Frases de Clarice Lispector - Ouve-me, ouve o meu silêncio....

Ouve-me, ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa. Capta essa outra coisa de que na verdade falo porque eu mesma não posso.
Clarice Lispector
Significado e Contexto
A citação de Clarice Lispector aborda a limitação da linguagem para expressar a totalidade da experiência humana. Quando diz 'O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa', a autora sugere que as palavras são instrumentos imperfeitos que apenas apontam para realidades mais complexas e subjetivas. O convite para 'ouvir o silêncio' revela que a verdadeira comunicação ocorre nos espaços entre as palavras, onde residem as emoções, intenções e significados não verbalizados. A frase reflete uma visão existencialista da linguagem, onde o indivíduo luta para expressar uma essência que escapa à racionalidade discursiva. A incapacidade declarada - 'eu mesma não posso' - enfatiza a natureza paradoxal desta busca: queremos ser compreendidos na nossa profundidade, mas dependemos do outro para decifrar o que não conseguimos articular plenamente. Esta dinâmica cria uma ponte frágil entre o eu e o outro, fundamentada na empatia e na atenção ao não dito.
Origem Histórica
Clarice Lispector (1920-1977) foi uma escritora brasileira de origem ucraniana, considerada uma das vozes mais importantes da literatura do século XX. A sua obra, desenvolvida principalmente entre as décadas de 1940 e 1970, caracteriza-se por uma profunda introspeção psicológica e uma exploração existencialista. Este excerto reflete o seu estilo literário único, que frequentemente desconstruía a linguagem convencional para aceder a camadas mais profundas da consciência humana, influenciado pelo modernismo e por correntes filosóficas como o existencialismo.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância extraordinária no mundo contemporâneo, marcado pela comunicação digital e pela superficialidade muitas vezes associada às interações online. Num tempo de excesso de palavras (mensagens, posts, comentários), a citação lembra-nos da importância de escutar activamente, de procurar o significado por detrás das palavras e de valorizar os silêncios significativos. É particularmente pertinente em discussões sobre saúde mental, relações interpessoais e comunicação autêntica, servindo como um antídoto contra a incompreensão e a solidão moderna.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída à obra de Clarice Lispector, embora a sua origem exata dentro da sua vasta bibliografia (que inclui romances como 'A Paixão Segundo G.H.', 'A Hora da Estrela' e contos) não seja sempre especificada em citações isoladas. Reflete temas centrais da sua escrita.
Citação Original: Ouve-me, ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa. Capta essa outra coisa de que na verdade falo porque eu mesma não posso.
Exemplos de Uso
- Num contexto terapêutico, um paciente pode usar esta ideia para explicar a dificuldade em expressar emoções profundas, pedindo ao terapeuta que 'leia' os seus silêncios.
- Na comunicação de casal, a frase ilustra a necessidade de interpretar gestos e tons de voz, para além das palavras trocadas durante um desentendimento.
- Nas redes sociais, serve como reflexão crítica sobre a autenticidade: um post aparentemente feliz pode esconder um pedido de ajuda não verbalizado.
Variações e Sinônimos
- "As palavras são apenas sombras do pensamento."
- "O essencial é invisível aos olhos." - Antoine de Saint-Exupéry
- "O silêncio é o grito mais alto." - atribuído a vários autores
- "Falar é prata, calar é ouro." - provérbio popular
Curiosidades
Clarice Lispector começou a escrever o seu primeiro romance, 'Perto do Coração Selvagem', aos 19 anos, enquanto estudava Direito. A obra, publicada em 1943, foi imediatamente aclamada pela crítica e marcou o início de uma carreira literária singular, que a tornou uma figura quase mítica na cultura brasileira.


