Frases de Honoré de Balzac - A avareza é um nó corredio q...

A avareza é um nó corredio que aperta cada dia mais o coração e acaba por sufocar a razão.
Honoré de Balzac
Significado e Contexto
Balzac descreve a avareza não como um estado estático, mas como um processo dinâmico e crescente. O 'nó corredio' é uma metáfora poderosa que ilustra como este vício se instala gradualmente no coração (sede das emoções) e, com o tempo, vai apertando até comprometer a razão (a faculdade do discernimento e do juízo). A imagem sugere uma espiral de autodestruição onde o apego excessivo aos bens materiais corrompe primeiro a sensibilidade emocional e, finalmente, a capacidade de pensar com clareza e moralidade. O processo é insidioso – 'cada dia mais' – destacando a natureza progressiva e muitas vezes inconsciente deste declínio.
Origem Histórica
Honoré de Balzac (1799-1850) foi um dos pilares do Realismo literário francês. Viveu numa época de grandes transformações sociais e económicas pós-Revolução Francesa e durante a Revolução Industrial, onde o capitalismo e a busca por riqueza material ganharam um novo protagonismo. A sua monumental obra, 'A Comédia Humana', é um retrato crítico da sociedade francesa da época, explorando obsessivamente temas como o poder, o dinheiro, a ambição e a corrupção moral que daí advinha. Esta citação reflete a sua visão pessimista, mas aguda, sobre como os vícios humanos se desenvolvem e consomem o indivíduo.
Relevância Atual
A frase mantém uma relevância impressionante no mundo contemporâneo, marcado pelo consumismo, pela cultura do sucesso material e pela acumulação financeira como medida de valor. A metáfora do 'nó corredio' aplica-se perfeitamente a dinâmicas modernas como o trabalho excessivo (workaholism), a obsessão por status através de bens de luxo, ou a especulação financeira desmedida. Ela alerta para o perigo de deixar que o desejo de possuir sufoque outros aspetos fundamentais da vida humana: as relações, a ética, a saúde mental e a capacidade de reflexão crítica. Num mundo de 'likes' e ostentação nas redes sociais, o aviso de Balzac é mais atual do que nunca.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Honoré de Balzac e circula em coleções de citações e aforismos. Embora seja consistente com os temas da sua obra, a localização exata numa obra específica de 'A Comédia Humana' (como 'Eugénie Grandet', que trata diretamente da avareza) não é universalmente consensual entre os estudiosos. É considerada parte do seu legado de pensamentos e observações sobre a natureza humana.
Citação Original: "L'avarice est un nœud coulant qui serre le cœur chaque jour davantage et finit par étouffer la raison."
Exemplos de Uso
- Num debate sobre ética nos negócios, pode-se usar a citação para criticar CEOs que, por avareza corporativa, ignoram o bem-estar dos funcionários e o impacto ambiental.
- Num contexto de autoajuda financeira, a frase serve de alerta contra poupar de forma obsessiva a ponto de negar-se experiências enriquecedoras ou ajudar os outros.
- Num artigo sobre psicologia, ilustra como a fixação em bens materiais pode levar à ansiedade e à perda de perspetiva sobre o que é verdadeiramente importante na vida.
Variações e Sinônimos
- A cobiça é a raiz de todos os males. (adaptação de um provérbio bíblico)
- Quem tudo quer, tudo perde.
- O avarento é aquele que passa fome sentado sobre um saco de milho.
- A ambição desmedida é um abismo sem fundo.
Curiosidades
Balzac era conhecido por seus próprios problemas financeiros e dívidas crónicas, apesar do sucesso literário. Esta experiência pessoal com o dinheiro e a pressão económica provavelmente alimentou a sua perspicácia na descrição de vícios como a avareza.


