Frases de Efésios 4:32 - Sejam bondosos e compassivos u...

Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo.
Efésios 4:32
Significado e Contexto
A citação de Efésios 4:32 apresenta um imperativo ético central na tradição cristã, articulando uma tríade de virtudes relacionais: bondade, compaixão e perdão. A bondade (chrēstoi) refere-se a uma disposição benigna e útil para com o outro; a compaixão (eusplanchnoi) apela a uma empatia visceral, um 'entranhar-se' com o sofrimento alheio. O mandato para perdoar mutuamente é fundamentado teologicamente: o perdão humano é modelado e possibilitado pelo perdão divino recebido 'em Cristo'. Não se trata de uma mera troca social, mas de uma resposta gratuito ao dom prévio da graça. O versículo serve como coração prático de uma exortação mais ampla (Ef 4:25-32) sobre a nova vida em comunidade, contrastando comportamentos antigos (como ira e malícia) com a conduta digna da vocação recebida.
Origem Histórica
A Epístola aos Efésios é atribuída ao apóstolo Paulo e terá sido escrita por volta de 60-62 d.C., provavelmente durante a sua prisão em Roma. Dirigida à comunidade cristã de Éfeso, uma importante cidade portuária da Ásia Menor, a carta visa fortalecer a identidade e a unidade da Igreja, explicando o mistério de Cristo e as suas implicações práticas para a vida comunitária. O capítulo 4 enfatiza a unidade do corpo de Cristo e a necessidade de abandonar a conduta pagã para revestir-se do 'novo homem', criado segundo Deus. O versículo 32 surge como uma síntese concreta dessa nova ética.
Relevância Atual
Num mundo marcado por polarizações, ressentimentos e uma cultura frequentemente descartável nas relações, Efésios 4:32 mantém uma relevância aguda. Oferece um antídoto profundo para a toxicidade social, promovendo a empatia ativa (compaixão), a ação benévola (bondade) e a libertação do ciclo de ofensa e retaliação (perdão). A sua mensagem é estudada e aplicada não apenas em contextos religiosos, mas também em psicologia, mediação de conflitos e ética secular, como um princípio universal para a saúde relacional e a paz social. A ideia de que o perdão é um ato de libertação, baseado num modelo recebido, continua a inspirar movimentos de reconciliação pessoal e coletiva.
Fonte Original: Bíblia Sagrada, Novo Testamento, Epístola do Apóstolo Paulo aos Efésios, capítulo 4, versículo 32.
Citação Original: Γίνεσθε δὲ εἰς ἀλλήλους χρηστοί, εὔσπλαγχνοι, χαριζόμενοι ἑαυτοῖς, καθὼς καὶ ὁ θεὸς ἐν Χριστῷ ἐχαρίσατο ὑμῖν.
Exemplos de Uso
- Num conflito familiar, lembrar de 'perdoar-se mutuamente' pode ajudar a superar rancores e restabelecer o diálogo.
- Num ambiente de trabalho tóxico, praticar a bondade e compaixão ativa pode quebrar ciclos de competitividade negativa.
- Em debates públicos acalorados, aplicar este princípio significa ouvir com empatia e responder com respeito, mesmo na discordância.
Variações e Sinônimos
- "Perdoai-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo." (Outra tradução comum)
- "Sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo." (Almeida Corrigida Fiel)
- "Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou." (Nova Versão Internacional)
- Ditado popular: "Perdoar é libertar um prisioneiro e descobrir que o prisioneiro eras tu."
Curiosidades
A palavra grega traduzida como 'compassivos' (εὔσπλαγχνοι, eusplanchnoi) significa literalmente 'de boas entranhas'. Nos tempos bíblicos, as entranhas eram consideradas a sede das emoções mais profundas, como o amor e a piedade, dando um tom de intensidade emocional ao mandato.
