Frases de Ludwig von Mises - O desenvolvimento da profissã

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Frases de Ludwig von Mises


O desenvolvimento da profissão de economista é uma sequela do intervencionismo.

Ludwig von Mises

Esta citação revela como as profissões emergem não apenas do progresso natural, mas como respostas às intervenções humanas na ordem espontânea da sociedade. Reflete sobre a ironia de que o economista, estudioso dos mercados livres, muitas vezes surge da necessidade de compreender e gerir as distorções criadas pelo intervencionismo.

Significado e Contexto

A citação de Ludwig von Mises sugere que a profissão de economista, tal como a conhecemos hoje, não é um desenvolvimento orgânico do estudo das trocas voluntárias, mas sim uma consequência direta da expansão do intervencionismo estatal. Segundo a perspetiva da Escola Austríaca, num mercado verdadeiramente livre, as funções de análise económica seriam desempenhadas de forma dispersa por empresários, investidores e consumidores, sem necessidade de uma classe profissional especializada em prever ou gerir os efeitos das intervenções governamentais. O economista moderno surge, portanto, como um 'diagnosticador' e, por vezes, um 'gestor' das distorções criadas por políticas de controlo de preços, subsídios, regulamentação excessiva e planeamento central, que alteram o funcionamento espontâneo do mercado.

Origem Histórica

Ludwig von Mises (1881-1973) foi um dos principais economistas da Escola Austríaca, um pensador liberal clássico que viveu períodos marcados por grandes intervenções estatais, como as duas guerras mundiais, a Grande Depressão e a ascensão dos regimes totalitários. O seu trabalho, desenvolvido em obras como 'Ação Humana' e 'Socialismo', constitui uma crítica feroz ao planeamento central e ao intervencionismo, defendendo que estes levam inevitavelmente a cálculos económicos irracionais e à perda de eficiência. Esta citação reflete a sua visão de que muitas instituições e profissões modernas são 'sequelas' ou efeitos secundários indesejados da expansão do poder estatal na economia.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância acentuada no século XXI, onde a profissão de economista é ubíqua em governos, bancos centrais, instituições internacionais e media. A crise financeira de 2008, as respostas de política monetária não convencional (como quantitative easing), os debates sobre estímulos fiscais pós-pandemia e a regulação de sectores como a tecnologia ou a energia ilustram como os economistas são frequentemente chamados a analisar, justificar ou mitigar os efeitos de intervenções massivas. A citação convida a uma reflexão crítica sobre se o papel predominante do economista hoje é o de estudar leis económicas universais ou o de gerir as complexidades criadas pelo próprio intervencionismo que critica.

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída ao pensamento de Mises, embora a localização exata na sua vasta obra possa variar. Está alinhada com os argumentos presentes em 'Ação Humana: Um Tratado de Economia' (1949) e em 'Burocracia' (1944), onde analisa as consequências da intervenção estatal.

Citação Original: The development of the profession of economist is a sequel of interventionism.

Exemplos de Uso

  • A proliferação de economistas em agências reguladoras estatais, como a autoridade da concorrência, para avaliar o impacto de fusões empresariais aprovadas ou bloqueadas pelo governo.
  • A contratação de economistas por bancos centrais para modelar os efeitos de alterações nas taxas de juro ou programas de compra de ativos, intervenções diretas no mercado monetário.
  • O papel de economistas em think-tanks e media a comentar as consequências de pacotes de estímulo fiscal ou políticas industriais, tentando prever os 'efeitos secundários' de intervenções governamentais.

Variações e Sinônimos

  • O economista é o médico da economia doente pelo estado.
  • Sem intervenção, não haveria necessidade de tantos economistas.
  • A burocracia económica gera a sua própria classe de especialistas.
  • O planeamento central cria a demanda por planeadores.

Curiosidades

Ludwig von Mises lecionou durante anos num seminário privado em Genebra e depois em Nova Iorque, formando gerações de economistas liberais, como Friedrich Hayek (Prémio Nobel). Ironia das ironias, muitos dos seus alunos tornaram-se economistas profissionais que criticavam o intervencionismo, exemplificando a própria 'sequela' que Mises descrevia.

Perguntas Frequentes

Mises considerava a profissão de economista desnecessária?
Não, Mises via o estudo da economia como crucial, mas argumentava que a sua profissionalização em larga escala, com foco em assessoria estatal e gestão de intervenções, era um sintoma do problema, não a sua solução.
Esta visão aplica-se apenas a economistas do setor público?
Não totalmente. Mises referia-se à profissão como um todo, incluindo economistas no setor privado que muitas vezes analisam riscos regulatórios ou políticas governamentais que afetam os negócios, atividades que surgem em resposta ao intervencionismo.
Há economistas que discordam desta visão?
Sim, muitas escolas de pensamento, como a keynesiana ou a neoclássica, veem o economista como um profissional essencial para otimizar políticas e corrigir falhas de mercado, não apenas como um produto do intervencionismo.
Como é que esta frase se relaciona com o conceito de 'economia de mercado'?
Reflete a ideia de que numa economia de mercado pura, as decisões são descentralizadas e baseadas no conhecimento disperso dos agentes, reduzindo a necessidade de uma classe de especialistas para 'gerir' a economia de cima para baixo.

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