Frases de Alexis de Tocqueville - Na política, os ódios comuns

Frases de Alexis de Tocqueville - Na política, os ódios comuns...


Frases de Alexis de Tocqueville


Na política, os ódios comuns são a base das alianças.

Alexis de Tocqueville

Esta citação revela como, na esfera política, as alianças frequentemente se constroem não sobre valores partilhados, mas sobre inimigos comuns. Tocqueville observa que o ódio pode ser um cimento mais forte do que a admiração.

Significado e Contexto

A frase de Alexis de Tocqueville sugere que, no domínio político, as coalizões e acordos entre grupos distintos frequentemente surgem não de uma partilha de ideais ou objetivos positivos, mas de uma oposição mútua a um terceiro. O 'ódio comum' funciona como uma força unificadora que supera diferenças internas, permitindo que facções diversas se unam temporariamente contra um inimigo percebido. Esta dinâmica pode ser observada em contextos como coligações partidárias, movimentos sociais ou relações internacionais, onde a aversão a um adversário se torna o principal motor da cooperação. Tocqueville, ao analisar as sociedades democráticas, identificou que a busca por igualdade e a tendência para o individualismo poderiam fragmentar o tecido social. Neste cenário, a identificação de um inimigo externo ou interno oferece uma forma rápida de criar solidariedade e propósito coletivo. No entanto, esta base emocional negativa pode tornar as alianças instáveis, dependentes da persistência da ameaça, e desviar o foco da construção de projetos comuns baseados em valores positivos.

Origem Histórica

Alexis de Tocqueville (1805-1859) foi um pensador, historiador e político francês, mais conhecido pela sua obra 'A Democracia na América' (1835/1840), onde analisou o sistema político e social dos Estados Unidos. A citação reflete as suas observações sobre a natureza humana e a dinâmica do poder, desenvolvidas no contexto pós-Revolução Francesa e durante a expansão das democracias modernas. Tocqueville estudou como as sociedades lidam com a liberdade, a igualdade e a formação de consensos, frequentemente destacando os paradoxos e riscos inerentes aos sistemas democráticos.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância acentuada no século XXI, onde se observa a polarização política em muitas democracias. Partidos ou grupos ideologicamente distantes formam alianças eleitorais ou governativas baseadas sobretudo na oposição a um adversário comum, seja um partido rival, uma figura política ou uma ideologia. Nas redes sociais e nos media, a construção de narrativas que identificam 'inimigos' (como elites, imigrantes, ou certos grupos sociais) é uma estratégia comum para mobilizar bases e criar identidades coletivas. A citação serve como um alerta para os riscos de uma política baseada na negatividade e na divisão, em detrimento do debate construtivo.

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Alexis de Tocqueville, embora a obra exata onde aparece não seja universalmente consensual entre os estudiosos. É comummente associada ao seu pensamento sobre a dinâmica política e social, refletido em obras como 'A Democracia na América' ou 'O Antigo Regime e a Revolução'.

Citação Original: En politique, la haine commune est presque toujours le fondement des amitiés.

Exemplos de Uso

  • Coligações partidárias que se formam principalmente para derrotar um partido dominante nas eleições, colocando de lado diferenças programáticas.
  • Movimentos sociais diversos que se unem em protestos contra um governo ou política específica, apesar de terem objetivos a longo prazo distintos.
  • Alianças internacionais baseadas na oposição a um país ou bloco geopolítico, em vez de valores ou interesses económicos partilhados.

Variações e Sinônimos

  • O inimigo do meu inimigo é meu amigo.
  • A união faz a força, especialmente contra um adversário comum.
  • Na política, não há aliados permanentes, apenas interesses permanentes (adaptação de uma frase atribuída a Lord Palmerston).

Curiosidades

Alexis de Tocqueville viajou para os Estados Unidos em 1831, oficialmente para estudar o sistema prisional, mas aproveitou para realizar uma análise profunda da sociedade americana, que resultou na sua obra mais famosa, 'A Democracia na América', um clássico da ciência política.

Perguntas Frequentes

O que significa 'ódios comuns' na citação de Tocqueville?
Refere-se a aversões, medos ou inimizades partilhadas por diferentes grupos, que se tornam o elemento unificador para formar uma aliança política, mesmo temporária.
Esta ideia aplica-se apenas à política partidária?
Não. Aplica-se a qualquer contexto onde grupos cooperam, como relações internacionais, movimentos sociais ou dinâmicas organizacionais, sempre que a união é motivada por oposição a um terceiro.
Tocqueville considerava estas alianças positivas ou negativas?
Tocqueville via esta dinâmica como um facto observável da natureza política, mas implicitamente crítica, pois alianças baseadas em ódio podem ser instáveis e desviar o foco de objetivos construtivos.
Há exemplos históricos desta frase em ação?
Sim, como alianças entre potências durante as guerras mundiais (ex: EUA e URSS na Segunda Guerra Mundial) ou coligações governativas formadas para bloquear um partido rival.

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