • Conhecer alguém é sempre conhecer a nossa versão dessa pessoa
  • As pessoas são espelhos onde vemos reflexos de nós mesmos

Curiosidades

Nietzsche era professor de filologia clássica antes de se dedicar inteiramente à filosofia, e seu treino na análise textual influenciou seu estilo aforístico e penetrante, visível em citações como esta.

Perguntas Frequentes

O que Nietzsche quis dizer com 'inventamos o homem com quem convivemos'?
Nietzsche referia-se ao processo psicológico através do qual criamos versões mentais das pessoas baseadas em nossas projeções, expectativas e interpretações subjetivas, em vez de as conhecermos objetivamente.
Esta citação aplica-se às redes sociais?
Sim, perfeitamente. Nas redes sociais, inventamos versões idealizadas dos outros através dos seus perfis curados, e depois esquecemos que essas versões são construções parciais.
Qual a diferença entre o processo nos sonhos e na vigília?
Nietzsche sugere que o mecanismo é o mesmo: tanto nos sonhos quanto acordados, nossa mente cria representações do outro que são mais produto da nossa psique do que reflexos fiéis da realidade.
Esta ideia é pessimista sobre as relações humanas?
Não necessariamente pessimista, mas realista. Nietzsche aponta uma limitação fundamental na forma como conhecemos os outros, convidando à consciência deste processo em vez de à resignação.

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