Frases de Miguel Esteves Cardoso - Porque começa o tempo a acele

Frases de Miguel Esteves Cardoso - Porque começa o tempo a acele...


Frases de Miguel Esteves Cardoso


Porque começa o tempo a acelerar quando finalmente começamos a dar-lhe valor e até a amá-lo? Quando se é novo, gosta-se do tempo para isto ou para aquilo. Quando se ganha juízo, aprecia-se o tempo só por si. O para deixa de interessar. Mais: é a ausência de um para premeditado que o torna valioso.

Miguel Esteves Cardoso

Esta citação revela a paradoxal relação humana com o tempo: quanto mais conscientes nos tornamos do seu valor intrínseco, mais rapidamente parece escapar-nos. Captura a transição da juventude, que usa o tempo como meio, para a maturidade, que o aprecia como fim em si mesmo.

Significado e Contexto

A citação explora a evolução da nossa relação com o tempo ao longo da vida. Na juventude, o tempo é visto instrumentalmente – valorizamo-lo pelo que nos permite fazer ('para isto ou para aquilo'). Com a maturidade ('ganhar juízo'), ocorre uma mudança fundamental: passamos a apreciar o tempo pela sua própria existência, pelo simples facto de ser. O 'para' deixa de ser o foco. O significado mais profundo reside na ideia de que é precisamente a ausência de uma finalidade pré-definida, de um 'para' premeditado, que confere ao tempo o seu verdadeiro valor. O tempo torna-se valioso não pelo que produz, mas pela experiência pura de o viver. A aceleração percecionada surge então como um paradoxo: quanto mais conscientes estamos deste valor intrínseco, mais agudamente sentimos a sua fugacidade.

Origem Histórica

Miguel Esteves Cardoso (n. 1955) é um dos mais importantes cronistas e escritores portugueses contemporâneos. A sua obra, marcada por um humor inteligente e uma observação sagaz da sociedade portuguesa, desenvolve-se sobretudo a partir dos anos 80, período pós-Revolução de 25 de Abril, de grandes transformações sociais e culturais em Portugal. A citação reflete uma sensibilidade comum na sua escrita: uma reflexão filosófica sobre aspetos aparentemente banais da vida quotidiana, elevando-os a temas universais.

Relevância Atual

Esta frase mantém uma relevância extraordinária na sociedade atual, caracterizada pela aceleração constante, pela cultura da produtividade e pela pressão para preencher cada momento com um propósito útil ('o para'). Num mundo de listas de tarefas, metas e otimização do tempo, a citação serve como um contraponto vital. Lembra-nos que a felicidade e a plenitude podem residir na simples experiência do tempo, sem a necessidade de o justificar com resultados. É um antídoto contra a ansiedade de desempenho e um convite à 'presença' e ao 'estar' em vez do constante 'fazer'.

Fonte Original: A citação é provavelmente de uma das suas crónicas ou livros de reflexão, como 'A Causa das Coisas' ou 'O Livro do Desassossego' (reedição comentada de Fernando Pessoa), géneros onde o autor frequentemente explora temas filosóficos de forma acessível. Uma localização exata requer consulta à sua extensa bibliografia de crónicas publicadas em jornais como 'O Independente' ou 'Público'.

Citação Original: Porque começa o tempo a acelerar quando finalmente começamos a dar-lhe valor e até a amá-lo? Quando se é novo, gosta-se do tempo para isto ou para aquilo. Quando se ganha juízo, aprecia-se o tempo só por si. O 'para' deixa de interessar. Mais: é a ausência de um 'para' premeditado que o torna valioso.

Exemplos de Uso

  • Num contexto de mindfulness ou meditação, para ilustrar o valor de simplesmente 'ser' sem um objetivo.
  • Em discussões sobre equilíbrio vida-trabalho, para defender a importância do ócio criativo e do tempo não estruturado.
  • Em coaching ou desenvolvimento pessoal, para explicar a mudança de prioridades que ocorre com a maturidade emocional.

Variações e Sinônimos

  • 'O tempo voa quando nos divertimos' (ditado popular que aborda a perceção, mas com foco no prazer).
  • 'Carpe diem' (aproveita o dia) – foco na ação no presente, enquanto MEC foca na apreciação do presente.
  • 'A vida é o que acontece enquanto estamos ocupados a fazer outros planos' (John Lennon) – tema similar sobre a atenção ao momento presente.

Curiosidades

Miguel Esteves Cardoso é conhecido por ter popularizado em Portugal a expressão 'Biba!', uma saudação alegre e descontraída que se tornou um marco cultural dos anos 90, mostrando o seu talento para capturar e definir espíritos de época.

Perguntas Frequentes

O que significa 'ganhar juízo' na citação?
Refere-se ao processo de amadurecimento, de adquirir sabedoria de vida. Não é apenas envelhecer, mas desenvolver uma consciência mais profunda sobre o que realmente importa, libertando-se da necessidade constante de justificar o tempo com atividades ou objetivos.
Porque é que o tempo parece acelerar com a idade?
A citação sugere uma causa psicológica e filosófica: a aceleração percecionada está ligada à consciência do seu valor. Quanto mais apreciamos o tempo como um fim em si mesmo, mais agudamente sentimos a sua passagem, contrastando com a juventude, onde o tempo era um recurso abundante para gastar em objetivos específicos.
Como posso aplicar esta ideia no meu dia a dia?
Praticando a apreciação do momento presente sem lhe atribuir imediatamente uma utilidade ou objetivo. Reservar momentos para simplesmente 'estar' – observar, sentir, pensar – sem agenda, pode ajudar a cultivar essa valorização do tempo 'só por si'.
Esta visão contradiz a importância de estabelecer metas?
Não necessariamente. A citação não condena os objetivos, mas convida a um equilíbrio. Propõe que, para além do tempo usado 'para' algo (metas), é crucial valorizar o tempo pelo que ele é em si – uma experiência existencial. A maturidade estaria em saber integrar ambas as dimensões.

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