Frases de Carlos Drummond de Andrade - Brincar com crianças não é

Frases de Carlos Drummond de Andrade - Brincar com crianças não é ...


Frases de Carlos Drummond de Andrade


Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem.

Carlos Drummond de Andrade

Esta citação de Drummond desafia a visão utilitarista da infância, propondo que o verdadeiro valor educativo reside na experiência lúdica e na liberdade, não na mera ocupação do tempo. Ela convida-nos a repensar o que significa realmente 'formar' um ser humano.

Significado e Contexto

A citação apresenta uma dicotomia poderosa. Na primeira parte, 'Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo', Drummond subverte a noção comum de que o brincar é uma atividade frívola ou um intervalo entre aprendizagens 'sérias'. Ele defende que é precisamente no brincar — com a sua espontaneidade, criatividade e interação genuína — que se constrói tempo de qualidade e se investe no desenvolvimento integral da criança. Na segunda parte, o poeta critica agudamente um modelo de ensino que, mesmo tendo crianças na escola, falha na sua missão formativa. A imagem de alunos 'sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis' evoca um sistema mecanicista, desprovido de vida e significado. Drummond argumenta que esta abordagem, focada em repetição e conformidade, tem 'sem valor para a formação do homem', pois ignora as dimensões emocionais, sociais e criativas essenciais para formar indivíduos plenos.

Origem Histórica

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) foi um dos maiores poetas brasileiros do século XX, integrante da segunda geração do Modernismo. A citação reflete preocupações educacionais e humanistas que perpassam a sua obra, marcada por um olhar crítico e sensível sobre o quotidiano e as instituições sociais. Embora a data exata da frase seja de difícil precisão, ela ecoa debates educacionais do século XX sobre métodos pedagógicos, a valorização da infância e a crítica ao ensino tradicional e autoritário, temas que ganharam força com pensadores como Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro no Brasil.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância impressionante. Num mundo onde a pressão por resultados académicos precoces e a hiperestimulação digital são constantes, a defesa do brincar livre e significativo como base do desenvolvimento é mais crucial do que nunca. Simultaneamente, a crítica à 'escola sem ar' ressoa com discussões contemporâneas sobre burnout infantil, métodos de ensino ultrapassados, a necessidade de salas de aula mais dinâmicas e inclusivas, e a importância do bem-estar emocional dos alunos. Ela serve como um lembrete atemporal de que a qualidade da experiência educativa é mais importante do que a mera ocupação do tempo escolar.

Fonte Original: A citação é amplamente atribuída a Carlos Drummond de Andrade e circula em coletâneas de suas frases e pensamentos. No entanto, a sua origem exata (título de livro ou poema específico) não é consensual entre os estudiosos, sendo frequentemente citada como parte do seu corpus de reflexões e aforismos.

Citação Original: Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem.

Exemplos de Uso

  • Um educador pode usar a frase para defender a inclusão de mais períodos de brincadeira livre e criativa no currículo escolar, argumentando que isso 'ganha tempo' para o desenvolvimento socioemocional.
  • Num artigo sobre parentalidade consciente, a citação pode ilustrar a importância de os pais dedicarem tempo de qualidade a brincar com os filhos, em vez de verem essa atividade como um passatempo menor.
  • Num debate sobre reforma educacional, a frase pode ser citada para criticar sistemas de ensino excessivamente focados em testes padronizados e tarefas repetitivas, promovendo em vez disso uma pedagogia mais humana e experiencial.

Variações e Sinônimos

  • "A brincadeira é o trabalho da criança." (frase atribuída a vários educadores)
  • "É brincando que se aprende." (ditado popular)
  • "A escola da vida começa no recreio."
  • "Educação não é encher um balde, é acender uma fogueira." (atribuída a William Butler Yeats)

Curiosidades

Carlos Drummond de Andrade trabalhou grande parte da sua vida como funcionário público, inclusive em cargos ligados ao património histórico e educativo. Essa proximidade com a máquina estatal pode ter aguçado a sua visão crítica sobre as instituições, incluindo a escola.

Perguntas Frequentes

O que Drummond quis dizer com 'ganhar tempo' ao brincar?
Drummond sugere que o tempo investido no brincar não é desperdiçado, mas sim um investimento valioso. 'Ganhar tempo' significa adquirir experiências profundas, criar laços afetivos e desenvolver capacidades cognitivas e emocionais que formam a base para uma vida plena, algo que o tempo meramente ocupado com tarefas estéreis não proporciona.
Esta citação é contra a escola?
Não é contra a escola enquanto instituição, mas sim contra um modelo específico de escola. Drummond valoriza a educação (é 'triste ver meninos sem escola'), mas critica veementemente uma prática escolar desumanizadora, burocrática e sem significado. A sua defesa é de uma escola viva, criativa e verdadeiramente formativa.
Como posso aplicar esta ideia na educação dos meus filhos ou alunos?
Priorizando o brincar livre e não estruturado, criando ambientes de aprendizagem ricos e estimulantes (não apenas 'salas sem ar'), e valorizando atividades que desenvolvam a criatividade, a curiosidade e a interação social tanto quanto (ou mais do que) os exercícios puramente académicos e repetitivos.
Esta visão é apoiada pela ciência moderna?
Sim. A psicologia do desenvolvimento e as neurociências corroboram que o brincar é fundamental para o desenvolvimento cerebral, a regulação emocional, a aprendizagem de competências sociais e a resolução de problemas. A crítica a ambientes de aprendizagem stressantes e pouco estimulantes também encontra eco em pesquisas sobre motivação e bem-estar escolar.

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