Frases de Andrei Gromiko - É o povo que escolhe o regime...

É o povo que escolhe o regime em que quer viver. É o direito de cada povo ter simpatia ou antipatia por dado regime.
Andrei Gromiko
Significado e Contexto
Esta afirmação defende o princípio da autodeterminação, segundo o qual cada povo tem o direito inalienável de decidir livremente o seu sistema político, económico, social e cultural. Gromiko sublinha que a legitimidade de um regime não deriva da força ou da tradição, mas da aceitação ou rejeição consciente por parte da população. A referência a 'simpatia ou antipatia' vai além do mero voto, abrangendo a dimensão emocional e identitária que liga os cidadãos às suas instituições. A citação também implica uma crítica implícita a regimes impostos, sugerindo que a estabilidade política depende do consentimento dos governados. Ao enfatizar 'o direito de cada povo', reconhece a diversidade de preferências políticas entre nações, rejeitando a ideia de um modelo único de governação aplicável a todos. Esta visão coloca a soberania popular no centro da vida política, antecedendo até a estrutura estatal.
Origem Histórica
Andrei Gromiko (1909-1989) foi um diplomata e político soviético, Ministro dos Negócios Estrangeiros da URSS durante 28 anos (1957-1985), no auge da Guerra Fria. A citação reflete a retórica soviética da época, que, publicamente, defendia o direito à autodeterminação dos povos – especialmente em contextos de descolonização –, embora na prática a URSS frequentemente impusesse regimes alinhados com os seus interesses nos países sob sua esfera de influência. O contexto é o da competição ideológica com o Ocidente, onde ambos os lados usavam o discurso da liberdade para ganhar legitimidade internacional.
Relevância Atual
A frase mantém uma relevância pungente no século XXI, em que debates sobre soberania popular, intervenções externas e legitimidade democrática continuam a dominar a política global. Serve como referência em discussões sobre a validade de eleições contestadas, movimentos independentistas (como na Catalunha ou Escócia) ou a rejeição popular de governos autoritários (Primavera Árabe). Num mundo de fake news e interferências eleitorais, a citação questiona se a 'escolha' do povo é verdadeiramente livre e informada. Além disso, ecoa nos movimentos contemporâneos que exigem maior participação cidadã além do voto periódico.
Fonte Original: Provavelmente de um discurso ou declaração pública durante o seu mandato como Ministro dos Negócios Estrangeiros da URSS, possivelmente em fóruns internacionais como a ONU, onde a URSS frequentemente usava retórica sobre direitos dos povos. Não há uma obra literária específica identificada como fonte única.
Citação Original: Это народ выбирает режим, в котором он хочет жить. Это право каждого народа — симпатизировать или не симпатизировать данному режиму.
Exemplos de Uso
- Em debates sobre a anexação da Crimeia, argumentou-se que a população local deveria exercer o seu direito de escolha, citando Gromiko.
- Analistas políticos usam a citação para criticar regimes que se mantêm no poder através de eleições fraudulentas, violando o princípio da autodeterminação.
- Em contextos educativos, a frase é citada para explicar o conceito de soberania popular nas aulas de Ciência Política.
Variações e Sinônimos
- A voz do povo é a voz de Deus.
- O governo deve derivar do consentimento dos governados.
- Cada povo tem o direito de forjar o seu próprio destino.
- A legitimidade política emana da vontade popular.
Curiosidades
Apesar de defender publicamente a autodeterminação, Gromiko foi um arquiteto chave da política externa soviética que suprimiu movimentos democráticos na Europa de Leste, como na Primavera de Praga em 1968, mostrando a contradição entre retórica e prática durante a Guerra Fria.