Frases de Plutarco - A avareza é um tirano bem cru...

A avareza é um tirano bem cruel; manda ajuntar e proíbe o uso daquilo que se junta; visita o desejo e interdiz o gozo.
Plutarco
Significado e Contexto
Plutarco descreve a avareza não como um simples desejo por riqueza, mas como uma tirania psicológica interna. O 'tirano cruel' é a própria compulsão do avarento, que o obriga a acumular bens (mandar ajuntar) enquanto simultaneamente o impede de os utilizar (proíbe o uso). Esta contradição gera um sofrimento peculiar: visita o desejo (cria a ânsia de possuir) mas interdiz o gozo (nega a satisfação). A riqueza torna-se assim um fardo, um fim em si mesmo destituído de utilidade prática ou felicidade. A análise vai além da condenação moral superficial, explorando a patologia de um vício que escraviza o indivíduo, privando-o da liberdade para desfrutar os frutos do seu trabalho ou sorte.
Origem Histórica
Plutarco (c. 46-120 d.C.) foi um filósofo, biógrafo e sacerdote grego do período do Império Romano, conhecido pelas suas 'Vidas Paralelas' e 'Obras Morais'. Viveu numa era de transição cultural, onde a filosofia grega (especialmente o platonismo e o estoicismo) se fundia com a administração romana. Os seus escritos éticos, como este provavelmente retirado de um dos seus ensaios morais, refletem preocupações comuns da filosofia helenística: o autocontrolo, a moderação e a luta contra as paixões que perturbam a alma. O contexto é de uma sociedade onde a riqueza e o poder material eram visíveis, mas a sabedoria filosófica alertava para os seus perigos interiores.
Relevância Atual
A citação mantém uma relevância pungente na sociedade contemporânea, marcada pelo consumismo, pela acumulação de capital e pela cultura do 'ter' em vez do 'ser'. Ilustra a paradoja moderna onde indivíduos acumulam riqueza, bens ou mesmo 'likes' nas redes sociais, mas muitas vezes sentem uma vacuidade ou incapacidade de desfrutar genuinamente dessas aquisições. A avareza expandiu-se para além do dinheiro, podendo manifestar-se na avareza de tempo, afeto ou reconhecimento. A frase serve como um alerta intemporal sobre a importância de equilibrar a aquisição com o usufruto, e de questionar se o que acumulamos realmente nos traz liberdade ou, como diz Plutarco, nos torna escravos de um tirano interno.
Fonte Original: Provavelmente retirada de uma das suas 'Obras Morais' (Moralia), uma coleção de mais de 60 ensaios sobre ética, religião, política e literatura. A citação é frequentemente atribuída aos seus escritos sobre vícios e virtudes, embora a obra exata possa variar entre compilações.
Citação Original: A citação já está em português, sendo uma tradução do grego antigo. A versão original em grego antigo não é fornecida aqui, mas a tradução portuguesa é amplamente aceite.
Exemplos de Uso
- Um empresário que acumula milhões mas vive com frugalidade extrema, negando-se a viajar ou a ajudar a família, ilustra a avareza como tirania.
- Nas redes sociais, a busca obsessiva por seguidores (acumular) sem criar conexões genuínas (gozo) reflete uma avareza digital moderna.
- Colecionadores compulsivos que armazenam objetos raros em caixas, nunca os exibindo ou apreciando, personificam a proibição do uso descrita por Plutarco.
Variações e Sinônimos
- "A avareza é um vício que faz o homem rico viver como pobre." (Ditado popular)
- "O avarento é pobre por querer ser rico." (Reflexão moral)
- "A riqueza é como a água salgada: quanto mais se bebe, mais sede dá." (Arthur Schopenhauer, ecoando o conceito)
- "Não é rico quem tem muito, mas quem precisa de pouco." (Provérbio, contrastando com a avareza)
Curiosidades
Plutarco serviu como sacerdote no Oráculo de Delfos, um centro espiritual grego onde se inscrevia o famoso aforismo 'Conhece-te a ti mesmo'. A sua reflexão sobre a avareza pode ser vista como uma extensão prática deste princípio: conhecer as próprias paixões para não ser por elas dominado.


