Frases de Blaise Pascal - Aquele que sem autoridade mata

Frases de Blaise Pascal - Aquele que sem autoridade mata...


Frases de Blaise Pascal


Aquele que sem autoridade mata um criminoso, torna-se tão criminoso como este.

Blaise Pascal

Esta citação de Pascal confronta-nos com o paradoxo moral da justiça privada, questionando se o fim justifica os meios quando a autoridade é desrespeitada. Revela como a violência, mesmo contra criminosos, pode corromper quem a pratica.

Significado e Contexto

A citação de Blaise Pascal aborda um princípio fundamental da filosofia política e jurídica: a legitimidade da autoridade. Pascal argumenta que a ação de matar alguém, mesmo que essa pessoa seja reconhecida como criminosa, só é moralmente justificável se realizada por uma autoridade legítima (como o Estado através do sistema judicial). Quando um indivíduo assume esse papel por conta própria, comete um ato de violência ilegítima, tornando-se, ele próprio, um criminoso. O foco não está na natureza do alvo (o criminoso), mas no ato de usurpar a função da justiça pública, que deve ser imparcial e regida por leis. Esta ideia está enraizada na distinção entre vingança e justiça. A vingança é uma resposta emocional e pessoal, enquanto a justiça é um processo institucional e racional. Pascal alerta para o perigo da anarquia moral que surge quando cada pessoa se torna juiz, júri e carrasco. A frase defende a necessidade de um contrato social onde o monopólio da força legítima pertence ao Estado, garantindo ordem e prevenindo ciclos intermináveis de violência retributiva.

Origem Histórica

Blaise Pascal (1623-1662) foi um filósofo, matemático e físico francês do século XVII, período marcado por profundas transformações políticas e religiosas na Europa, como as Guerras de Religião em França. A sua obra mais famosa, 'Pensées' ('Pensamentos'), publicada postumamente, é uma coleção de fragmentos onde explora questões de fé, moral e a condição humana. Embora a citação específica possa não ser localizada num capítulo exato sem consulta direta à obra completa, reflete perfeitamente o seu pensamento sobre a fragilidade humana, a necessidade de ordem e os limites da ação individual face à autoridade divina e temporal. O contexto do absolutismo monárquico em França, onde o rei centralizava o poder, incluindo o judicial, influenciou estas reflexões sobre a legitimidade do poder.

Relevância Atual

Esta frase mantém uma relevância extraordinária no mundo contemporâneo. Num contexto de redes sociais e justiça popular online ('cancel culture'), vemos frequentemente indivíduos a agir como juízes morais sem processo legal. A citação questiona os linchamentos mediáticos e a violência de grupos que se auto-intitulam justiceiros. Também se aplica a debates sobre pena de morte, legítima defesa extrema e intervenções militares não autorizadas. Num nível pessoal, serve como alerta contra a tentação de 'fazer justiça com as próprias mãos', lembrando-nos que a violência, mesmo com boas intenções, pode perpetuar ciclos de injustiça e corroer o Estado de Direito.

Fonte Original: A citação é atribuída a Blaise Pascal e encontra-se na sua obra póstuma 'Pensées' (Pensamentos), uma coleção de notas e fragmentos sobre filosofia e religião. A numeração exata pode variar conforme a edição.

Citação Original: Celui qui tue un criminel sans autorité devient aussi criminel que lui.

Exemplos de Uso

  • Um cidadão que, após um assalto, persegue e mata o ladrão em vez de o entregar à polícia, comete um crime segundo esta visão.
  • Nas redes sociais, destruir a reputação de alguém acusado de um erro sem direito a defesa é uma forma moderna de 'execução' sem autoridade.
  • Grupos de vigilantes que patrulham bairros e agridem suspeitos assumem um papel de juiz que não lhes pertence, arriscando-se a cometer injustiças.

Variações e Sinônimos

  • A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena.
  • Quem com ferro fere, com ferro será ferido.
  • A justiça pelas próprias mãos corrompe quem a pratica.
  • O fim não justifica os meios.
  • A lei da selva leva à barbárie.

Curiosidades

Blaise Pascal, além de filósofo, foi um prodígio da matemática e física. Aos 16 anos, escreveu um tratado sobre secções cónicas, e inventou a primeira calculadora mecânica, a 'Pascaline', para ajudar o pai, um cobrador de impostos.

Perguntas Frequentes

Pascal defende a impunidade para criminosos?
Não. Pascal defende que os criminosos devem ser julgados e punidos por uma autoridade legítima (o Estado), não por indivíduos que agem por conta própria, pois isso viola o processo legal e pode levar a mais injustiça.
Esta citação aplica-se à legítima defesa?
A legítima defesa, quando proporcional e imediata para proteger a vida, é geralmente reconhecida pela lei. A citação de Pascal refere-se mais a atos de retaliação ou execução após o perigo ter passado, onde não há autoridade judicial envolvida.
Onde posso ler mais sobre as ideias de Pascal?
A obra principal é 'Pensées' (Pensamentos), disponível em várias edições. Também são relevantes as 'Cartas Provinciais', onde critica a moral relaxada de alguns teólogos da sua época.
Por que é importante a autoridade na justiça?
A autoridade garante imparcialidade, devido processo legal e proporcionalidade na punição. Sem ela, a justiça torna-se arbitrária, baseada em emoções ou interesses pessoais, o que pode gerar violência e insegurança social.

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