Tudo isso me faz acreditar que o Sr. ser

Tudo isso me faz acreditar que o Sr. ser...


Frases de Orgulho


Tudo isso me faz acreditar que o Sr. seria o último dos homens do mundo com quem eu me casaria. Orgulho e Preconceito


Esta afirmação, aparentemente categórica, revela a complexidade das primeiras impressões e como o orgulho pode cegar-nos à verdadeira essência do outro. É um momento de autodefesa emocional que antecede uma transformação profunda.

Significado e Contexto

Esta citação, proferida por Elizabeth Bennet, representa o clímax do seu preconceito inicial contra o Sr. Darcy. No contexto do romance, é uma declaração feita com veemência à sua amiga Charlotte Lucas, após Darcy a ter magoado com comentários desdenhosos. A frase encapsula a ironia central da obra: Elizabeth afirma com total convicção algo que o desenrolar da história irá desmentir completamente. O 'último dos homens' hiperboliza a sua repulsa, mas também prenuncia a inversão que se seguirá, quando ele se tornar, precisamente, o único homem com quem ela deseja casar-se. A força da afirmação mede a profundidade da sua transformação posterior. Literariamente, a frase funciona como um ponto de viragem psicológico. Demonstra como as primeiras impressões, alimentadas pelo orgulho ferido e por informações parciais, podem levar a julgamentos precipitados e absolutos. A obra de Austen explora precisamente a superação destes obstáculos internos – o orgulho de Darcy e o preconceito de Elizabeth – para se alcançar um entendimento mútuo e genuíno. A declaração é, portanto, menos sobre Darcy e mais sobre o estado de espírito cego e defensivo de Elizabeth naquele momento da narrativa.

Origem Histórica

A citação é da autoria de Jane Austen e pertence ao seu romance mais famoso, 'Pride and Prejudice' (Orgulho e Preconceito), publicado pela primeira vez em 1813. A obra insere-se no período da Regência inglesa, uma era de rígidas convenções sociais, onde o casamento era frequentemente uma transação económica e social crucial para as mulheres. Austen satiriza e critica esta sociedade, focando-se na vida das famílias da classe média rural. O contexto histórico é fundamental: a declaração de Elizabeth, apesar de emocional, também reflete a sua luta por autonomia e a recusa de um casamento por conveniência ou status, posição corajosa para uma mulher da sua época.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância atemporal porque captura um sentimento humano universal: a tendência para fazer julgamentos definitivos sobre os outros com base em informações limitadas ou emoções negativas. No mundo moderno, onde as primeiras impressões são frequentemente formadas nas redes sociais ou em encontros breves, a mensagem de Austen sobre a perigosidade do preconceito e a necessidade de uma segunda olhadela é mais pertinente do que nunca. A frase é frequentemente citada para descrever situações de antipatia inicial, de rejeição categórica ou, ironicamente, para realçar uma mudança radical de opinião, tornando-se um símbolo da complexidade das relações humanas.

Fonte Original: Livro: 'Pride and Prejudice' (Orgulho e Preconceito)

Citação Original: "I could easily forgive his pride, if he had not mortified mine. But disguise of every sort is his abhorrence. There is meanness in all the arts which sometimes obtain, and which nothing but meanness can desire to obtain. I have every reason in the world to think ill of you. No motive can excuse the unjust and ungenerous part you acted there. You dare not, you cannot deny that you have been the principal, if not the only means of dividing them from each other, of exposing one to the censure of the world for caprice and instability, the other to its derision for disappointed hopes, and involving them both in misery of the acutest kind. From the very beginning, from the first moment I may almost say, of my acquaintance with you, your manners impressing me with the fullest belief of your arrogance, your conceit, and your selfish disdain of the feelings of others, were such as to form that ground-work of disapprobation, on which succeeding events have built so immovable a dislike; and I had not known you a month before I felt that you were the last man in the world whom I could ever be prevailed on to marry."

Exemplos de Uso

  • Na política, um eleitor pode dizer: 'Aquele candidato é a última pessoa em quem votaria', ecoando a veemência de Elizabeth.
  • Após uma discussão profissional difícil, alguém pode pensar: 'Ele é o último colega com quem desejaria trabalhar num projeto'.
  • Num contexto romântico moderno, uma pessoa pode brincar: 'Disse que era o último homem no mundo... e casei-me com ele seis meses depois', usando a ironia austeniana.

Variações e Sinônimos

  • "É a última pessoa que escolheria para isso."
  • "Antes isso do que aquilo." (expressão que denota forte preferência negativa)
  • "Nem morta/o!" (expressão coloquial de recusa categórica)
  • "Pôr uma cruz em cima de alguém" (decidir que não se quer nada com essa pessoa).

Curiosidades

Jane Austen escreveu a primeira versão de 'Orgulho e Preconceito' por volta dos 21 anos, com o título 'First Impressions' (Primeiras Impressões). O manuscrito foi rejeitado por um editor. Anos mais tarde, reviu-o profundamente e publicou-o anonimamente, apenas com a indicação 'by the author of Sense and Sensibility'. A famosa declaração de Elizabeth não está na versão inicial do manuscrito, tendo sido provavelmente refinada por Austen durante as revisões.

Perguntas Frequentes

Quem diz esta frase em Orgulho e Preconceito?
A frase é dita pela protagonista, Elizabeth Bennet, durante uma conversa com a sua amiga Charlotte Lucas, no capítulo 6 do romance.
Por que é esta citação tão famosa?
É famosa pela sua ironia dramática. O leitor acompanha a transformação de Elizabeth, tornando esta afirmação inicial um marco crucial que realça o poder do amor e do autoconhecimento para superar o orgulho e o preconceito.
A frase reflete os valores da época de Jane Austen?
Sim e não. Reflete a pressão social para o casamento, mas a veemência de Elizabeth desafia a ideia de um casamento por conveniência, mostrando o desejo de autonomia emocional da protagonista, um tema progressista para a época.
O Sr. Darcy ouve esta declaração?
Não diretamente. Elizabeth diz-a em privado à Charlotte. No entanto, mais tarde, Darcy ouve uma versão semelhante da sua rejeição quando Elizabeth recusa a sua primeira proposta de casamento, noutra cena icónica.

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