Frases de Djamila Ribeiro - O feminismo deve contemplar to...

O feminismo deve contemplar todas as mulheres, é necessário perceber que não dá pra lutar contra uma opressão e alimentar outra.
Djamila Ribeiro
Significado e Contexto
A citação de Djamila Ribeiro defende um feminismo interseccional, que reconhece que as mulheres experienciam opressões de formas diferentes consoante fatores como raça, classe, orientação sexual ou deficiência. A autora argumenta que é incoerente e contraproducente lutar contra o sexismo enquanto se ignoram ou perpetuam outras formas de discriminação, como o racismo, a homofobia ou o classismo. O feminismo, para ser verdadeiramente transformador, deve ser um projeto inclusivo que contemple e lute pelas necessidades de todas as mulheres, promovendo uma libertação coletiva e não apenas de um grupo privilegiado.
Origem Histórica
Djamila Ribeiro é uma filósofa, escritora e ativista brasileira, figura central no pensamento feminista negro e interseccional no Brasil. A sua obra surge num contexto de fortalecimento dos movimentos sociais negros e feministas no país, que criticam a hegemonia de um feminismo branco e de classe média. A citação reflete os princípios do feminismo interseccional, corrente teórica que ganhou força a partir dos anos 1980, principalmente com as contribuições de académicas negras como Kimberlé Crenshaw, que analisam como sistemas de opressão como o racismo e o sexismo se interligam.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância crucial hoje, pois os debates sobre inclusão, privilégio e justiça social continuam no centro das discussões públicas. Num mundo cada vez mais polarizado, a citação serve como um lembrete ético para que os movimentos progressistas examinem as suas próprias práticas e garantam que não reproduzem as hierarquias que pretendem desmantelar. É especialmente pertinente em discussões sobre representatividade, políticas públicas e alianças entre diferentes grupos oprimidos.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Djamila Ribeiro em palestras, entrevistas e nas suas redes sociais, sendo um resumo eloquente da sua filosofia. Pode ser encontrada em contextos onde discute feminismo negro e interseccionalidade.
Citação Original: A citação já está em português (do Brasil).
Exemplos de Uso
- Num debate sobre políticas de género numa empresa, pode-se usar a frase para argumentar que um programa de liderança feminina deve incluir medidas específicas para mulheres negras, indígenas ou com deficiência.
- Ao criticar campanhas publicitárias que empoderam apenas um tipo específico de mulher (branca, magra), pode-se citar Ribeiro para defender uma representação mais diversa e realista.
- Num contexto educativo, a frase pode ilustrar a importância de abordar temas como racismo, LGBTQIfobia e capacitismo nas aulas sobre igualdade de género, mostrando como as opressões estão interligadas.
Variações e Sinônimos
- "Nenhuma de nós é livre enquanto uma de nós estiver acorrentada." (parafraseando uma ideia frequentemente associada a discursos sobre justiça social)
- "A minha liberdade está intrinsecamente ligada à tua."
- "Justiça para algumas não é justiça."
- "Um movimento que deixa alguém para trás não é um movimento de libertação."
Curiosidades
Djamila Ribeiro foi secretária-adjunta de Direitos Humanos e Cidadania da cidade de São Paulo entre 2016 e 2017, levando a sua perspetiva interseccional para a gestão de políticas públicas. O seu livro "Pequeno Manual Antirracista" tornou-se um best-seller no Brasil.
