Frases de Suzette Boon - As partes dissociativas da per...

As partes dissociativas da personalidade não estão separadas da identidade ou personalidade de um único corpo, mas fazem parte de um único indivíduo, que ainda não estão trabalhando em conjunto de uma forma harmoniosa, coordenada e flexível.
Suzette Boon
Significado e Contexto
Esta citação descreve a dissociação psicológica não como a criação de personalidades separadas ou identidades distintas, mas como uma fragmentação interna dentro de um único indivíduo. Boon enfatiza que as partes dissociativas – que podem surgir como resposta a traumas severos – permanecem componentes da mesma pessoa, mas perderam a capacidade de funcionar de forma coordenada e flexível. A metáfora implícita é a de um sistema que, embora intacto na sua totalidade, opera de forma desintegrada, com partes que não comunicam eficazmente entre si, levando a sofrimento e disfunção. O conceito desafia a noção popular de que a dissociação cria 'outras pessoas' dentro de um indivíduo. Em vez disso, propõe que são aspectos da mesma consciência que se isolam para proteger o self de experiências avassaladoras. A falta de 'trabalho em conjunto harmonioso' refere-se à incapacidade de aceder a memórias, emoções ou sensações de forma integrada, resultando em sintomas como amnésia, despersonalização ou 'partes' que parecem operar de forma autónoma. A cura, nesta perspetiva, envolve facilitar a comunicação e cooperação entre estas partes, restaurando a flexibilidade e coordenação do sistema psicológico como um todo.
Origem Histórica
Suzette Boon é uma psicóloga clínica e psicoterapeuta holandesa, pioneira no estudo e tratamento do Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI) e de traumas complexos na Europa. A sua obra surge no contexto do desenvolvimento da psicotraumatologia a partir dos anos 1980-1990, quando se começou a compreender melhor os mecanismos dissociativos como respostas adaptativas a traumas precoces e repetitivos. Boon contribuiu significativamente para a abordagem faseada do tratamento de traumas complexos, integrando técnicas da terapia cognitivo-comportamental, psicodinâmica e abordagens sensoriais.
Relevância Atual
Esta frase mantém extrema relevância hoje, pois a compreensão da dissociação evoluiu muito, mas ainda há estigma e conceções erradas sobre condições como o TDI. Na era digital, onde o trauma vicário e o stress crónico são comuns, a ideia de 'partes não harmoniosas' ajuda a normalizar experiências de fragmentação interna sem patologizar excessivamente o indivíduo. É crucial para terapias modernas baseadas em partes (como a Terapia de Esquemas ou abordagens integrativas) que visam a cooperação interna em vez da eliminação de 'partes'.
Fonte Original: Provavelmente do livro 'Coping with Trauma-Related Dissociation: Skills Training for Patients and Therapists' (2011), co-autorado com Kathy Steele e Onno van der Hart, ou de outras obras suas sobre dissociação e trauma.
Citação Original: The dissociative parts of the personality are not separated from the identity or personality of a single body, but are part of a single individual, who are not yet working together in a harmonious, coordinated, and flexible way.
Exemplos de Uso
- Na psicoterapia, um cliente pode descrever sentir-se 'dividido' entre uma parte que quer avançar na carreira e outra que teme o fracasso, exemplificando partes não coordenadas.
- Sob stress extremo, uma pessoa pode experienciar 'brancos' ou agir de formas que depois não recorda, mostrando a falta de comunicação entre partes dissociativas.
- Em discussões sobre saúde mental no trabalho, pode usar-se esta citação para explicar porque alguém com trauma pode parecer 'inconsistente', devido a partes internas não harmoniosas.
Variações e Sinônimos
- A mente fragmentada ainda é uma mente única
- Dissociação é descoordenação interna, não multiplicidade
- Partes de um todo desarmonioso
- O self dividido mas não separado
Curiosidades
Suzette Boon foi uma das fundadoras da European Society for Trauma and Dissociation (ESTD) e o seu trabalho ajudou a estabelecer diretrizes europeias para o tratamento de traumas complexos e dissociação, influenciando a prática clínica além do modelo tradicional norte-americano.