Frases de Djamila Ribeiro - Minha luta diária é para ser...

Minha luta diária é para ser reconhecida como sujeito, impor minha existência numa sociedade que insiste em negá-la.
Djamila Ribeiro
Significado e Contexto
A citação de Djamila Ribeiro articula uma dimensão fundamental da experiência de grupos marginalizados: a luta não é apenas por direitos materiais, mas pelo reconhecimento como sujeitos plenos de direitos e dignidade. A expressão 'impor minha existência' sugere que a mera presença física não basta; é necessário que a sociedade valide e reconheça essa existência como legítima e valiosa. A 'negação' referida não é apenas uma omissão, mas um ato ativo de apagamento simbólico e social que impede a plena participação na vida coletiva. Filosoficamente, esta afirmação dialoga com teorias do reconhecimento (como as de Axel Honneth) e com a noção de 'epistemicídio' – a destruição de saberes e identidades de grupos subalternos. A autora enfatiza que ser 'sujeito' significa ter agência, voz e a capacidade de narrar a própria história, em oposição a ser tratado como 'objeto' ou figura secundária no discurso dominante. Esta luta é diária porque a negação se manifesta em microagressões, estereótipos e estruturas institucionais que perpetuam a exclusão.
Origem Histórica
Djamila Ribeiro é uma filósofa, escritora e ativista brasileira contemporânea, figura central no pensamento feminista negro e antirracista no Brasil. A citação reflete o contexto histórico de luta contra o racismo estrutural, o sexismo e a desigualdade social no país, onde populações negras, especialmente mulheres, historicamente enfrentaram a negação de sua humanidade e direitos. O trabalho de Ribeiro está inserido numa tradição de pensamento decolonial e interseccional, que ganhou força no século XXI, questionando narrativas hegemónicas e defendendo a valorização de identidades marginalizadas.
Relevância Atual
Esta frase mantém extrema relevância hoje porque fenómenos como o racismo, a LGBTQIA+fobia, a xenofobia e outras formas de discriminação continuam a negar a existência plena de indivíduos e grupos. Em contextos digitais, discursos de ódio e algoritmos enviesados perpetuam invisibilidades. A luta por reconhecimento manifesta-se em movimentos como Black Lives Matter, feminismos interseccionais e demandas por representatividade na cultura e política. Num mundo globalizado, a afirmação 'impor minha existência' ecoa como resistência contra homogeneização e apagamento cultural.
Fonte Original: A citação é frequentemente associada ao pensamento e discursos públicos de Djamila Ribeiro, embora não seja atribuída a uma obra específica singular. Reflete temas centrais dos seus livros, como 'Lugar de Fala' (2017) e 'Pequeno Manual Antirracista' (2019), onde discute racismo, lugar de fala e a necessidade de reconhecimento.
Citação Original: Minha luta diária é para ser reconhecida como sujeito, impor minha existência numa sociedade que insiste em negá-la.
Exemplos de Uso
- Em debates sobre representatividade na política, ativistas usam a frase para exigir que vozes marginalizadas sejam ouvidas como sujeitos de decisão, não apenas como temas de discussão.
- Na psicologia social, a citação ilustra o impacto da invisibilidade na saúde mental de minorias, que lutam por validação em ambientes hostis.
- Em educação antirracista, professores referem-se à frase para explicar a importância de currículos que reconheçam a história e contribuições de povos negros e indígenas.
Variações e Sinônimos
- Lutar para existir além da sobrevivência
- A batalha pelo direito de ser visto e ouvido
- Resistir ao apagamento da própria identidade
- Exigir reconhecimento da humanidade plena
Curiosidades
Djamila Ribeiro foi nomeada Secretária Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo em 2021, tornando-se uma das primeiras mulheres negras num cargo executivo de alto nível na cidade, exemplificando na prática a luta por reconhecimento institucional.
