Frases de Bertrand Blier - Cineastas sempre mentem quando

Frases de Bertrand Blier - Cineastas sempre mentem quando...


Frases de Bertrand Blier


Cineastas sempre mentem quando falam de seus filmes: ocultam quais as cenas que tiveram de cortar para o resultado ser razoável e quem são os atores errados que escolheram.

Bertrand Blier

Esta citação revela a dualidade entre a criação artística e a sua apresentação pública, sugerindo que por trás de cada obra finalizada existe um processo de escolhas e omissões que raramente é partilhado. Expõe a vulnerabilidade do criador perante o seu próprio trabalho.

Significado e Contexto

A afirmação de Bertrand Blier aborda o fosso entre o processo criativo e o produto final apresentado ao público. Quando um cineasta discute o seu filme, tende a construir uma narrativa coerente e intencional sobre as suas escolhas, omitindo os erros, as dúvidas e os elementos que foram descartados para alcançar um resultado 'razoável'. Esta 'mentira' não é necessariamente maliciosa, mas sim uma forma de proteger a integridade percebida da obra e da própria imagem do autor. A frase sublinha que a arte, especialmente no cinema colaborativo, é sempre o resultado de compromissos e correções, e que a versão final é apenas uma das muitas possibilidades que existiram. Num sentido mais amplo, Blier questiona a autenticidade dos discursos dos artistas sobre o seu trabalho. Ao destacar especificamente 'cenas cortadas' e 'atores errados', aponta para as falhas e arrependimentos que são parte intrínseca da criação, mas que raramente são admitidos publicamente. Isto revela uma tensão entre a perfeição idealizada da obra acabada e a realidade caótica do seu making-of. A citação convida-nos a olhar para além da narrativa oficial e a considerar a humanidade – e a falibilidade – por trás de qualquer criação.

Origem Histórica

Bertrand Blier é um realizador e argumentista francês nascido em 1939, conhecido pelo seu humor negro, pela subversão de convenções sociais e por uma abordagem provocadora e muitas vezes misantropa. A sua carreira, especialmente prolífica nas décadas de 1970 e 1980, inclui filmes como 'Os Valsantes' (1974) e 'Muito Barulho por Nada' (1990). Esta citação reflete o seu estilo iconoclasta e a sua desconfiança em relação às instituições e às narrativas oficiais, incluindo as do próprio meio cinematográfico. Surge num contexto pós-Nouvelle Vague, onde os realizadores ganharam um estatuto de 'autores', e as suas declarações sobre a sua obra eram (e são) frequentemente tomadas como verdades absolutas. Blier desafia precisamente essa noção.

Relevância Atual

A citação mantém uma relevância pungente na era das redes sociais e dos 'making-of' patrocinados. Hoje, mais do que nunca, os criadores (não só cineastas, mas também escritores, músicos, influencers) constroem narrativas cuidadosamente curadas sobre o seu processo, muitas vezes omitindo falhas, colaborações difíceis ou versões alternativas. A frase de Blier serve como um antídoto crítico, lembrando-nos de questionar as histórias oficiais e de valorizar a imperfeição e os 'cortes de sala' como parte genuína da criação. É também relevante no jornalismo cultural e na crítica, alertando para a possibilidade de as entrevistas com artistas serem performances tão ensaiadas quanto as suas obras.

Fonte Original: A fonte exata (entrevista, livro, artigo) desta citação é de difícil localização precisa, sendo frequentemente atribuída a Blier em antologias de citações sobre cinema e criação. É citada em vários meios de comunicação e livros sobre realização cinematográfica como uma máxima característica do seu pensamento.

Citação Original: Les cinéastes mentent toujours quand ils parlent de leurs films : ils cachent les scènes qu'ils ont dû couper pour que le résultat soit raisonnable et quels sont les mauvais acteurs qu'ils ont choisis.

Exemplos de Uso

  • Num documentário sobre o making-of de um blockbuster, um crítico pode usar a frase para questionar a narrativa 'perfeita' apresentada pelos realizadores.
  • Num curso de escrita criativa, um professor pode citar Blier para normalizar a reescrita e os 'cortes' como partes essenciais, e não falhas, do processo.
  • Num debate sobre autenticidade nas redes sociais, um influenciador pode adaptar a frase: 'Criadores de conteúdo mentem quando falam do seu trabalho: escondem as takes descartadas e as más ideias que tiveram.'

Variações e Sinônimos

  • "Nunca acredites totalmente num artista a falar da sua obra."
  • "Por trás de cada grande filme há um filme diferente que foi cortado."
  • "O making-of que mostram nunca é o making-of real."
  • Ditado popular relacionado: "A roupa suja lava-se em casa." (aplicado ao processo criativo privado).

Curiosidades

Bertrand Blier venceu o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1979 por 'Get Out Your Handkerchiefs', mas é frequentemente mais lembrado e estudado pelos seus filmes mais ácidos e politicamente incorretos dos anos 70, que desafiavam abertamente a moral burguesa.

Perguntas Frequentes

Bertrand Blier está a acusar os cineastas de serem mentirosos?
Não no sentido literal ou moralista. Blier usa a palavra 'mentir' de forma provocadora para descrever a omissão seletiva e a construção de uma narrativa pública que esconde as imperfeições e os arrependimentos do processo criativo real.
Esta citação aplica-se apenas ao cinema?
Não. A ideia central é universal a qualquer forma de criação artística ou mesmo a qualquer projeto complexo (como startups ou produtos). Refere-se à tendência de apresentar uma versão polida e linear de um processo que, na realidade, foi não-linear e cheio de tentativas e erros.
O que Blier quer dizer com 'resultado razoável'?
'Razoável' aqui significa aceitável, coerente, ou que funciona dentro dos parâmetros narrativos, técnicos, comerciais ou de tempo do projeto. São os cortes e ajustes necessários para transformar a matéria-prima caótica da filmagem num produto final que faça sentido para o público.
Porque é que os cineastas fariam isso?
Por várias razões: para proteger a sua autoridade e visão artística, para não prejudicar a carreira de colaboradores, para não 'desmistificar' a magia do filme para o público, ou simplesmente porque é humano querer ser associado ao sucesso e não ao fracasso.

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