Frases de Jean de La Bruyère - Tão ridículo é fugir da mod

Frases de Jean de La Bruyère - Tão ridículo é fugir da mod...


Frases de Jean de La Bruyère


Tão ridículo é fugir da moda como enfrentá-la.

Jean de La Bruyère

Esta citação de La Bruyère revela a natureza paradoxal da moda: tentar escapar-lhe ou opor-se-lhe com demasiada força são ambas atitudes igualmente fúteis. Sugere que a verdadeira sabedoria reside numa postura de discernimento, nem de submissão cega, nem de rejeição obstinada.

Significado e Contexto

La Bruyère, no seu aforismo, capta a essência de um dilema social perene. Por um lado, 'fugir da moda' implica uma rejeição total das convenções e tendências do momento, um esforço muitas vezes artificial e pretensioso para se destacar através da negação. Por outro, 'enfrentá-la' sugere uma oposição direta e agressiva, igualmente carregada de esforço e atenção, tornando-se, paradoxalmente, outra forma de se deixar definir por ela. A mensagem subjacente é que ambos os extremos são 'ridículos' porque demonstram uma preocupação excessiva com a opinião alheia e uma falta de autenticidade. A verdadeira liberdade, sugere o autor, não está na submissão nem na rebeldia performativa, mas numa relação mais serena e crítica com os costumes do seu tempo.

Origem Histórica

Jean de La Bruyère (1645-1696) foi um moralista francês do século XVII, contemporâneo de figuras como Molière e Racine. A sua obra principal, 'Les Caractères ou les Mœurs de ce siècle' (Os Caracteres ou os Costumes deste Século), publicada em 1688, é uma coleção de aforismos e retratos satíricos da sociedade francesa da época, particularmente da corte de Luís XIV. Vivendo numa era de rigoroso protocolo e modas efémeras na corte de Versalhes, La Bruyère observava com olhar crítico a hipocrisia, a vaidade e a luta por status que definiam as relações sociais.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância impressionante na era das redes sociais e do consumo rápido. Hoje, 'a moda' pode referir-se não apenas ao vestuário, mas a tendências digitais, jargões corporativos, estilos de vida idealizados ou opiniões políticas em voga. Tanto o 'influencer' que segue cegamente cada tendência como o 'purista' que a rejeita com veemência podem cair no ridículo apontado por La Bruyère. A citação convida a uma reflexão sobre autenticidade, pressão social e a busca de um equilíbrio entre adaptação e integridade pessoal num mundo hiperconectado.

Fonte Original: A citação é retirada da obra 'Les Caractères ou les Mœurs de ce siècle' (Os Caracteres ou os Costumes deste Século), mais concretamente da secção 'De la mode' (Da moda).

Citação Original: Il est aussi ridicule de fuir la mode que de l'affronter.

Exemplos de Uso

  • Um profissional que se recusa a usar qualquer plataforma digital por princípio, dificultando a comunicação, pode ser tão 'ridículo' quanto aquele que muda o seu perfil online semanalmente para seguir cada nova rede social.
  • Na alimentação, adotar uma dieta da moda de forma extremista, sem consideração pela saúde individual, é tão questionável quanto rejeitar todas as novas descobertas nutricionais por serem 'modas passageiras'.
  • Um artista que rejeita qualquer forma de arte contemporânea para se afirmar como 'clássico' pode estar tão preso a uma pose quanto outro que copia o estilo do momento sem qualquer originalidade.

Variações e Sinônimos

  • Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.
  • O meio-termo é a virtude.
  • Quem teima em ser diferente por ser diferente, acaba por ser igual a todos os que teimam no mesmo.
  • A moda é uma tirania à qual se obedece por livre vontade.

Curiosidades

La Bruyère foi eleito para a Academia Francesa em 1693, mas a sua entrada foi controversa devido ao carácter mordaz e crítico de 'Les Caractères'. A obra foi um sucesso imediato, com nove edições revistas e aumentadas pelo autor durante a sua vida.

Perguntas Frequentes

O que La Bruyère quis dizer com 'ridículo' nesta citação?
La Bruyère usa 'ridículo' para descrever a falta de sabedoria e autenticidade em ambos os extremos. Considera que tanto a submissão cega como a oposição sistemática à moda são atitudes vãs e excessivamente preocupadas com a aparência perante os outros.
Esta frase defende então seguir a moda?
Não necessariamente. A frase critica a obsessão com a moda, seja para a seguir ou para a combater. A sugestão implícita é adotar uma postura mais ponderada e menos emocional, onde a moda não seja o centro das decisões pessoais.
Em que contexto histórico foi escrita esta frase?
Foi escrita no final do século XVII, na França de Luís XIV, uma corte extremamente formal e obcecada com etiqueta, aparência e modas efémeras. La Bruyère observava e satirizava esta sociedade no seu livro 'Les Caractères'.
Como posso aplicar este conselho na vida moderna?
Aplicando um filtro crítico às tendências (sociais, tecnológicas, de consumo). Em vez de adotar ou rejeitar automaticamente, avalie o que faz sentido para os seus valores e necessidades. Busque autenticidade em vez de mera conformidade ou rebeldia.

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