Frases de José Tolentino Mendonça - Como um fabricante de armadilh...

Como um fabricante de armadilhas desajeitado que acaba sempre prisioneiro das engrenagens que produz, também nós inventamos o tempo e nunca temos tempo. Os nossos relógios nunca dormem. Quantas vezes o tempo é a nossa desculpa para desinvestir da vida, para perpetuar o desencontro que mantemos com ela?
José Tolentino Mendonça
Significado e Contexto
A citação de José Tolentino Mendonça utiliza uma metáfora poderosa: comparar a humanidade a um 'fabricante de armadilhas desajeitado' que fica preso nas próprias engrenagens que cria. Esta imagem ilustra como inventamos o conceito de tempo, organizando-o em horas, minutos e segundos, mas acabamos escravizados por essa criação. O autor sugere que transformamos o tempo numa desculpa para não investir na vida autêntica, perpetuando um 'desencontro' com a existência verdadeira. A frase questiona como usamos a falta de tempo como justificação para adiar vivências significativas, relações profundas e momentos de presença total. Num segundo nível de análise, Mendonça critica a sociedade contemporânea onde 'os nossos relógios nunca dormem', aludindo à cultura da produtividade constante e da disponibilidade permanente. Esta perpetuação do desencontro com a vida refere-se à desconexão entre o que valorizamos verdadeiramente e como alocamos o nosso tempo. A citação convida a uma reflexão sobre se estamos a usar o tempo como recurso para viver ou como barreira para evitar o compromisso com a existência plena.
Origem Histórica
José Tolentino Mendonça (n. 1965) é um sacerdote, poeta, teólogo e professor português, actualmente cardeal e bibliotecário do Vaticano. A citação reflecte temas recorrentes na sua obra: a espiritualidade no quotidiano, a relação entre tempo e eternidade, e a crítica à aceleração da vida moderna. Embora não seja possível identificar a obra exacta sem mais contexto, o estilo corresponde ao seu pensamento sobre como a humanidade lida com dimensões temporais e espirituais.
Relevância Atual
Esta frase mantém extrema relevância na era digital, onde a aceleração do tempo se intensificou com tecnologias que prometem eficiência mas frequentemente geram mais pressão. A cultura do 'always on' (sempre ligado), as expectativas de resposta imediata e a gestão do tempo como recurso escasso tornam a reflexão mais urgente. A frase ajuda a questionar a tirania da produtividade e a recuperar o tempo como espaço para significado, não apenas para tarefas.
Fonte Original: Não identificada com precisão, mas alinhada com a obra de José Tolentino Mendonça, possivelmente de livros como 'A Mística do Instante' ou discursos sobre tempo e espiritualidade.
Citação Original: Como um fabricante de armadilhas desajeitado que acaba sempre prisioneiro das engrenagens que produz, também nós inventamos o tempo e nunca temos tempo. Os nossos relógios nunca dormem. Quantas vezes o tempo é a nossa desculpa para desinvestir da vida, para perpetuar o desencontro que mantemos com ela?
Exemplos de Uso
- Na gestão empresarial, quando equipas usam 'falta de tempo' para justificar a falta de inovação ou cuidado nas relações profissionais.
- No contexto familiar, quando pais adiam momentos de qualidade com os filhos devido a agendas sobrecarregadas, perpetuando o desencontro emocional.
- No desenvolvimento pessoal, quando adiamos hobbies ou aprendizagens significativas usando o tempo como desculpa, criando uma armadilha de procrastinação.
Variações e Sinônimos
- 'O tempo é um tirano inventado pelos homens' - adaptação de provérbio
- 'Corremos para ganhar tempo e perdemos a vida no processo' - reflexão similar
- 'Vivemos no relógio mas morremos no calendário' - ditado sobre prioridades
- 'O tempo que poupas é o tempo que perdes' - paradoxo temporal
Curiosidades
José Tolentino Mendonça foi nomeado cardeal pelo Papa Francisco em 2019, sendo um dos poucos poetas no Colégio Cardinalício. A sua obra literária já recebeu prémios como o Prémio Pen Clube Português, mostrando como une espiritualidade e reflexão filosófica.