Frases de Buda - Todos os seres vivos tremem di...

Todos os seres vivos tremem diante da violência. Todos temem a morte, todos amam a vida. Projete você mesmo em todas as criaturas. Então, a quem você poderá ferir? Que mal você poderá fazer?
Buda
Significado e Contexto
Esta citação articula um princípio central do pensamento budista: a interconexão de todos os seres vivos. Ao afirmar que todos os seres tremem diante da violência, temem a morte e amam a vida, Buda estabelece uma base comum de experiência que unifica toda a existência. A instrução 'Projete você mesmo em todas as criaturas' é um exercício de empatia radical – uma prática mental onde se reconhece a própria natureza (o desejo de viver, o medo do sofrimento) em todos os outros. Esta identificação torna o ato de causar dano logicamente e emocionalmente impossível, pois ferir outro seria, em essência, ferir a si mesmo. A pergunta retórica final ('Então, a quem você poderá ferir? Que mal você poderá fazer?') não é apenas uma interrogação, mas uma conclusão inevitável desta lógica de compaixão, convidando a uma transformação interior que precede a ação não violenta.
Origem Histórica
Esta citação é atribuída a Siddhartha Gautama, o Buda histórico, que viveu no subcontinente indiano entre os séculos VI e IV a.C. O seu ensino, o Darma, surgiu num contexto de busca espiritual na Índia antiga, enfatizando a libertação do sofrimento (dukkha). A ideia de não causar dano (ahimsa) era também presente noutras tradições contemporâneas, como o jainismo, mas Buda integrou-a numa estrutura psicológica e ética única, focada na intenção e no desenvolvimento da sabedoria e compaixão.
Relevância Atual
A frase mantém uma relevância profunda no mundo contemporâneo, marcado por conflitos, discriminação e degradação ambiental. Serve como um antídoto filosófico para a desumanização do 'outro', seja em guerras, política polarizada ou abuso de animais. Na psicologia moderna, ecoa conceitos como 'empatia cognitiva' e 'inteligência emocional'. No ativismo, fundamenta movimentos pelos direitos humanos, pacifismo e ecologia profunda, lembrando-nos que a justiça e a sustentabilidade nascem do reconhecimento da nossa partilha fundamental com todos os seres.
Fonte Original: A citação é frequentemente extraída dos ensinamentos budistas compilados nos textos canónicos do Tipitaka (ou Tripitaka), particularmente no Sutta Pitaka (coleção de discursos). Não é atribuída a um único livro específico, mas encapsula um princípio pervasivo do seu ensino. Pode ser encontrada em várias paráfrases e traduções de discursos sobre metta (bondade amorosa) e karuna (compaixão).
Citação Original: Sabbe tasanti dandassa, sabbe bhāyanti maccuno; Attānaṃ upamaṃ katvā, na haneyya na ghātaye. (Em Páli, língua dos textos budistas antigos). Tradução literal aproximada: 'Todos tremem perante a violência, todos temem a morte. Colocando-se no lugar dos outros, não se deve matar nem causar outrem a matar.'
Exemplos de Uso
- Um mediador de conflitos pode usar este princípio para ajudar partes opostas a verem a humanidade partilhada e reduzirem a hostilidade.
- Um defensor dos direitos dos animais pode citá-la para argumentar contra o sofrimento animal, apelando à nossa capacidade de nos projetarmos noutras espécies.
- Num contexto de educação para a cidadania, pode ser um ponto de partida para discutir bullying, incentivando os alunos a considerarem o impacto das suas ações nos colegas.
Variações e Sinônimos
- 'Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti.' (Regra de Ouro, várias tradições)
- 'Coloca-te no lugar do outro.' (Ditado popular)
- 'A compaixão por todos os seres é a base da verdadeira moralidade.' (Arthur Schopenhauer, influenciado pelo pensamento oriental)
- 'Ahimsa Paramo Dharma' (A não violência é o dever supremo - princípio do hinduísmo e jainismo).
Curiosidades
Apesar de ser uma citação amplamente difundida e atribuída a Buda, a sua formulação exata pode variar entre traduções. O conceito que a sustenta, porém, é inequivocamente central. Curiosamente, estudos neurocientíficos modernos sobre 'neurónios-espelho' fornecem uma base biológica para a capacidade humana de empatia e de 'simular' a experiência alheia, ecoando, de forma secular, a intuição espiritual da frase.


